Uefa abandona ameaça de boicote à Fifa, mas eleva pressão sobre entidade
Órgão mundial confirmou que deixou de lado controverso projeto
A Uefa cancelou a ameaça de boicote às competições da Fifa após o recuo definitivo no projeto de venda de direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. Apesar disso, a entidade europeia intensificou a pressão pela saída do presidente Gianni Infantino, acusando-o de abuso de poder. Em decisão unânime, a federação afirmou que buscará reformas institucionais e apoiará uma candidatura de oposição na próxima eleição presidencial da Fifa.
A Uefa revelou nesta quinta-feira (27) ter abandonado os planos de boicotar os torneios organizados pela Fifa, mas manteve firme a pressão pela saída de Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol mundial.
A decisão da associação europeia foi tomada após uma reunião em Mônaco com as federações que integram a Uefa, realizada paralelamente ao sorteio dos confrontos da fase de liga da Champions League.
"A Fifa confirmou que o projeto Fifa Forward Enterprise foi retirado 'de maneira irrevogável e definitiva' e que 'não voltará a surgir sob nenhuma outra forma, estrutura, denominação ou aparência'. A Uefa aceitou, portanto, suspender, em caráter provisório, a retirada das equipes europeias das competições da Fifa para a próxima temporada", explicou a confederação em comunicado.
A queda de braço entre Uefa e Fifa começou após o dirigente ítalo-suíço revelar um projeto que permitiria a venda de parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. Na visão dos europeus, o plano revelou "uma profunda falta de discernimento, um abuso de poder presidencial e uma concepção de liderança incompatível com os deveres do cargo mais alto do futebol mundial".
Os participantes da cúpula em Mônaco deram um mandato unânime ao presidente e aos órgãos diretivos da Uefa para "buscar todas as vias institucionais, políticas e jurídicas necessárias para garantir uma reforma fundamental, restaurar limites adequados à autoridade presidencial e assegurar que a Fifa volte a ser governada como uma instituição, em vez de girar em torno de um único indivíduo".
"A confiança necessária para a presidência da Fifa foi destruída e não pode ser restaurada apenas com a retirada de uma proposta ou por meio de garantias e promessas de reformas. Caso o atual presidente concorra a outro mandato, a Uefa se unirá a confederações parceiras para garantir que uma alternativa credível seja oferecida, uma alternativa baseada em integridade, responsabilidade, desenvolvimento e uma mudança institucional genuína", diz a nota. .
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