Candidato são-paulino espera desistência de Juvenal e fala em golpe
- Allan Farina
O presidente Juvenal Juvêncio está no comando do São Paulo desde 2005 e prepara-se para disputar sua terceira disputa consecutiva. Uma segunda reeleição vai contra o estatuto do clube, mas o dirigente pode conseguir participar do pleito por meio de manobra jurídica junto ao conselho deliberativo.
A postura de Juvenal inflamou a oposição do São Paulo, até então "acomodada". Esta é a análise feita pelo candidato contrário ao atual mandatário, Edson Francisco Lapolla, em entrevista exclusiva ao Terra.
Para o são-paulino, Juvenal ainda mudará seu modo de pensar e desistirá da terceira eleição consecutiva. "Tenho certeza absoluta de que ele não será candidato novamente. Uma hora vai cair a ficha", afirmou o candidato.
Para Lapolla, a manobra realizada pela situação constitui um "golpe" contra o estatuto do clube, que proíbe um terceiro mandato seguido. Apesar de admitir que uma vitória de Juvenal em eleição é provável, o candidato aponta que atual presidente não é unanimidade no São Paulo, uma vez que sua imagem está desgastada e prejudica o próprio clube.
"Há um desgaste natural. E ele preparou pessoas para assumir, pessoas que estão magoadas porque achavam que seriam indicadas", explica Lapolla.
Confira a entrevista com Edson Francisco Lapolla:
Terra: Sua candidatura à presidência do São Paulo surgiu como uma resposta à tentativa de terceiro mandato do Juvenal e também a sua postura. Você acha que há alguma chance de vitória?
Edson Francisco Lapolla: Nosso primeiro objetivo é de tentar barrar a reeleição, porque isso vai contra a história do São Paulo. Não vemos a necessidade de ter essa mancha na história do clube. A torcida e os associados são contra isso. Então nos posicionamos. Primeiro, em dezembro, emitimos uma carta aberta agradecendo o trabalho do Juvenal, mas que não tentasse isso. Ele tenta na Justiça e nossa candidatura surgiu em caráter de protesto, mas devido aos apoios, vamos continuar batalhando. Temos amigos que nos apoiam e temos que dar satisfação.
Foram muitas vitórias consecutivas. Temos exemplo no futebol brasileiro de clubes que, após muitas vitórias dentro de campo, encontrou uma ditadura. É sempre aquela desculpa de "não pode sair". Alguns destes clubes foram até parar na segunda divisão. Não é o caso do São Paulo. Mas tenho certeza absoluta de que ele não será candidato novamente. Uma hora vai cair a ficha. Espero que a justiça seja feita. Nós queremos que, se houver uma mudança estatutária, que seja feita pelos sócios, e não pelos conselheiros.
Terra: O Juvenal disse que a "oposição do São Paulo estava muda". Como está a organização da oposição, que começou a aparecer desde que ele afirmou isso? Houve um erro de postura durante a administração do Juvenal?
Edson Francisco Lapolla: O São Paulo sempre teve uma oposição construtiva, fiscalizadora, mas que infelizmente, por acomodação devido aos títulos, e me incluo nessa falha, fizeram com que houvesse uma aproximação da diretoria atual. O erro foi não fazer o que o São Paulo sempre teve. Não estamos 100% satisfeitos com a administração. A forma centralizadora do Juvenal não nos agrada, não há diálogo.
Terra: Qual a situação da eleição? A vantagem do Juvenal na eleição é realmente tão grande?
Edson Francisco Lapolla: São 235 conselheiros. O Juvenal diz que tem umas 190 assinaturas, mas a coisa vai se encaminhando para diminuir. Toda vez que ele dá declarações, são infelizes. Ele está desgastado. O torcedor precisa saber que ele não está só há cinco anos no clube. Fiz parte do grupo dele até 2005, ele está nesta luta desde 1984, 1985. Há um desgaste natural. E ele preparou pessoas para assumir, pessoas que estão magoadas porque achavam que seriam indicadas.
Terra: Existe brecha no estatuto que permita a segunda reeleição?
Edson Francisco Lapolla: O estatuto é claro. O artigo 84 diz que só existe uma reeleição. Qualquer criança no clube sabe que o Juvenal está no seu segundo mandato. O Carlos Miguel (Aidar) vem com essas artimanhas de tentar achar uma vírgula e quer provar para todo mundo que esse é o primeiro mandato do Juvenal Juvêncio. É chamar a gente de bobo. Foi assim que o Marcelo Teixeira fez no Santos. Pergunta se a torcida do Santos está insatisfeita com a saída dele. E é contra isso que vamos lutar.
Terra: Você considera ação da situação um golpe contra o conselho deliberativo?
Edson Francisco Lapolla: Não tenho dúvida alguma, é "o" golpe. Nosso grupo político se chama "GOLPE": Grupo de Oposição e Luta Pelo Estatuto. Era só "GOL" antes.
Terra: Supondo que a vitória seja possível, você acha que pode fazer uma boa administração?
Edson Francisco Lapolla: Uma boa administração não se faz sozinho. Tenho experiência, do clube eu conheço a parte social, o futebol, o marketing. Com uma boa equipe e tempo, não vejo problema nenhum. Não é fácil, mas com uma equipe de trabalho a gente toca o São Paulo. Com certeza com um modelo de gestão diferente.