Tifanny tem vitória na Justiça para jogar competições da CBV, que pode ser multada se impedir atleta
Decisão libera jogadora do Osasco para Supercopa e Superliga Feminina após regra que restringe atletas trans no vôlei
A jogadora Tifanny Abreu obteve uma liminar no TJ-RJ garantindo sua atuação pelo Osasco em torneios da CBV, como a Supercopa e a Superliga. A entidade, que havia barrado a atleta com base em nova regra que restringe torneios femininos ao sexo biológico, sofrerá multa de R$ 5 mil por jogo caso a impeça de atuar, além de ficar proibida de punir o clube. O juiz considerou a exclusão imediata prejudicial à carreira de Tifanny, que compete na categoria feminina desde 2017 após transição de gênero.
Tifanny Abreu conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para jogar competições da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Ela havia sido excluída pelo órgão da lista de atletas do Osasco com inscrição deferida. Um pedido de revisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) já tinha sido negado.
A decisão na Justiça comum permite que a ponteira atue inclusive na noite desta sexta-feira, 16, pela Supercopa, contra o Praia Clube. A participação na Superliga Feminina 2026/27 também foi permitida. O movimento judicial foi feito por Tifanny, representada pelo advogado Luiz Fernando Novaes, após a negativa da Justiça Desportiva.
O magistrado Antonio Luiz da Fonseca Lucchese entendeu que a exclusão imediata prejudicaria a carreira de Tifanny e que manter a atuação da atleta não traz um cenário inédito ou grave. Ele enfatiza, contudo, o caráter temporário tanto do processo no STJD quanto do TJ-RJ.
"A manutenção, por algumas semanas, da situação reconhecida pela própria ré durante quase uma década é medida menos gravosa do que a exclusão imediata e definitiva da autora antes de qualquer pronunciamento exauriente, seja da Justiça Desportiva, seja deste Juízo", escreveu o juiz.
A liminar não anula a nova regra da CBV, anunciada em consonância com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e com a Federação Internacional de Vôlei (FIVB). A norma determina que a prática dos torneios da categoria feminina seja exclusiva para as atletas que possuem o sexo biológico feminino.
A decisão judicial determina multa de R$ 5 mil para a CBV por partida em que Tifanny seja impedida de jogar. Ainda é definido que a CBV não pode aplicar sanções ao Osasco, como W.O, perda de pontos ou multas, pela atuação da jogadora.
Tifanny conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, única competição que teve liberação para jogar depois da implementação da nova regra pela CBV. Na última temporada, ela foi a única atleta transexual a participar da Superliga Feminina. A atleta concluiu a transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após receber permissão da FIVB.
Após passar pelo vôlei italiano, a oposta de 41 anos voltou ao Brasil e iniciou sua trajetória no Sesi-Bauru. Ela joga pelo Osasco desde 2021 e tem um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas, além de um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.