Seis curiosidades sobre a Copa do Mundo de 2026
Mais jogos, mais times, mais deslocamentos: Estados Unidos, Canadá e México vão sediar o maior mundial de futebol da história, com a participação de 48 seleções. A DW destaca seis mudanças na próxima edição do torneio.Em dez dias, Estados Unidos, Canadá e México receberão a maior e mais longa Copa do Mundo da história do futebol. No entanto, os atritos entre os anfitriões, os custos de ingressos e as longas distâncias para acompanhar o torneio pressionam a Fifa e o governo americano. Até mesmo possíveis violações de direitos humanos e restrições de viagem já viram desafio para as seleções em um evento que rompe com modelos anteriores em diversos níveis.
O Brasil estreia no dia 14 de junho, contra o Marrocos. Abaixo, a DW lista seis novidades dessa edição do torneio.
1. Três países como anfitriões conjuntos
Normalmente, a Copa do Mundo é um evento sediado por um único país. A Copa de 2002 inovou quando Japão e Coreia do Sul - duas nações que nem sempre tiveram uma relação fácil - se uniram para sediar o torneio.
A Copa de 2026 vai além: Estados Unidos, Canadá e México serão anfitriões. Embora esses países geralmente mantenham boas relações, os laços dos EUA com Canadá e México ficaram mais tensos desde o início do segundo mandato do presidente americano, Donald Trump.
Suas ameaças de anexar o Canadá como o "51º" estado americano e a imposição de tarifas punitivas azedaram o clima entre dois aliados historicamente próximos. As relações dos EUA com o México também se deterioraram por vários motivos, incluindo as ameaças de Trump, ainda que tácitas, de usar força militar para combater cartéis de drogas que operam no México.
2. Mais times, mais jogos
Gostando ou não, a decisão de expandir a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções foi ousada por parte do presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Mais equipes significa muito mais jogos: serão 104 partidas, contra 64 na Copa de 2022 no Catar . Isso também implica em 12 grupos de quatro times, em vez de oito. Foi adicionada uma fase extra de mata-mata - com 32 times - para reduzir o número de equipes até a final, marcada para 19 de julho em Nova Jersey.
A partida decisiva será disputada no 39º dia do torneio, dez dias a mais do que a duração da Copa de 2022.
Mais seleções também significou mais chances de países chegarem à Copa do Mundo pela primeira vez. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão farão suas estreias.
3. Pausas obrigatórias para hidratação
Embora as pausas para hidratação não sejam novidade no futebol, a Fifa anunciou que todos os jogos da Copa de 2026 terão duas pausas programadas, independentemente das condições climáticas. Os árbitros deverão interromper as partidas aos 22 minutos de cada tempo para que os jogadores se reidratem.
Antes, as pausas só eram obrigatórias aos 30 minutos quando a temperatura no início do jogo ultrapassasse 31 °C. A mudança ocorre devido a preocupações com altas temperaturas esperadas em algumas cidades-sede, como aconteceu no Mundial de Clubes.
Outra diferença é que emissoras poderão cortar a transmissão das partidas para exibir comerciais durante essas pausas de três minutos. Na prática, divide os jogos em quatro períodos - assim como acontece em dois dos esportes televisivos mais populares dos Estados Unidos, o basquete e o futebol americano.
4. Preocupações com direitos humanos
Um relatório divulgado pela Anistia Internacional em março alertou que a Copa do Mundo representa "riscos e impactos significativos para torcedores, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais".
O documento é especialmente crítico em relação aos EUA, que sediarão a grande maioria das partidas. Ele descreve a situação no país como uma "emergência de direitos humanos" e aponta o que chama de um "padrão reconhecível de práticas autoritárias". O relatório expressa preocupação particular com a atuação de agentes de imigração do ICE destacados para alguns estados.
A Anistia também observou, entre outros pontos, que o México mobilizou 100 mil agentes de segurança, incluindo militares, em resposta aos altos níveis de violência no país.
No caso do Canadá, o relatório citou temores de que pessoas em situação de rua possam ser ainda mais marginalizadas, especialmente nas cidades-sede de Vancouver e Toronto, além de restrições impostas ao direito à liberdade de reunião pacífica.
5. Altos custos de viagem e ingressos
As grandes distâncias envolvidas tornam as viagens caras até mesmo para torcedores dos EUA. Os locais mais distantes entre si são Vancouver e Miami - 4.507 quilômetros.
Não é a primeira vez que uma Copa do Mundo ocorre em uma área geográfica tão ampla, mas as distâncias que equipes e torcedores terão de percorrer em 2026 serão um choque após o evento no Catar, em 2022, e ultrapassam as registradas no Brasil, em 2014.
Os locais mais distantes entre si são Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, separados por 4.507 quilômetros. O Brasil vai percorrer pouco mais de 2 mil quilômetros entre os jogos das fazes de grupos. Já países como a Alemanha, por exemplo, terão de viajar mais de 2,6 mil quilômetros apenas nesta fase, rodando de Houston (EUA) para Toronto (Canadá) e depois para Nova Jersey (EUA).
Além da distância, os preços dos ingressos são tão controversos que a organização de torcedores Football Supporters Europe (FSE) entrou com uma ação contra a Fifa junto à Comissão Europeia por "preços excessivos" das entradas. Com um mês para a partida de abertura, em 11 de junho, os ingressos para a maioria dos jogos da fase de grupos ainda estavam à venda ao público geral. Os mais caros para a estreia dos EUA contra o Paraguai, em Los Angeles, estavam listados a 4.105 dólares (R$ 20,7 mil).
O próprio site de revenda da Fifa, o Fifa Marketplace, anunciou recentemente ingressos para a final por mais de 2 milhões de dólares cada (R$ 10 milhões).
O presidente da entidade, Gianni Infantino, defende a política de preços, citando o pequeno número de ingressos mais baratos disponibilizados a torcedores fiéis das seleções por meio de suas federações. Falando em Los Angeles, Infantino afirmou que os custos refletem simplesmente a demanda em um mercado caro.
"E se alguém comprar um ingresso para a final por 2 milhões de dólares, eu pessoalmente levarei um cachorro-quente e uma Coca-Cola para garantir que ele tenha uma grande experiência", prometeu.
6. A questão do Irã e restrições de viagem
O Irã se classificou para sua sétima Copa do Mundo, mas desde o início sua participação se tornou problemática. O país é um dos quatro classificados cujos cidadãos enfrentam proibições totais ou parciais para viajar aos Estados Unidos, onde todos os seus jogos da fase de grupos serão disputados. Pelo decreto executivo de Trump, as seleções, seus treinadores e equipes de apoio estão isentos, mas isso não se aplica a dirigentes da federação iraniana.
No início deste ano, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra o Irã, após a qual a federação iraniana ameaçou "boicotar" suas partidas nos EUA. Trump afirmou depois que, "por sua própria vida e segurança", não seria apropriado que o Irã participasse do torneio. Agora, o México concordou com um acordo pelo qual a seleção ficará baseada no país, viajando apenas para cruzar a fronteira em seus dois jogos em Los Angeles e no terceiro, em Seattle.
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