Como o caos político do São Paulo ultrapassa os bastidores e afeta o campo: 'Ano mais difícil'
Derrota para o Mirassol e desabafo de Luciano são continuidade das dificuldades que já eram encaradas na temporada de 2025
A derrota por 3 a 0 para o Mirassol é um sintoma do São Paulo. O clube vive crise política e está no centro de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
O cenário difícil, porém, se constrói desde a temporada passada, marcada por austeridade no futebol são-paulino. A crise financeira abriu margem para desentendimentos políticos e perda de apoio do presidente Júlio Casares.
"Vou ser sincero: a gente pede apoio da torcida, porque, como ano passado, este ano acho que vai ser mais difícil. Peço para o torcedor não abandonar o time, com eles somos mais fortes. A temporada será difícil, só peço que o torcedor não abandone esse clube", desabafou Luciano após o revés no domingo.
"Nossa equipe não fez um bom jogo, a gente tomou gols muito fáceis, erros do ano passado. A parte política vou deixar para o outro pessoal falar. Tentamos não deixar isto interferir e deixo para outras pessoas falarem", completou.
Entretanto, a parte política já afetava o campo desde os "erros do ano passado". Luiz Gustavo, que deixou o clube após o fim do contrato em 2025, já havia desabafado, depois da goleada por 6 a 0 para o Fluminense, pelo Brasileirão.
"O dia de hoje não é por acaso. O São Paulo é uma instituição que eu aprendi a amar, a respeitar. Mas, infelizmente, temos de começar a falar a verdade. As pessoas têm de vir, começar a assumir algumas situações que nós estamos aqui fora, botando a cara. A culpa é nossa, nós jogadores fizemos a m..., desculpa a palavra. Mas eu acho que esse clube é muito grande. Está na hora de ter uma direção, um plano claro", disse o jogador.
Esse jogo foi o marco para a saída de Carlos Belmonte e Nelson Marques Ferreira do departamento de futebol. Ambos são citados no inquérito que investiga supostos desvios dos cofres do São Paulo.
O técnico Hernán Crespo reconhece que é um esforço manter o time longe da crise. "No aspecto político, é um momento muito sensível. Tenho a obrigação de cuidar e proteger o time, que é o São Paulo. No final do dia, o São Paulo é maior que todos nós juntos. Meu trabalho é tentar proteger o time, tentar proteger o São Paulo", comentou após a derrota para o Mirassol.
Enquanto isso, o departamento de futebol tenta buscar reforços. O time já teve anunciadas as chegadas de Danielzinho, Coronel e Doria. A antecipação da vinda de Lucas Ramon, do Mirassol, não foi possível por questões financeiras.
Já em âmbito de saídas, há um negócio por Rodriguinho. O meia de 21 anos deve ir para o Red Bull Bragantino. A transferência, porém, anda devagar e só vem após uma tentativa frustrada de negociação com o Botafogo.
Na quinta-feira, o São Paulo estreia em casa na temporada. O time recebe o São Bernardo, pela segunda rodada do Paulistão. O jogo será um dia antes da votação de impeachment de Júlio Casares.
Por enquanto, se houver, no mínimo, 191 votos (75% dos conselheiros), Casares é afastado provisoriamente. Em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples. As regras podem mudar a partir de uma ação judicial sobre o processo.