Celso renuncia, e Paraná troca vice-presidente de futebol
Com problemas no Conselho, o agora ex-dirigente é substituído por atual vice-presidente do clube
Após problemas internos, o Paraná agiu rápido e trocou o vice-presidente de futebol para 2015. Depois da renúncia de Celso Bittencourt, o clube paranaense o substituiu por Aldo Luis Coser nesta quinta-feira.
A troca no comando já era esperada. O antigo dirigente paranista, com divergências no Conselho Deliberativo, via sua permanência com prazo final e renunciou nesta semana. Bittencourt, inclusive, iniciou há três semanas seu retorno à carreira de advogado, no qual havia desfeito a sociedade de seu escritório de advocacia e tenta agora voltar.
“O motivo real de minha saída é exatamente o veto que tive desse Conselho, sem apresentação de motivo concreto, impedindo que fizesse parte do Conselho Consultivo, conforme estabeleceu o novo estatuto do Clube, recentemente alterado (inclusão de dez pessoas que tenham realizado relevantes serviços pelo Paraná Clube e que sejam sócios há mais de três anos)”, afirmou o ex-vice de futebol, que estava no clube há quatro anos.
O veto foi na época que Bittencourt e Rubens Bohlen estavam fora da capital paranaense, negociando a antecipação das cotas de televisão para pagar parte dos salários atrasados. “A princípio confesso que me ofendeu muito essa decisão, principalmente pela forma como aconteceu, pois eu e o presidente Bohlen estávamos a serviço do Clube no Rio de Janeiro, e essa votação (27 pelo veto, 24 contra e 5 abstenções) aconteceu sem a minha presença”, completou a indignação.
Assim, o atual segundo vice-presidente do clube assumiu o cargo renunciado – acumulando as duas funções. Na última eleição, o empresário de 52 anos entrou na diretoria do Paraná ao assumir a vaga de Paulo Cesar Silva na chapa de Rubens Bohlen. Além disso, Couser é tesoureiro do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado do Paraná (SEAC-PR).
E o momento da mudança não poderia ser mais delicado. No final da tarde de quarta, o técnico Ricardinho decidiu não continuar para a próxima temporada. Algo que pode também resultar nas saídas do gerente de futebol Marcus Vinicius, do goleiro Marcos e do meio-campista Lúcio Flávio – todos sendo prioridades da cúpula tricolor e que viam na permanência do treinador uma facilidade para continuar.
Com a primeira baixa, resta convencer o diretor a seguir na Vila Capanema e ajudar na formação do elenco. O lateral-direito Auremir, o meio-campista Thiaguinho e o atacante Adaílton também estão na lista para a base do grupo em 2015.
Confira a nota de Celso Bittencourt divulgada à imprensa:
"Venho por meio comunicar a todos que encaminhei ofício ao Conselho Deliberativo do Paraná Clube e apresentei o meu desligamento desse conceituado Conselho, bem como comuniquei meu afastamento, a partir desta data, de qualquer atividade oficial dentro do Clube. Nesse documento tratei de alguns assuntos que deveriam ser tratados só internamente, mas no geral é o que segue abaixo.
Nesses quase quatro anos tive, juntamente com outros Paranistas verdadeiros, a grande emoção de servir meu Clube do coração, semPRe com total lealdade e dedicação, sem nada reclamar, pois quando aí ingressamos sabíamos de todas as dificuldades mas não nos omitimos, colocamos corpo e alma à frente do Clube, em detrimento aos nossos compromissos particulares, como trabalho e família.
O motivo real de minha saída é exatamente o veto que tive desse Conselho, sem apresentação de motivo concreto, impedindo que fizesse parte do Conselho Consultivo, conforme estabeleceu o novo estatuto do Clube, recentemente alterado (inclusão de dez pessoas que tenham realizado relevantes serviços pelo Paraná Clube e que sejam sócio há mais de três anos).
Vale lembrar que durante esses quatro anos participei das reuniões do Conselho Normativo (alterado agora para Consultivo), como convidado, pelas funções que exerci no Clube (2011 Vice Presidente Financeiro, 2012/2013 Superintendente Geral – função essa que inspirou sua oficialização na estrutura do Clube nessa alteração de estatuto -, e 2014 Vice Presidente de Futebol, e pelo novo estatuto Superintendente de Futebol).
A princípio confesso que me ofendeu muito essa decisão, principalmente pela forma como aconteceu, pois eu e o presidente Bohlen estávamos a serviço do Clube no Rio de Janeiro, e essa votação (27 pelo veto, 24 contra e 5 abstenções) aconteceu sem a minha presença.
Aliás, minha opinião pessoal é que houve um erro formal, pois as decisões de um Clube exigem ampla divulgação e qualquer ponto votado tem que estar publicado na convocação (vide as alterações que tivemos que incluir em nosso estatuto em função do determinado pela Lei Pelé).
