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Vitória da Espanha sobre a Argentina na Copa leva multidão às ruas de Madri

Não é à toa que, em português, a expressão "parece final de Copa do Mundo" é usada para descrever uma situação em que os nervos estão à flor da pele ou uma multidão unida por um mesmo objetivo. No domingo (19), na Plaza de Colón, no centro de Madri, foi possível comprovar que poucas coisas provocam tanta paixão em uma torcida quanto uma decisão de Mundial.

20 jul 2026 - 07h49
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Ana Beatriz Faria, correspondente da RFI na Espanha

Torcedores espanhóis comemoram a vitória sobre a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026, na praça de Cibeles, em Madri; seleção conquistou seu segundo título mundial masculino.
Torcedores espanhóis comemoram a vitória sobre a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026, na praça de Cibeles, em Madri; seleção conquistou seu segundo título mundial masculino.
Foto: © Paul Hanna / AFP / RFI

O calor intenso da tarde madrilenha não impediu o público de chegar cedo para garantir um bom lugar. Na batalha contra as altas temperaturas, valia de tudo: água para beber e borrifar no corpo, o tradicional leque espanhol, chapéu na cabeça e muito ânimo. Antes de a bola rolar, era só festa. Uma charanga, vinda de Toledo especialmente para acompanhar a final na capital, embalava a multidão e dava um charme ainda mais espanhol ao ambiente.

Os palpites apontavam quase todos na mesma direção: Espanha campeã. O placar, sim, variava. Havia quem apostasse em 2 a 1, mas também quem esperasse uma goleada. Era o caso de Enzo Reigada, de 10 anos, que viajou das Astúrias para Madri com parte da família. "Nesta Copa do Mundo, somos os favoritos e temos que ganhar". Questionado sobre o resultado da partida, não hesitou: "Quatro a zero. A Espanha ganha."

A tia de Enzo, Reme Nieves, também estava confiante, embora um pouco mais cautelosa. No intervalo, quando o placar ainda estava zerado, apostava em uma vitória por 2 a 0. Independentemente do resultado, porém, dizia que a viagem já tinha valido a pena pelo simples fato de viver aquele momento em meio à multidão. "O clima está muito bom, muito bom. Viemos hoje de manhã para assistir à final aqui em Madri. Somos do norte, das Astúrias. Está tudo bem, muito bem", contou.

Entre a confiança e a tensão

Com duas bandeirolas da Espanha na cabeça, uma bandeira envolvendo o corpo e o rosto pintado com listras vermelhas e amarelas, Laura Pérez não deixava nenhuma dúvida sobre a empolgação diante da possibilidade de ver a Espanha se tornar bicampeã mundial.

Ela fez questão de dizer que não escolheria nenhum outro lugar para acompanhar a decisão. "A Espanha me encanta. Acho que sempre houve muita energia e um clima muito bom. E eu nunca iria embora", afirmou.

Laura e os milhares de torcedores reunidos na Plaza de Colón, no entanto, tiveram de enfrentar momentos de muita tensão. Gol anulado de um lado, quase gol do outro. Os braços subiam, as mãos iam à cabeça e a multidão suspirava em uma desolação coletiva. Depois, ao som do grito de "sí, se puede" ("sim, é possível"), a esperança voltava a se espalhar pela praça.

No fim do tempo regulamentar, o argentino Enzo Fernández foi expulso. A partida seguiu para a prorrogação, e a explosão veio com o gol de Ferran Torres logo no primeiro minuto da segunda etapa do tempo extra.

A superioridade espanhola ficou evidente nas estatísticas. Foram 20 finalizações da Espanha, 12 delas na direção do gol, contra apenas duas da Argentina. A seleção argentina não acertou a meta espanhola nenhuma vez. Mesmo assim, nos últimos instantes, quase conseguiu empatar. Um susto final antes do alívio.

Festa de Colón a Cibeles

A catarse definitiva veio com o apito final. Depois de muita luta, a Roja, como é carinhosamente apelidada a seleção espanhola, sagrou-se campeã mundial de 2026. Foi o segundo título da história do país com a seleção masculina, após a conquista de 2010.

A festa tomou as ruas do centro de Madri. Torcedores surgiam de todos os lados e caminhavam em direção à emblemática Fuente de Cibeles, testemunha de tantas comemorações esportivas e escolhida mais uma vez como palco das grandes festas. A informal, que aconteceu no domingo, e a oficial, que será realizada nesta segunda (20). É lá que a Espanha vai receber a seleção que, nesta manhã, acordou com mais uma estrela.

Depois de viver a celebração nas ruas, Alba Carbonell quer estar no meio da multidão que receberá os campeões. Para ela, ver a seleção espanhola conquistar o Mundial foi uma experiência única e também uma espécie de segunda chance. "Foi muito emocionante assistir ao jogo em Madri, vendo as ruas cheias de pessoas torcendo pela mesma coisa ao mesmo tempo, sentindo essa alegria. Eu nem consigo explicar, porque nunca tinha visto as ruas de Madri assim", contou.

Alba era pequena quando a seleção espanhola conquistou o primeiro título mundial, em 2010, e guarda poucas lembranças daquela celebração. "Para mim, foi uma segunda oportunidade de reviver isso de forma mais intensa. Foi muito lindo. Estou até querendo ir para a comemoração que vai ter em Madri com os jogadores, vai ter até show. Estou muito, muito feliz."

O brasileiro Luis Iglesias, que também tem nacionalidade espanhola, conhece bem essa sensação. Ele ainda era criança quando o Brasil conquistou sua última Copa do Mundo, em 2002, e agora finalmente pôde viver de perto a festa de um título mundial.

"Está sendo uma loucura e uma emoção gigantesca, como se fosse o Brasil ganhando de novo. Eu tinha só 4 anos quando o Brasil ganhou a última Copa, em 2002. Nem lembro, não tenho nenhuma memória do que foi aquela festa. Hoje estou podendo ter esse gostinho do que é ganhar uma Copa do Mundo", afirmou. Depois de viver as comemorações na capital espanhola, Luis não esconde o sentimento de pertencimento: "Estou me sentindo mais espanhol do que nunca por poder participar da festa aqui em Madri".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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