Arma da Seleção de vôlei Sub-23, Gabi cogita mudança de posição no futuro
Destaque da Seleção Brasileira feminina de vôlei Sub-23, que disputa a partir deste sábado a primeira edição do Campeonato Mundial da categoria, Gabi convive com o desafio de superar a baixa estatura num esporte dominado por gigantes. Com 1,73m, a ponteira do Molico/Osasco sabe das dificuldades que terá para alcançar o time adulto e, por isso, não descarta uma mudança de posição no futuro.
"Eu sempre fui convocada para as seleções de base como ponteira, exceto no mundial infanto-juvenil. Se algum dia eu tiver que virar líbero para continuar jogando em alto nível, eu viro. Gosto de jogar no fundo de quadra", disse a atleta.
Gabi não é o único caso de atacante que foge às características do vôlei atual. Na Superliga, nomes como a pequena Elis, de 1,68m, do São Bernardo, e Thaisinha, de 1,74m, do São Cristóvão Saúde/São Caetano, também contrariam os padrões modernos ao se destacarem em meio às mais altas.
"Tudo é mais difícil para mim do que para a maioria das meninas. Se eu tivesse 20 centímetros a mais, é claro que teria muito mais facilidade de jogar. É uma superação. Mas atualmente acho que tenho condições de atuar em nível bem elevado, mesmo jogando como atacante", completou.
A ex-jogadora Leila é um exemplo de que a altura pode não ser um problema gritante. Com 1,79m, a medalhista de bronze em Sydney atuava como oposto e hoje lembra que o fato de ser baixa para o esporte sempre a perseguiu, mas não foi determinante para que ela se consolidasse entre os grandes nomes da modalidade.
Gabi atuou na estreia do Osasco na Superliga, contra o Maranhão. "Todo mundo falava da minha altura, mas, por ser canhota, consegui uma sobrevida no vôlei de alto nível. Quando era nova, até queria arrumar um tênis que me deixasse mais alta, mas aos poucos fui trabalhando a cabeça e aceitando essa limitação. O sentimento de vitória é até mais gostoso, porque você mostra aos outros que é capaz", disse a ex-atleta.
Leila reconhece que as dificuldades para a novata Gabi são maiores do que em seu tempo de quadras. Não apenas pela diferença de seis centímetros entre elas, mas porque o vôlei se tornou muito mais exigente hoje:
"O esporte mudou muito, mas acredito na capacidade das pessoas. Ela vai precisar se diferenciar. Eu treinava mais do que todo mundo. O importante é não deixar que a questão da altura se torne um fardo", disse Leila.
A Seleção Sub-23 está na cidade de Mexicali, no México, onde estreia contra Cuba neste sábado, às 23h (de Brasília). Um dos obstáculos que as jogadoras deverão enfrentar é a falta de entrosamento, devido ao pouco tempo de preparação, já que o campeonato acontece no meio da temporada dos clubes.
"Estamos juntas há uma semana. Nunca uma Seleção teve tão pouco tempo de treino. Tentamos nos comunicar o tempo todo para diminuir o impacto da falta de entrosamento. Eu, por exemplo, nunca joguei com a Ellen, que é a outra ponteira titular. Mas acho que nossa atitude vai fazer diferença", avaliou Gabi.
Sob o comando de Cláudio Pinheiro, assistente técnico de José Roberto Guimarães na Seleção principal, o time brasileiro terá como adversários no grupo B as seleções de Cuba, China, Quênia, Alemanha e Estados Unidos.
"Caímos em uma chave forte no Mundial. Eu destacaria a seleção da China que tem um grupo muito bem entrosado e conta com uma menina que até jogou o Grand Prix. Elas têm um conjunto forte. Os Estados Unidos também vão brigar por esse título", concluiu.