Calote em Djokovic é síntese da falta de confiança nos governos, diz Guga
Em evento promocional no Rio de Janeiro, o ex-tenista comentou a falta de pagamento ao astro sérvio por parte do governo do Estado, após jogo de exibição com o próprio brasileiro, em 2012
Maior tenista de todos os tempos do Brasil, Gustavo Kuerten ainda não se conforma com o calote por parte do governo do Estado do Rio de Janeiro, que ainda não quitou o cachê da partida exibição do sérvio Novak Djokovic, em que o brasileiro participou em novembro de 2012, no Ginásio do Maracanãzinho.
Na opinião do ex-tenista, que participou de um evento promocional de uma marca de relógio em um shopping na zona sul da capital fluminense, nesta quarta-feira, a falta de pagamento, mais de um ano após a realização do evento, é uma espécie de síntese da falta de confiança que todos os brasileiros têm, de uma forma geral, com o poder público.
"É triste ao extremo. Vejo que é uma falta de respeito com ele nesse caso. E é uma consequência para o Estado, para o País, e para as pessoas que vêem isso sendo feito de certa forma todos os dias. A auto-estima e alegria do brasileiro está sendo aniquilada por essa falta de respeito", disse o ex-número 1 do ranking da ATP e três vezes campeão de Roland Garros.
"É triste nesse caso à parte para mim por eu conhecer o Djokovic, por ele ser um tenista, mas a gente convive com tudo isso todos os dias. A gente sai de casa e vai sendo agredido pelo governo quase que de forma integral", completou Guga.
O caso veio à tona no final do mês passado, quando o ex-jogador de futebol Petkovic, também sérvio e cuja empresa organizou o evento em parceria com o governo do Estado do Rio de Janeiro, deu a informação de que apenas 40% do cachê do então número um do mundo na ocasião tinha sido quitado.
O valor estaria estimado em R$ 1,6 milhão. A secretaria de Esporte do Rio explicou no final do mês que o pagamento da dívida está "na programação do orçamento". Guga venceu a partida de exibição por 2 sets a 0. "Esse valor deve ser de uma hora de orçamento do mês do Estado", ironizou Guga.
"Até acho que ele estava sendo elegante em manter na espera para tentar ainda receber. Não só pelos valores, mas é o compromisso de estar fazendo uma partida que foi sensacional. O cara número 1 do mundo se sensibilizar para vir ao Brasil. Foi um espetáculo", complementou.
A frustração com o caso do ex-colega de profissão, na opinião de Guga, "traz uma frustração e um cuidado maior da próxima vez. Aquela equipe (dos Jogos de ) 2016 durou oito meses e o projeto terminou. É um desafio para o Brasil essa insegurança institucional, e o esporte é muito refém desse aporte. Não tem muito para onde correr. Eu procuro fugir o máximo possível disso".