Calotes e mercados alternativos: por onde andam os ex-técnicos portugueses do Vasco
Sá Pinto e Álvaro Pacheco deram a volta ao mundo desde que fracassaram no clube. Agora é a vez de Pedro Emanuel tentar a sorte
Técnico português em um clube chamado Vasco da Gama pode até fazer sentido pelas raízes da instituição. Mas o histórico dos que tentaram a sorte não é nada positivo até aqui. Afinal, Ricardo Sá Pinto e Álvaro Pacheco fracassaram em suas breves passagens por São Januário, em 2020 e 2024, respectivamente. Chegou a vez de Pedro Emanuel virar esse jogo e realizar um trabalho marcante para não se tornar um andarilho da bola como seus antecessores.
Mesmo o torcedor que acompanha de perto as notícias do futebol não deve saber o paradeiro das duas figuras que já assinaram a súmula pelo Vasco. Então, o Jogada10 desvenda este mistério e conta um pouco mais sobre como tem sido a vida de Sá Pinto e de Pacheco, envolta por calotes e muitas mudanças.
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Uma volta ao mundo
Ex-atacante de sucesso, Ricardo Sá Pinto já gostava de se aventurar pela Europa antes de assumir a equipe carioca, em outubro de 2020. O currículo indicava nove camisas diferentes em dez anos com a prancheta nas mãos. Além de Portugal, também passou por Sérvia, Grécia, Bélgica, Polônia e até Arábia Saudita.
Mas depois do dissabor de ser demitido do Vasco sem receber os dois meses de salários que lhe eram devidos, o treinador deu uma verdadeira volta ao mundo. Afinal, teve carimbos no passaporte em mais três continentes diferentes e uma porção de mercados alternativos. Seja na Ásia ou na África, Sá Pinto não entrou no segundo ano de trabalho. Mas é fato que colecionou três títulos entre as idas e vindas por Irã e Chipre.
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Mesmo assim, enfrentou os mesmos problemas financeiros e deixou o Esteghlal com uma carta aos torcedores em que criticava quase todo mundo no futebol do país do Oriente Médio - de adversários à diretoria.
"Enfrentei desafios que não podem mais ser ignorados - desrespeito por parte de alguns adversários, um sofrimento de oito meses sem compensação e decisões questionáveis de árbitros, oficiais e Comité Disciplinar (…) Lamentavelmente, esta situação tem exigido intervenção judicial, passo que nunca quis dar", explicou.
Hoje, Sá Pinto está de volta ao Chipre, onde treina o zagueiro brasileiro David Luiz no Pafos, também um dos maiores clubes do país. Nesta quinta-feira, aliás, saiu atrás na disputa por uma vaga na Liga Europa, após a derrota para o Hajduk Split, da Croácia.
Turbulência e má relação no Vasco
Quando chegou ao Vasco, aos 48 anos, o português vinha de um bom trabalho no Braga e acreditava que poderia tirar o time da zona de rebaixamento. Não conseguiu contar com a torcida, por ser ano de pandemia. E em menos de 60 dias, foi demitido, com apenas três vitórias em 15 partidas.
Aos poucos, os jogadores da época começaram a revelar que o treinador acumulou atritos com diversas lideranças do elenco, como Leandro Castán e Fellipe Bastos. As cobranças teriam sido acima do tom normal do vestiário. E questões extracampo também influenciaram, como a estrutura do CT e os atrasos salariais. Sá Pinto se defendeu alegando que, naquelas condições, não era possível entregar mais.
"Milagres, eu não faço. Tanto é, que o 'seu' Luxemburgo, que é uma pessoa super competente e com currículo enorme, não conseguiu fazer melhor. O problema de fato não era o treinador", comentou, posteriormente.
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Lista de clubes de Sá Pinto após o Vasco:
Gaziantep - 2022 (Turquia)
Moreirense - 2023 (Portugal)
Esteghlal - 2022-2023 (Irã)
Apoel - 2023-2024 (Chipre)
Raja Casablanca - 2024 (Marrocos)
Esteghlal - 2025-2026 (Irã)
Pafos FC - 2026 - (Chipre)
Boina também sofre calote
Já Álvaro Pacheco desembarcou na Colina em 2024, como último ato da 777 Partners, que controlava a SAF cruz-maltina. Sua passagem, no entanto, foi curtíssima: 30 dias e quatro partidas. Acabou dispensado já pela gestão de Pedrinho após levar de 6 a 1 do Flamengo. Ficou a sensação de "desilusão", como o mesmo definiu, de sua primeira e única passagem pelo Brasil.
O Boina, apelido que ganhou por causa de seu inseparável acessório, rumou de volta para Portugal, mas logo depois foi parar mesmo na Arábia Saudita, em época pré-investimentos bilionários. Aceitou o desafio de salvar o Al Orobah de uma queda de divisão, mas sete meses depois pediu o boné - ou a boina - por falta de pagamentos, além de outras promessas não cumpridas.
Após um ano desempregado, assinou com o Casa Pia em janeiro deste ano. O time ficou na 16ª posição no Campeonato Português, e Pacheco deixou o clube ao fim da temporada em comum acordo. Hoje, está no mercado à procura de um novo destino.
Primeiro português no Vasco é de 1946
Oitenta anos atrás, o Vasco teve a primeira experiência com um português à beira do campo. Tratava-se de Ernesto dos Santos, que foi contratado após um anúncio de jornal atrair candidatos à vaga de técnico. No entanto, a exemplo de seus dois sucessores recentes, durou muito pouco - somente três meses.
De lá para cá, o Cruz-Maltino só teve contato com suas origens com alguns poucos jogadores, como o meio-campo Dominguez, de passagem discreta em 2006. E veio a ter mais sucesso com o atacante Nuno Moreira, que compõe o atual elenco, é titular e já marcou 13 gols em um ano e meio.
Desafios de Pedro Emanuel
Agora, cabe ao quarto português no comando do Vasco dar um capítulo digno à história entre o clube e o país. Pedro Emanuel chegou há duas semanas, já encarou dois jogos, sofreu uma derrota para o Vitória, pelo Brasileirão, e conquistou um empate com o Independiente Medellín, pela Copa Sul-Americana.
No sábado, às 20h30, ele tem o Mirassol pela frente, em sua estreia em São Januário. Pedro Emanuel assinou contrato até o fim de 2027.
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