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Júlio Casares é acusado de gestão temerária em ação que pede para expulsá-lo do São Paulo

Documento protocolado por conselheiros cita reprovação das contas de 2025, afastamento, renúncia e investigação no MP-SP

10 abr 2026 - 16h09
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Conselheiros do São Paulo protocolaram uma representação contra o ex-presidente Júlio Casares na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. É pedida a expulsão de Casares por gestão temerária, a partir da reprovação das contas de 2025 do clube.

Representantes legais de Casares foram procurados pelo Estadão sobre o tema, mas não responderam até o momento de publicação deste texto, que será atualizado se houver resposta.

O balanço financeiro de 2025 foi reprovado por 210 votos contra 24 e três abstenções. O principal motivo é o apontamento, feito pela auditoria independente, de R$ 7 milhões sacados pela presidência sem comprovação de finalidade.

"A realidade é objetiva, documentada e constrangedora: a gestão do Sr. Júlio César Casares rompeu, de forma reiterada, com os mais elementares deveres de legalidade, transparência e responsabilidade, convertendo o que deveria ser administração em um verdadeiro experimento institucional de alto risco — e com prejuízo concreto ao clube", argumenta a ação.

Agora, a Comissão de Ética analisa se abre investigação contra o ex-presidente. Se o processo seguir, o grupo ainda avalia se acata todas as acusações da representação. Como alternativa à expulsão, também é sugerida pena de suspensão por até 270 dias.

O caso é semelhante ao processo que expulsou Douglas Schwartzmann e Mara Casares. Eles também tiveram votada suspensão em paralelo à expulsão, aprovada nesta quinta-feira. Os dois são acusados de um esquema de uso irregular de camarotes no MorumBis.

No âmbito policial, Júlio Casares ainda será intimado a prestar depoimento à força-tarefa do MP-SP e da Polícia Civil que investiga suspeitas envolvendo o São Paulo. São analisados o caso do camarote, irregularidades no clube social e saques da presidência.

Esse último ponto é elemento em comum com a reprovação das contas de 2025. A Polícia Civil levantou suspeita sobre R$ 11 milhões sacados. No balanço, R$ 4 milhões tiveram destinação clara.

A defesa de Casares diz que os demais valores (R$ 7 milhões) não foram usados pelo ex-presidente e constam como "ações promocionais, alocadas nas movimentações financeiras em jogos e constantes da pasta contábil 'adiantamentos em jogos'".

A Frente Democrática em Defesa do São Paulo, grupo que reúne conselheiros e sócios e que atua no pedido de expulsão de Casares, espera formalizar novos pedidos de análise na Comissão de Ética. O ex-diretor de futebol Carlos Belmonte e o ex-diretor social Antônio Donizete (conhecido por Dedé) devem ser citados.

Estadão
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