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Análise: Crespo não teve medo de correr riscos necessários e conseguiu deixar o São Paulo mais ofensivo

Treinador optou por uma escalação com novidades e com mais jogadores de ataque. A estratégia do argentino deu muito certo e se mostrou correta para o contexto do jogo

9 jun 2021 07h02
| atualizado às 12h26
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Nesta terça-feira (8), o São Paulo recebeu o 4 de Julho pela partida de volta da terceira fase da Copa do Brasil. Com a necessidade de reverter o placar de 3 a 2 no jogo da ida, o treinador Hernán Crespo mexeu na escalação para agregar ofensividade ao time. A mudança deu certo, e o Tricolor venceu o jogo por 9 a 1. Veja as alterações promovidas pelo técnico e o que mudou na equipe.

São Paulo venceu o 4 de Julho por 9 a 1 (Foto: Paulo Pinto / saopaulofc.net)
São Paulo venceu o 4 de Julho por 9 a 1 (Foto: Paulo Pinto / saopaulofc.net)
Foto: Lance!

A primeira mudança que chamou bastante a atenção foi a entrada do argentino Emiliano Rigoni na equipe, jogando como ala direito. O camisa 77 já havia feito sua estreia no último sábado (5), pelo Brasileirão, na derrota por 2 a 0 para o Atlético Goianiense. Na partida em questão, porém, o argentino atuou por dentro, no meio de campo.

A ideia de jogar com Rigoni pela ala direita é ganhar ofensividade e habilidade ao explorar a profundidade no ataque. O argentino é um ponta direita de origem e substituiu Igor Vinícius, que é lateral. Pelo lado, a entrada de Rigoni deu muito certo e o jogador conseguiu, inclusive, dar uma bela assistência ao criar uma jogada usando o drible e a profundidade servindo o atacante Pablo.

No meio de campo, mudanças novamente muito ofensivas. Sem poder contar com Luan e Liziero, Crespo optou por não utilizar volantes de marcação, escalando um trio de meio-campistas com Rodrigo Nestor, Gabriel Sara e Luciano. O funcionamento do trio foi muito dinâmico e importante para o placar grandioso.

Embora seja atacante de origem, Luciano foi, durante o primeiro tempo inteiro, um dos principais criadores do São Paulo. Como de costume, o camisa 11 procurou bastante o jogo e, por sua nova função durante a partida, participou efetivamente desde a origem dos ataques, recebendo a bola próximo à intermediária de ataque. Gabriel Sara teve função semelhante, embora tenha ficado mais preso ao ataque em si, iniciando poucas vezes as jogadas.

Nestor, por sua vez, participou bastante da transição do ataque para a defesa. O camisa 25 frequentemente foi quem começou a criação, acompanhando o desenvolvimento da jogada até o campo de ataque, onde deu passes importantes, permitindo infiltrações da dupla de ataque e também dos meias.

Na frente, uma dupla de atacantes que funcionou muito bem por unir dois jogadores de características compatíveis. Pablo funcionou como um atacante de referência, com bom posicionamento tático, aparecendo para as finalizações que lhe renderam três gols na partida. Sua dupla, Eder, teve um papel mais livre, buscando jogadas e saindo da área em diversos momentos.

Com isso, o São Paulo jogou com um meio de campo muito dinâmico e muito ofensivo, que contou com as constantes infiltrações de Luciano e Gabriel Sara, que renderam gols a equipe, junto de um ataque forte com um atleta jogando como referência e ao lado de um jogador de posicionamento mais livre. Tudo isso com o apoio de alas ofensivos que constantemente buscavam o fundo, procurando oportunidades para cruzamentos na área.

Todas essas estruturas muito ofensivas permitiram ao Tricolor fazer aquilo que o time precisava desde o início: pressionar o 4 de Julho e tentar reverter o placar. Entretanto, é importante ressaltar que essa tática foi adotada em decorrência da ocasião. O jogo exigiu que o São Paulo se abrisse tanto assim, o que fez o time correr riscos. Assim, essa estratégia dificilmente deve ser repetida em outros contextos menos alarmantes.

A ausência de voltantes de marcação e ofensividade dos alas, principalmente Rigoni, fez com que o trio de zaga ficasse muito exposto, o que poderia ter sido um problema caso o 4 de Julho conseguisse manter o ritmo do começo do jogo e atuar em bloco alto, ou então encaixar bons contragolpes. Diante de equipes que ataquem com mais qualidade em velocidade, essa exposição pode custar muito caro.

O time do Piauí chegou a fazer um gol logo no primeiro minuto de jogo, onde, após um erro de passe do São Paulo, aproveitou a exposição do trio de zaga e seu posicionamento desorganizado para abrir o placar. Quanto o time Piripiri recuou suas linhas, porém, cedeu à pressão e não conseguiu aproveitar a exposição da defesa do Tricolor.

Ideias muito bem pensadas, um time bem adaptado para o contexto específico da partida. O treinador Hernán Crespo não apenas acrescentou atacantes, mas mexeu de maneira muitíssimo inteligente na estrutura, correndo um risco, mas sabendo que o risco era necessário para reverter o placar.

Nas palavras do técnico Vanderlei Luxemburgo, 'o medo de perder tira a vontade de ganhar'. Crespo assumiu os riscos sem medo e foi muito feliz, montando uma verdadeira máquina de gols.

Lance!
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