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Alerta na Vila! Santos volta ao Z4 com cenário pior do que o de 2025

Após 21 jogos, Peixe tem pontuação pior que a do último Brasileirão a esta altura, quando brigou contra o rebaixamento até o fim.

11 ago 2026 - 08h02
(atualizado às 09h29)
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Após nova derrota, técnico Cuca reconheceu que elenco atual dificulta disputar três competições –
Após nova derrota, técnico Cuca reconheceu que elenco atual dificulta disputar três competições –
Foto: Raul Baretta/ Santos FC. / Jogada10

Após 77 dias de "descanso", o Santos voltou à zona da tabela do Campeonato Brasileiro que virou tormento para seu torcedor nos últimos anos. Com a derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR, no último domingo (9), na Vila Belmiro, o time caiu para a 17ª colocação, com 22 pontos, e agora abre o Z4. Desde a derrota para o Grêmio por 3 a 2, na 17ª rodada, em 24 de maio, o Peixe não habitava essa região da tabela. Embora tenha um jogo a menos que o Internacional, o 16º com 23 pontos, o cenário santista é tenso por fatores que vão do histórico recente à impossibilidade de contratar reforços e o calendário sufocante. 

No ano passado, quando brigou contra a queda até a rodada final, o Santos tinha dois pontos a mais (24) a esta altura - com 21 partidas disputadas. E uma nova queda para a Série B só não aconteceu porque Neymar liderou uma arrancada nas três rodadas finais, com três vitórias e quatro gols. Porém, além de ter um aproveitamento superior nesse mesmo estágio em 2025, na temporada passada o time disputou apenas o Brasileirão no segundo semestre. 

No cenário atual, em que segue vivo nas Copas do Brasil e Sul-Americana, o time se vê diante de um calendário inchado, sem tempo para treinar e repleto de viagens, precisando conciliar a luta contra o rebaixamento e a necessidade de avançar nos torneios de olho em premiações que  mitiguem a crise financeira. No entanto, o técnico Cuca admite abertamente ter um elenco em mãos que o impossibilidade de administrar com sucesso essa situação. 

"Já falei que me preocupo com a situação do Brasileiro. Preocupa mais estarmos em três frentes e não termos elenco para disputar todas da mesma forma. Fomos um dos times que não contrataram na janela, perdemos jogadores e temos transfer ban. Assim, temos tirado soluções dentro do elenco", declarou o técnico após a derrota para o Athletico. 

Após nova derrota, técnico Cuca reconheceu que elenco atual dificulta disputar três competições –
Após nova derrota, técnico Cuca reconheceu que elenco atual dificulta disputar três competições –
Foto: Raul Baretta/ Santos FC. / Jogada10

Tabela intrincada e jejum longe de casa 

O Santos está no Z4 pela sexta vez no Brasileirão. Apesar de ainda restarem 17 jogos pela frente, o percurso faz até o santista mais otimista arregalar os olhos. Afinal, serão apenas sete duelos em casa, incluindo embates contra o líder Palmeiras e o vice-líder Flamengo, e dez partidas como visitante. Ademais, a equipe ainda não venceu um confronto sequer fora de casa nesta edição, o que aumenta a preocupação ao observar o calendário farto de jogos em território alheio.

Em nove partidas disputadas como visitante, o Santos empatou quatro e perdeu cinco - aproveitamento pífio de 14,8% dos pontos. No próximo domingo (16), será justamente nesse contexto adverso que o Santos fará o chamado "jogos de seis pontos". Em São Januário, encontrará o Vasco, que tem os mesmos 22 pontos e só está uma posição abaixo do Peixe por ter saldo de gols pior. No entanto, antes desse jogo o Alvinegro entrará  em campo pela ida das oitavas da Sul-Americana, contra o equatoriano Macará, quinta-feira (13), na Vila Belmiro.