O que estava na pauta para ser discutida era a lista dos indicados, então a lista poderia ser votada, aprovada ou vetada, nunca um dos nomes. Para que isso ocorresse deveria acontecer nova reunião e constar da nova pauta de forma clara o que se está discutindo. Esse é um princípio básico e que não foi observado.
Poderia entrar com pedidos de impugnação, mas não o farei, pelo contrário, me submeto à decisão do Conselho, e nem procurei saber quais os que votaram contra ou que se abstiveram. Entendo que fui vetado pelo Conselho Deliberativo, ao qual ingressei em 2008, com muita vontade de ajudar o Clube e que em 2011, dentro do próprio Conselho, tivemos a iniciativa de colocar oito nomes ao presidente Aquilino e assumimos funções no Clube, não nos omitindo, apesar de todo o cenário que se apresentava.
Vale informar que as dificuldades do dia a dia são imensas e quem está fora do Clube não tem a menor noção de tudo o que enfrentamos nesses anos todos. Vejam que dos oito nomes que entraram no Clube conosco hoje só permanecem três. Os demais, assim como diversos que entraram depois, saíram por questões pessoais, para reorganizar suas vidas, pois tinham abdicado de tudo em prol do Clube.
O fato é que ocorreu uma grande renovação no Conselho e grupos novos se formaram, e isso é extremamente positivo. Temos hoje pessoas competentes, organizadas, que tem acesso e meios de angariar recursos importantes, não somente financeiros, mas que tem que sair da crítica destrutiva, apenas da teoria, para a prática.
Portanto, meu desligamento prende-se ao fato de que só se deve manter vínculos quando existe uma situação de total confiança. Deixando de existir essa situação, o vinculo já não se justifica. Se houve um veto para participar de um dos Conselhos do Clube, deveriam me vetar para participar de qualquer atividade. Seria uma questão de coerência.
Independente disso, admirei, de uma certa forma, a coragem dos Conselheiros, e espero que essa determinação lhes impulsione a se dirigirem ao presidente do Clube amanhã mesmo, e coloquem pessoas e projetos a sua disposição, para enfrentar o dia a dia e para reverter a situação que se está vivendo.
Esse é o mínimo que se espera, pois se a atitude tomada foi só no sentido de destruir, aí não teremos nenhum caminho mais a tomar do que seguir a corajosa manifestação do Gayer Neto e do João Kitéria, e pararmos tudo, nos fecharmos em uma sala, e sairmos de lá com uma definição do que fazer, mas isso de maneira clara, responsável, coerente e imediata.
Tenho certeza de que a atitude foi premeditada, sabendo exatamente que provocaria meu desligamento, e tenho a absoluta certeza de que trarão ao Clube as soluções que de alguma forma não consegui oferecer.
Agradeço a toda a mídia, que semPRe procurei tratar com respeito e igualdade, e que “apesar dos problemas”, conseguimos manter uma relação no melhor nível possível, ficando os interesses divididos em seu compromisso com a notícia e de nossa lado a proteção ao Clube em questões que poderiam trazer prejuízos maiores, e acho que de uma certa forma isso foi conseguido.
Agradeço de uma forma toda especial aos atletas que aqui já encontramos em 2011, e especialmente os que aceitaram disputar com desprendimento e profissionalismo extremo a segunda divisão do campeonato paranaense de 2012, aos demais que vieram defender com raça e dedicação o manto Tricolor, aos meninos da base nos quais semPRe acreditamos mas que surpreenderam muita gente e que já conquistaram seu espaço, e aos demais que seguirão o mesmo caminho, e a todos funcionários do Clube, das diversas áreas, que apesar de todas as dificuldades vestiram a camisa do Clube e lutaram com denodo e amor ao limite.
Agradeço ao presidente Bohlen, aos Vices Presidentes eleitos nas duas gestões, Paulo Cesar Silva, Luiz Carlos Casagrande e Aldo Luis Coser, aos Vices Financeiros José Carlos Galon e Norberto Zanetti, ao Renato Collere, que apesar de toda a sua dificuldade de horário ainda permanece conosco, aos demais Vices Presidentes e Diretores, inclusive os que saíram por força maior, aos gerentes Alex Brasil, Roque Junior e Marcus Vinicius, aos técnicos Ricardinho (em 2012), Toninho Cecilio, Dado Cavalcanti, Milton Mendes, Ricardo Drubsky, Claudinei Oliveira e novamente ao Ricardinho, que encarou a sua vinda como uma convocação, não como um convite, e que veio e fez a parte dele.
Aliás, poucos entenderam as palavras do Ricardinho, quando ele falou da mudança do modelo de gestão, do Clube ser repensado.
E precisa ser repensado mesmo, mas já, de imediato, e isso está nas mãos do Conselho Deliberativo. Conselheiros, abram seus olhos, vejam o todo, enquanto temos solução. Não se omitam, pelo contrário, provoquem, ajam, CONTINUEM CORAJOSOS".