Casares processa o São Paulo por expulsão e cita premiações e títulos para justificar saques
Ex-presidente, expulso por gestão temerária, tenta reversão na Justiça; valores ainda são investigados por força-tarefa do MP-SP e da Polícia Civil
O ex-presidente do São Paulo, Júlio Casares, acionou a Justiça para anular sua expulsão do clube, alegando perseguição política e negando gestão temerária. Alvo de investigações por R$ 11 milhões em saques não comprovados e uso irregular de cartão corporativo, o ex-mandatário sustenta ter agido de boa-fé e justifica que as retiradas em dinheiro serviram para pagar premiações de títulos da equipe. O processo busca comprovar a lisura de suas contas, enquanto o clube optou por não se manifestar.
Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo, processa o clube para tentar anular sua expulsão, definida no começo de setembro. O ex-dirigente alega ter sido alvo de uma "trama política", nega gestão temerária e justifica saques feitos de contas são-paulinas para o pagamento de premiações por títulos. Procurado pelo Estadão, o clube não se manifestou.
Casares argumenta na petição que não houve gestão temerária, motivo pelo qual foi expulso. Ele aponta que as prestações de contas entre 2021 e 2024 foram aprovadas. A ação conclui que o ex-presidente teve ações de "boa-fé" e que decisões técnicas e classificações contábeis eram responsabilidade de departamentos especializados e não apenas do ex-mandatário.
O pedido é para que a Justiça reconheça a ausência de gestão temerária, referende a prestação de contas do cartão corporativo e cobre do São Paulo documentos que comprovem gestão temerária e desvios de recursos. O processo foi revelado pela ESPN e confirmado pelo Estadão.
A expulsão de Casares teve 224 votos a favor, dois contra e cinco abstenções no Conselho Deliberativo. A Comissão de Ética havia recomendado a aprovação, citando R$ 11 milhões sacados durante a gestão Casares e uso indevido do cartão corporativo.
O valor foi monitorado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e virou alvo de uma força-tarefa entre Ministério Público de São Paulo e Polícia Civil, com investigação ainda em curso. Do todo, R$ 7 milhões ficaram sem destinação comprovada.
O uso do cartão corporativo chegou a cerca de R$ 1 milhão, dos quais somente pouco mais da metade (R$ 506,4 mil) foi reembolsado para o clube.
Na nova ação, Casares diz que os R$ 11 milhões sacados são "uma parcela pequena" em relação ao volume movimentado pelo clube. Ele voltou a citar pagamentos de premiações por títulos. É citada uma fala de Rafinha, atual diretor executivo do clube, em sua apresentação, quando confirmou "ser comum" receber premiação em dinheiro vivo.
No período em que Casares foi presidente são-paulino, o São Paulo foi campeão pela primeira vez da Copa do Brasil (2023) e da Supercopa Rei (2024). Ainda foram conquistados o Paulistão (2021) e a Copinha (2025). A petição ainda cita o vice-campeonato na Sul-Americana de 2022.
Não é a primeira vez que Casares diz ser alvo de uma trama política. Em meio ao processo interno na Comissão de Ética, o ex-presidente alegou ter sofrido um "processo de exceção" e que teve o direito de defesa "cerceado" por não conseguir documentos para compor sua representação. Por isso, ele sequer compareceu à reunião da Comissão de Ética em que teria a oportunidade de apresentar sua defesa.
O relatório final rebate essa ideia. "Os autos registram o fornecimento de grande quantidade de material, entre o qual documentos financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, política de utilização de cartão corporativo e faturas referentes a diversos exercícios. A própria defesa reconheceu posteriormente ter recebido documentação anteriormente requisitada, passando a formular novos pedidos", diz um trecho.
Júlio Casares presidiu o São Paulo entre 2021 e janeiro de 2026. Ele deixou o cargo por renúncia, mas já estava afastado após o Conselho Deliberativo aprovar seu impeachment. O processo ainda requeria uma assembleia de sócios, que não foi necessária. Na Justiça, ele já tentou anular as investigações em curso pela força-tarefa do MP-SP e da Polícia Civil, mas não obteve sucesso até aqui.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.