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Técnico de Marrocos não se deixa abalar por falta de experiência em nível internacional

7 jul 2026 - 23h15
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O técnico de Marrocos, Mohamed Ouahbi, ‌já foi campeão da Copa do Mundo, mas nas categorias de base, e agora ele está trilhando um novo caminho na seleção principal, enquanto sua equipe se prepara para enfrentar a França nas quartas de final nesta quinta-feira.

Tem sido uma trajetória notável para o técnico de 49 anos, nascido na Bélgica de pais marroquinos, e mais um exemplo ⁠da riqueza de talentos que o país norte-africano pode aproveitar da diáspora.

Ouahbi foi técnico da ‌seleção marroquina que venceu a Copa do Mundo sub-20 no último mês de outubro, no Chile, eliminando, ironicamente, a França nas semifinais.

O sucesso o tornou um possível candidato ‌para substituir Walid Regragui quando o técnico de Marrocos ‌deixou o cargo após a Copa Africana das Nações, em janeiro, mas esperava-se ⁠que Ouahbi, de 49 anos, estivesse mais abaixo na lista de opções.

A falta de experiência como técnico principal pesava contra ele, mas Ouahbi conseguiu o cargo e, desde então, provou que aqueles que duvidavam de sua capacidade de fazer a transição das categorias de base para o time adulto estavam errados.

Ouahbi é natural de Schaerbeek, subúrbio industrial a ‌nordeste de Bruxelas, e aos 21 anos, começou como técnico da categoria sub-9 do Anderlecht. ‌Ele foi sendo promovido até ⁠se tornar assistente ⁠do ex-jogador da seleção albanesa Besnik Hasi em 2016.

Mas essa passagem foi curta e, quando Hasi foi ⁠demitido, Ouahbi voltou para as categorias de ‌base, trabalhando com talentos do Anderlecht ‌como os atuais jogadores da seleção belga Jérémy Doku e Youri Tielemans, além de Bilal El Khannouss, que atua no meio-campo de Marrocos.

"Devo dizer que ele não era apenas um bom técnico de base, mas também um homem de valores ⁠e princípios sólidos", disse Jean Kindermans, que foi responsável pelas categorias de base do Anderlecht por anos, à imprensa belga.

Ouahbi deixou o clube em 2021, após 17 anos. "O Anderlecht teve muitos grandes jogadores formados por Mo, que seguiram para ter carreiras brilhantes no exterior", escreveu o Anderlecht em uma homenagem.

Ele ‌se juntou ao Al-Fateh, da Arábia Saudita, no qual atuou como assistente técnico do ex-colega de Anderlecht, Yannick Ferrera, antes de, há quatro anos, ingressar na federação marroquina ⁠e assumir o comando das categorias de base.

"Ele é um motivador incrivelmente bom", acrescentou Kindermans.

"Acho que esse é um dos seus pontos fortes hoje em dia: lidar com todas essas superestrelas, algo que ele mesmo nunca foi como jogador. Para conquistar o respeito delas, é preciso haver algo como motivação, e isso é algo de que ele é capaz."

A partida das quartas de final desta quinta-feira será o 11º jogo de Ouahbi no comando desde sua contratação em março. Marrocos venceu seis e empatou quatro das dez partidas anteriores, uma sequência invicta que o fez ser aclamado pelas mudanças táticas que melhoraram a equipe.

"Ele mantém seu próprio estilo de jogo e não se deixa ditar pelo adversário. Agora, quando Marrocos joga, temos nossa própria identidade", disse o ex-jogador da seleção Youssouf Hadji, um dos assistentes técnicos da equipe.

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