Senegal conquista segundo título da Copa Africana de Nações após final dramático e caótico contra o Marrocos
Ao fim de uma final disputada, no domingo (18), o Senegal venceu o Marrocos por 1 a 0 e conquistou a segunda Copa de sua história na Copa Africana das Nações (CAN) de futebol masculino. A partida, porém, também ficará marcada por momentos insólitos após a decisão do árbitro de assinalar um pênalti para o Marrocos a poucos segundos do fim do tempo regulamentar. Em protesto contra a decisão da arbitragem, os senegaleses decidiram abandonar o gramado.
Ndiasse Sambe, enviado especial da RFI a Rabat
Foi preciso muita força para vencer o Marrocos, em casa, apoiado por quase 65 mil torcedores. E, sobretudo, após a decisão da arbitragem que poderia ter decidido o destino da partida. Um apito do árbitro congolês Jean-Jacques Ngambo Ndala ficará (ou não) para a história. Em todo caso, permanecerá na memória dos senegaleses, que, por alguns minutos, viram a Copa escapar de suas mãos. Antes de o destino virar a mesa.
"Será preciso uma seleção do Senegal muito forte para nos vencer em casa", havia alertado o treinador do time marroquino, Walid Regragui.
Senegaleses deixam campo em protesto
Nunca é um bom sinal quando o árbitro se torna o principal protagonista de uma partida. E a decisão de marcar um pênalti para o Marrocos a poucos segundos do fim de um jogo que transcorria sem grandes incidentes foi decisiva. Ela provocou a ira dos jogadores senegaleses, de seus torcedores, dos jornalistas presentes e provavelmente abalou a relação considerada fraterna entre Marrocos e Senegal. A indignação foi justificada?
Foi uma falta de El Hadji Malick Diouf, que puxou Brahim Díaz pelos ombros em um duelo após escanteio, que desencadeou o escândalo. Pelos replays, a decisão não é necessariamente absurda. O escândalo talvez esteja no fato de que, alguns minutos antes, quando o Senegal abriu o placar também em cobrança de escanteio, o gol foi anulado por uma falta de Seck sobre Hakimi.
De qualquer forma, sob a liderança de Pape Thiaw, os senegaleses se recusaram a reiniciar a partida e voltaram momentaneamente para o vestiário. Quando todos retornaram ao gramado, Brahim Díaz foi para a cobrança diante de Édouard Mendy. O que teria passado pela cabeça do jogador do Real Madrid para tentar um pênalti em estilo cavadinha — mal executado, diga-se de passagem — quando tinha a chance de dar a Copa ao seu país e se tornar o herói do Marrocos? Tudo isso enquanto torcedores senegaleses tentavam invadir o campo e arremessar objetos, sendo contidos pelas forças de segurança.
O autor de cinco gols nesta CAN mandou o pênalti direto nas mãos de Mendy. E permitiu que o Senegal sobrevivesse até a prorrogação com o placar ainda em 0 a 0.E a vitória só seria ainda mais bonita, sobretudo porque Pape Gueye derrubou os marroquinos e silenciou todo o estádio ao abrir o placar com uma arrancada concluída com um chute indefensável no ângulo de Bono ainda no primeiro tempo da prorrogação.
Senegal permaneceu forte
Os senegalenses não tinham mais nada a perder, e a final assumiu contornos delirantes, com o Marrocos indo para o tudo ou nada, atacando de todas as formas.
As duas equipes ainda tiveram muitas chances de marcarn, mas pararam nas boas atuações dos goleiro Bono e Mendy.
O Senegal venceu porque soube, de forma heroica, manter a vantagem, apoiado pela experiência de Sadio Mané, Édouard Mendy e Gana Gueye, mais uma vez gigantesco em campo.
A seleção senegalesa demonstrou uma maturidade ao longo do campeonato, cujo ápice foi a final. E isso apesar da ausência do capitão Kalidou Koulibaly (suspenso) e de Krépin Diatta, cortado a poucos minutos da decisão.
O Marrocos, implacável nas quartas contra Camarões e que apagou a Nigéria na semifinal, foi incapaz de encontrar seu jogo contra um Senegal que venceu a batalha da posse de bola. Incontestavelmente, foram as duas melhores equipes do torneio — e da África — que se enfrentaram neste domingo.