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Serginho se emociona com retorno ao ginásio onde dormia

4 ago 2017
08h24
atualizado às 08h24
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Aos 41 anos e com dois títulos olímpicos no currículo, o líbero Serginho voltou a conviver com o nervosismo antes de entrar em quadra. Afinal, não era uma quadra qualquer. Foi no Ginásio da Ponte Grande, em Guarulhos, que ele iniciou a sua trajetória no vôlei. E também onde colaborou com a primeira vitória da história do time profissional do seu Corinthians - por 3 sets a 1 sobre o São José, na noite de quinta-feira, pela Copa São Paulo.

Após a partida, emocionado por ver as acanhadas arquibancadas do local lotadas, Serginho empunhou um microfone para discursar para os torcedores. "Muitas pessoas não sabem, mas, em 1993, eu dormia naquele cantinho ali", disse, apontando para o fundo da quadra. "Naquela época, eu tinha o sonho de me tornar jogador de voleibol. Hoje, retorno para cá para retribuir tudo o que essa cidade me deu", continuou, emocionado.

Paranaense do pequeno município de Diamante do Norte, Serginho levou familiares e amigos para o ginásio que marcou a sua carreira no dia em que realizou o sonho de defender o time do seu coração no futebol. Idealizado pelo técnico Alexandre Stanzioni e viabilizado por uma parceria entre o clube e a Prefeitura local, o Corinthians-Guarulhos encontrou no veterano líbero um perfeito garoto-propaganda.

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"Vivi várias finais, mas confesso que fiquei bem ansioso para esse jogo. Fiz a faculdade do voleibol nesse ginásio. Aqui, estão famílias, idosos, crianças, pessoas do bem, que gostam do nosso esporte, a Fiel… Tudo isso não tem dinheiro que pague. A minha sensação é dever cumprido. Só tenho a agradecer ao Sport Club Corinthians Paulista e à Prefeitura de Guarulhos", declarou.

A estreia realmente mexeu com Serginho. Último jogador a ter a escalação anunciada pelo locutor do ginásio, ele não se deixou levar pela euforia do público que o recebeu em quadra. Cumprimentou os seus companheiros com uma expressão sisuda, encarando com seriedade o confronto com o São José - embora a Copa São Paulo seja um mero triangular preparatório para o Campeonato Paulista, que inclui também o Sesi.

Vibrante a cada ponto conquistado, cobrando os seus companheiros nos desperdiçados, Serginho liderou vitórias tranquilas nas primeiras parciais, por 25 a 15 e 25 a 16. Entre um set e outro, chegou até a cerrar a mão e bater no peito, sobre o escudo do Corinthians, para agradecer a um grupo de torcedores organizados que chegava às arquibancadas.

"A gente está criando uma identidade. Já deu para ver que o nosso time é pesado, principalmente no bloqueio, e tem potencial. E ainda faltam o Sidão, que está machucado, mas já se recuperando, e mais dois jogadores de Seleção Brasileira", contabilizou Serginho, que chegou a dar um susto na torcida ao se chocar com o ponteiro Bruno e ficar caído em quadra no segundo set. "Mas aqui é Corinthians. Só vou sair se tiver um AVC."

O rendimento do Corinthians também caiu. Com uma derrota por 26/24 no terceiro set, quando desperdiçou um match point, o time de Guarulhos reagiu no seguinte e sacramentou o triunfo com outro 25/16. "A gente ainda vai perder, ganhar, brigar por títulos… Só que o importante mesmo é mexer com o orgulho do povo guarulhense. Essa é a minha segunda casa. Com passinhos de formiga, como foi organizar esse ginásio, colocando uma lâmpada depois da outra, formaremos o nosso time", afirmou Serginho.

O líbero só não sabe até quando estará em ação na Ponte Grande - curiosamente, o nome do ginásio é o mesmo do primeiro estádio da história do Corinthians. O fim da carreira se aproxima. "Não vou jogar por um bom tempo, não. Preciso viver também", sorriu Serginho, cujo próximo compromisso pela equipe de Guarulhos será às 12h30 de sábado, contra o Sesi, em Santo André. O jogo vale o título da Copa São Paulo.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva

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