Tifanny vai à Justiça comum para disputar Supercopa e Superliga após veto da CBV
Tifanny Abreu e o Osasco recorreram à Justiça comum após a negativa da Justiça Desportiva para liberar a atleta nas competições nacionais. O pedido busca garantir a participação da jogadora na Supercopa e na Superliga 2026/27, após a CBV impedir sua inscrição com base na nova política de elegibilidade.
A jogadora trans Tifanny e o Osasco acionaram a Justiça comum para assegurar sua atuação na Supercopa e na Superliga após terem a liminar negada na Justiça Desportiva. O veto decorre de novas diretrizes da CBV, que exigem teste genético negativo para o gene SRY na categoria feminina. A defesa alega o direito ao exercício profissional e a falta de diálogo prévio sobre a regra, buscando autorização imediata para que a atleta continue competindo enquanto o mérito da nova política é julgado.
A jogadora Tifanny Abreu e o Osasco entraram na Justiça comum para tentar garantir a participação da atleta na Supercopa Feminina de Vôlei e na Superliga 2026/27. A decisão veio após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) não liberar a inscrição da oposta para as competições nacionais e a Justiça Desportiva negar o pedido de liminar apresentado pela defesa.
A situação ocorre em meio à implementação de uma nova política de elegibilidade da CBV, que restringe a participação nas competições femininas a atletas consideradas elegíveis segundo os critérios adotados pela entidade. A mudança afeta diretamente Tifanny, uma das principais jogadoras do Osasco e pioneira entre atletas trans na elite do vôlei brasileiro.
A defesa busca uma autorização provisória para que a atleta continue atuando enquanto o caso é analisado definitivamente. O pedido envolve tanto a Supercopa, disputada nesta sexta-feira (16), contra o Praia Clube, quanto a Superliga, cuja temporada começa nos próximos dias.
Entenda por que Tifanny foi impedida de jogar
O impasse começou após a CBV anunciar, em agosto, que adotaria novos critérios de elegibilidade para as competições femininas, seguindo uma política alinhada às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Pelas novas regras, as atletas precisam apresentar um teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. A comprovação da elegibilidade passou a ser exigida para a participação nos torneios nacionais abrangidos pela medida.
Com a mudança, a inscrição de Tifanny nas competições nacionais deixou de ser autorizada. No fim da tarde de quinta-feira (15), a CBV aceitou os registros das demais atletas do Osasco, mas manteve o da oposta pendente.
A situação colocou em risco a participação da jogadora em duas competições importantes para o clube. O Osasco havia conquistado o Campeonato Paulista na semana anterior e se preparava para disputar a Supercopa, além de iniciar sua campanha na Superliga.
Tifanny atua na principal divisão do vôlei brasileiro desde 2017 e defende o Osasco há várias temporadas. A atleta argumenta que vinha competindo regularmente e que a mudança nas regras não deveria impedir sua continuidade profissional de maneira repentina.
O que a defesa alega na Justiça?
O principal argumento apresentado pelos advogados de Tifanny é o direito de continuar exercendo a profissão. A defesa sustenta que a atleta já participava das competições e contribuiu diretamente para os resultados que garantiram ao Osasco a presença nos torneios desta temporada.
O advogado Luis Fernando Novaes também argumenta que uma nova regulamentação não deveria retirar automaticamente um direito que, segundo a defesa, vinha sendo exercido de forma regular. Para fundamentar o pedido, a equipe jurídica apresentou estudos técnicos e científicos relacionados à participação da jogadora nas competições.
Outro ponto levantado foi a falta de diálogo prévio entre a confederação, a atleta e o clube sobre a aplicação da nova política. Na avaliação da defesa, a mudança foi implementada sem uma discussão adequada sobre seus efeitos na carreira da jogadora.
Inicialmente, os representantes de Tifanny e do Osasco recorreram à Justiça Desportiva, por meio de um mandado de garantia acompanhado de pedido de liminar. A intenção era obter uma autorização imediata para que ela pudesse jogar enquanto o mérito da questão continuasse em análise.
Entretanto, o pedido foi negado pelo tribunal esportivo na manhã desta sexta-feira. Diante da decisão, a defesa levou o caso à Justiça comum e passou a buscar uma nova liminar.
Qual foi o resultado de recorrer?
Até a atualização das informações divulgadas nesta sexta-feira (16), a Justiça Desportiva havia negado a autorização provisória, enquanto o pedido apresentado à Justiça comum ainda aguardava decisão.
Na prática, a negativa inicial manteve o impedimento de Tifanny para as competições nacionais. A nova ação busca reverter temporariamente essa situação e permitir que a atleta entre em quadra enquanto a discussão jurídica prossegue.
O caso é especialmente urgente porque a Supercopa será disputada nesta sexta-feira, entre Osasco e Praia Clube, enquanto a Superliga está prestes a começar. Sem uma decisão favorável em tempo hábil, a jogadora corre o risco de ficar fora dos primeiros compromissos da temporada.
A disputa judicial também pode ter consequências que vão além dos próximos jogos. O julgamento definitivo poderá estabelecer como a nova política de elegibilidade será aplicada à atleta e quais serão os efeitos da regulamentação sobre sua continuidade nas competições organizadas pela CBV.
Enquanto aguarda uma resposta, Tifanny afirma que pretende lutar para continuar jogando e concluir sua carreira dentro das quadras. A oposta já declarou que deseja encerrar sua trajetória profissional com dignidade, depois de anos dedicados ao esporte.
O desfecho dependerá das decisões judiciais e da análise dos argumentos apresentados pelas partes. Por enquanto, a entrada na Justiça comum representa uma nova tentativa de garantir a participação da jogadora, mas não significa que a autorização para atuar tenha sido concedida.
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