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Paraná - 25 anos: a potência e supremacia nos anos 90

Na década de 90, a equipe paranaense só não conquistou título em 1998 e 99

19 dez 2014 19h33
| atualizado às 19h51
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Não demorou muito para o Paraná mostrar que a união de torcida (Colorado) com patrimônio (Pinheiros) faria um clube vencedor. Logo nos três primeiros anos, um título estadual e outro nacional. E, na década de 90, a soberania no estado com seis títulos em 10 anos – muito disso pelo dinheiro dos quase 30 mil associados da época, que rivalizavam com os rivais Coritiba e Atlético-PR. O Terra relembra esse período marcante no especial de 25 anos do time paranaense.

Elenco, comissão técnica e diretoria posam para a foto oficial do título, em 1991
Elenco, comissão técnica e diretoria posam para a foto oficial do título, em 1991
Foto: Paraná Clube / Divulgação

Acesso à Série B

Logo no primeiro ano de existência, o Paraná disputou a Série C de 1990. E apesar de não ter sido campeão, conseguiu o acesso. Em 14 jogos, a equipe paranaense venceu cinco vezes, empatou sete e perdeu apenas duas. Com 16 gols feitos e nove sofridos, o time paranista precisou de três meses para ficar a um passo da elite do futebol brasileiro. Algo que conquistaria logo na sequência, em um dos jogos marcantes de sua história.

Primeiro título

O ataque era de dar inveja. Adoilson, Marquinhos Ferreira, Carlinhos, Saulo e Serginho. Em 26 jogos, os atletas do meio para frente do Paraná fizeram 52 gols no Campeonato Paranaense de 1991. Dezessete vitórias, cinco empates e quatro derrotas formaram a campanha com 75% de aproveitamento do campeão tricolor em três fases da 77ª edição do torneio.

O jogo que marcou o grito de "É campeão" é inesquecível na memória de quem esteve no Estádio Couto Pereira, no dia 8 de dezembro. A torcida do Coritiba ficou nas curvas do fundo, enquanto os torcedores tricolores dominaram o restante do estádio, que teve público de 22.952 pessoas.

Ednelson chuta cruzado e faz o gol do primeiro título do Paraná
Ednelson chuta cruzado e faz o gol do primeiro título do Paraná
Foto: Paraná Clube / Divulgação

Entretanto, o gol de cabeça do baixinho Pachequinho, o goleador dos clássicos, no início do primeiro tempo, mandou um balde de água fria na torcida paranista. Mesmo jogando melhor, o Paraná perdia gols e não conseguia fazer valer a qualidade em campo. O Atlético-PR, que ficou com o vice, vencia o Londrina na disputa direta.

O grito de gol veio aos 19min da segunda etapa. Serginho achou o lateral esquerdo Ednelson entrando pelo flanco; ele ajeitou e chutou forte no canto de Luis Henrique – a bola ainda explodiu na trave antes de entrar. "Tenho certeza que, com planejamento e união entre todos, vamos resgatar a hegemonia do estado", acredita o camisa 6 e atual auxiliar-técnico do clube. A equipe ainda teve chances de fazer o gol da vitória, mas não era preciso.

O empate garantiu o primeiro título da história. A torcida, como era de costume antigamente, invadiu o gramado e comemorou de todas as formas: atravessando o campo de joelhos, deixando atletas de cueca, cortando um pedaço da rede. "Foi o título mais importante, sem dúvida. Ali uma derrota poderia desmoronar o clube, a fusão, fazer com que a galera, principalmente os colorados, desanimasse com essa história de se unir", lembra Serginho Prestes, autor da assistência do gol do título.

Fonte Nova calada

Entre fevereiro e julho de 1992, o Paraná jogou a Série B pela segunda vez. Mas, como o hino mesmo diz: "Já nasceste gigante...". Na partida de ida da final contra o Vitória, triunfo paranaense no Estádio Pinheirão por 2 a 1. A finalíssima na Fonte Nova contou com 60.442 pessoas.

A campanha de 13 vitórias, 15 empates e somente duas derrotas (para Criciúma e Londrina) foi belíssima. Mas o título começou antes da partida decisiva, ainda na preleção no hotel em Salvador. O treinador Otacílio Gonçalves fez um discurso até pequeno, de três ou quatro minutos. Ele lembrou de familiares dos atletas, a força da família de cada um. Só que a maior lembrança de todos que falam daquela partida é de outra frase.