"Temos 17 jogos para jogar, sete em casa e dez fora. Em casa tem Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, duríssimos. Já falei que me preocupo com a situação do Brasileiro. Temos tirado soluções dentro do elenco. Às vezes, não correspondem um jogo ou outro e temos que pedir compreensão. Não vou pedir isso ao torcedor porque ele acha ruim e com toda razão", advertiu Cuca. 

Para piorar, o Santos não tem nem mesmo feito o dever de casa. No segundo turno, a equipe ainda não venceu e dois dos três jogos foram na Vila Belmiro - um empate com a lanterna Chapecoense e a derrota para o Athletico. Entre mandantes, o Peixe tem apenas a 10ª melhor campanha. Além do revés para o Furacão, perdeu diante de sua torcida para Internacional, Fluminense e Coritiba (na Neo Química Arena), e empatou três vezes. 

Em 2025, Santos tinha pontuação maior e mesmo assim precisou que Neymar salvasse na reta final –
Em 2025, Santos tinha pontuação maior e mesmo assim precisou que Neymar salvasse na reta final –
Foto: Raul Baretta/ Santos FC. / Jogada10

Veto a contratações e desafios das copas 

A temporada de 2026 é a quinta consecutiva em que o Santos briga contra o rebaixamento. Em uma delas, a de 2023, aconteceu a inédita queda para a Série B. E a esta altura da campanha do descenso, com 21 jogos, o Peixe tinha apenas um ponto a menos do que agora. Porém, não havia um obstáculo àquela época que dá cores mais dramáticas à situação atual, o transfer ban da Fifa que impede o clube de inscrever novos jogadores. 

"Se a gente puder quebrar o transfer ban e fortalecer, virem dois ou três jogadores que encorpam o elenco, precisamos disso. É um desabafo que eu faço. Gosto de trabalhar com os guris, mas neste momento não é o ideal", afirmou Cuca, referindo-se à necessidade de contratações e o uso de atletas da base.

A súplica do treinador, porém, não tem muito potencial de seduzir a diretoria alvinegra. Para derrubar o veto da Fifa, o clube precisa honrar a dívida de R$ 12 milhões com o francês Monaco por Jean Lucas, uma contratação de 2023, ainda no mandato de Andres Rueda. Porém, a prioridade da gestão do atual presidente, Marcelo Teixeira, é quitar direitos de imagens atrasados com o elenco.

O contexto financeiro periclitante, que inclui dívida total que ultrapassa R$ 1 bilhão, é uma das razões pelas quais o clube olha para as copas com muito interesse. A generosa premiação concedida aos classificados, em especial na Copa do Brasil, é uma maneira de saldar os débitos com os atletas. Nas duas últimas semanas, o Santos amealhou R$ 7 milhões ao passar por UCV (VEN) e Remo nos torneios, valores em parte destinados a isso. E é essa conjuntura, com um rombo que parece insolúvel, que tem feito a diretoria avançar no projeto de criação da SAF. 

Maratona alucinante em quatro semanas 

Nas próximas quatro semanas o Santos fará oito partidas. No Brasilleirão, serão dois confrontos diretos contra o rebaixamento (Vasco e Inter), um clássico contra o Corinthians, em Itaquera, e apenas uma partida em casa, contra o Mirassol. Em paralelo, haverá os duelos contra o Macará, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, incluindo uma cansativa viagem ao Equador.  

Por fim, no período o Peixe ainda disputará as quartas de final da Copa do Brasil. As semanas de 26 de agosto e 2 de setembro estão reservadas para essa etapa do mata-mata nacional. Nesta terça-feira (11), o Santos conhecerá o seu rival em sorteio a ser realizado na sede da CBF. 

Portanto, até o dia 6 de setembro serão oito partidas que definirão se o Santos segue em três frentes e também se terá um respiro no Brasileirão. Por ora, o torcedor vislumbra um fim de ano angustiante pela quinta temporada consecutiva.

Jogada10
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