Saulo é o maior artilheiro da história do Paraná, com 104 gols
Saulo é o maior artilheiro da história do Paraná, com 104 gols
Foto: Paraná Clube / Divulgação

"Eu aproveito para agradecer vocês por me fazerem campeão mais uma vez". Com essa fala, o técnico paranista encerrou e saiu da sala. A faixa no peito, dali em diante, seria uma questão de apenas 90 minutos. O meio-campista Serginho Prestes confirma a versão. "Saímos do hotel em que concentramos campeões. Nosso comandante até nos agradeceu antecipadamente. O jogo foi o mais marcante pela conquista nacional, foi a afirmação do clube no Brasil", relembra o "Cabeção", como era carinhosamente chamado.

No dia 11 de julho, em um sábado, o Paraná entrou em campo com Luis Henrique; Balu, Gralak, Servilho e Ednelson; João Antonio, Adoilson e Marquinhos Ferreira; Maurílio, Saulo e Serginho. Time ofensivo, que precisava de apenas um empate, mas era quem mais criava perigo à meta adversária.

E o gol do título só poderia vir de Saulo, que estava voando naquele ano. Em uma arrancada aos 19min da segunda etapa, o "Tigre da Vila" driblou dois marcadores, com direito a uma meia-lua, e tocou na saída do goleiro rubro-negro. O camisa 9 saiu comemorando e calou os quase 65 mil torcedores presentes no estádio.

A certeza de ganhar antes do jogo

Após cair para o União Bandeirante nos pênaltis, na semifinal do Estadual de 1992, o Paraná mostrou que foi apenas um deslize. Entre 1993 e 1997, o clube tricolor conquistou o pentacampeonato do estado com autoridade, passando por cima dos rivais da capital e dos times do interior, que tinham força naquele período.

Em 93, na Vila Capanema, diante do Matsubara. Em 94, contra o Londrina, na Vila Olímpica. Em 95, frente ao Coritiba, no Pinheirão. Em 96, novamente um Paratiba, mas agora no Couto Pereira. Em 97, mais uma vez na Vila Olímpica, contra o União Bandeirante. Apenas a Baixada, que só ganhou formato de arena em 1999, não viu o Paraná ser campeão.

O clube costumava manter boa parte do elenco para os anos seguintes, tendo uma base titular e suprindo eventuais saídas com reforços pontuais. Fórmula que, mesmo com algumas mudanças nos 11 titulares e no elenco, fazia o time entrar como favorito absoluto no Campeonato Paranaense. Além disso, na Série A do Campeonato Brasileiro, não passava perigo e fazia campanhas tranquilas, até tentando surpreender em alguns anos.

Isso tudo dava uma superioridade vista em campo. Fora dele, os jogadores também sabiam da força. "Sabendo (que iria ganhar) talvez seja meio arrogante, mas a convicção era grande. A certeza de que o camarada do lado era craque e que resolveria a parte dele e que o time era muito capaz. O título de 1991 foi a injeção de confiança que precisávamos para seguir vencendo todos", confirma Serginho.

<p>Ricardinho, revelado nas categorias de base, comemora seu gol do título de 1996</p>
Ricardinho, revelado nas categorias de base, comemora seu gol do título de 1996
Foto: Paraná Clube / Divulgação
Os números dos anos 90

Campeonato Paranaense: entre os anos de 1990 a 1999, foram realizadas 281 partidas: 167 vitórias, 73 empates e 41 derrotas. Gols: 499 marcados e 201 sofridos.

Série A: de 1993 a 1999, o Paraná disputou 156 jogos: 49 vitórias, 46 empates e 61 derrotas. Gols: 182 marcados e 201 sofridos.

Série B: entre 1991 e 1992, foram disputados 48 duelos: 21 vitórias, 21 empates e seis derrotas. Gols: 50 marcados e 31 sofridos.

Copa do Brasil: nos anos de 1992 a 1999, o Paraná disputou 27 jogos: 10 vitórias, oito empates e nove derrotas. Gols: 20 marcados e 23 sofridos.

Copa Conmebol: em 1999, foram quatro partidas: duas vitórias e duas derrotas. Gols: três marcados e três sofridos.

Fonte: PGTM Comunicação - Especial para o Terra PGTM Comunicação - Especial para o Terra
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