O saldo da gestão de dois anos na presidência do Palmeiras não foi positivo para Arnaldo Tirone. Se, por um lado, conquistou a Copa do Brasil, por outro levou o time de volta à segunda divisão nacional e comprou brigas com amigos de longa data. Brigas que ele quer deixar de lado ao desistir da reeleição e dar mais atenção à saúde.
Tirone deixará o Palmeiras neste mês de janeiro
Foto: Bruno Santos / Terra
"Briguei com amigos de 40 anos por pensarmos de maneira diferente", disse o ainda mandatário, em entrevista à Rádio Jovem Pan. Um deles foi Piraci Oliveira, diretor jurídico do clube, que abertamente fez críticas a ele. "Ele errou, teve postura de torcedor. Não quero mais brigar com amigos".
A queda para a Série B do Campeonato Brasileiro o tornou alvo de pesadas críticas e foi decisiva para a decisão de não concorrer ao cargo novamente. "Perdi essa guerra e vou recuar. Espero que o futuro presidente entenda que criticar é mais fácil. O Piraci participou de todas as negociações, viu como era difícil. Prefiro ficar quieto, ficar no canto, cuidar da saúde", contou.
"Vou terminar meu compromisso e sair de cabeça erguida. Não fiz nada de mau e assumi o clube com problema. Eu me sinto com a minha missão cumprida e aceito a derrota da Série B. Por isso não vou me candidatar, tenho 'desconfiômetro', não sou emocional", acrescentou o dirigente.
Sem Tirone no páreo, Paulo Nobre e Décio Perin devem ser os únicos concorrentes à presidência, na eleição marcada para 21 de janeiro. Publicamente, o futuro ex-presidente diz não ter preferência e acredita que qualquer um dos dois poderá fazer um bom trabalho.
"Com alguns ajustes, o Palmeiras pode ter uma boa administração. Nenhum dos dois é mágico, vão precisar trabalhar muito, mas têm boas condições. Vou apoiar aquele que achar melhor. O Nobre é mais novo, tem uma dinâmica, o Perin tem mais experiência de vida. Depende muito da diretoria que nomearem", concluiu.
Ainda na cadeira presidencial, Tirone tem tido dificuldade com seus últimos compromissos. O de reforçar o elenco, por exemplo, é notório. Até o momento, apenas dois jogadores foram contratados para a próxima temporada: o goleiro Fernando Prass e o lateral direito Ayrton.
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A briga desta quarta-feira na partida entre São Paulo e Tigre-ARG, que encerrou o jogo no intervalo e deu o título da Copa Sul-Americana de 2012 à equipe paulista, escreveu mais uma página na longa lista de confusões entre os clubes do Brasil e dos outros países latinos em competições sul-americanas. Relembre algumas das mais lamentáveis cenas de pancadaria dos brasileiros nos últimos anos:
Foto: Bruno Santos / Terra
São Paulo x River Plate (ARG), Copa Sul-Americana 2003 Em jogo no Estádio do Morumbi, o São Paulo conseguiu reverter a desvantagem do jogo de ida (derrota por 3 a 1) e venceu por 2 a 0, caindo nos pênaltis. No entanto, no decorrer do jogo, o zagueiro Ameli (River Plate) se envolveu em duas confusões - primeiro com Diego Tardelli, após o primeiro gol, e com Rico, nos acréscimos. Na confusão, Rico, Jean, Luis Fabiano (São Paulo), Ameli, Pereyra e Barrado (River Plate) foram expulso.
Foto: Marcelo Ferrelli / Gazeta Press
América (MEX) x São Caetano, Copa Libertadores 2004 No fim do jogo, o time paulista comemorava o empate por 1 a 1 no Estádio Azteca, que garantia a vaga nas quartas de final do torneio. A festa azul esquentou os donos da casa, e logo uma briga generalizada começou à beira do gramado. Irritada, a torcida começou a atirar objetos no gramado - inclusive um carrinho de mão - e a invadir o campo. O time paulista acabou classificado, enquanto os mexicanos viram sete torcedores presos.
Foto: AFP
Palmeiras x Cerro Porteño (PAR), Copa Libertadores 2006 Em jogo pela sexta rodada do Grupo G da competição, Palmeiras e Cerro Porteño se enfrentaram em São Paulo. No fim do primeiro tempo, Washington (Palmeiras) e Baéz (Cerro Porteño) iniciaram uma discussão, que logo envolveu os jogadores dos dois times. O zagueiro Douglas se envolveu na confusão, e foi expulso com Baéz pelo árbitro boliviano René Ortubé. No fim, derrota do Palmeiras (já classificado) por 3 a 2.
Foto: Fernando Pilatos / Gazeta Press
Fluminense x Cerro Porteño (PAR), Copa Sul-Americana 2009 Derrotado pelo Fluminense no Estádio do Maracanã por 2 a 1, o Cerro Porteño se irritou com a eliminação nas semifinais da Copa Sul-Americana - o time havia perdido também em casa por 1 a 0. Os jogadores começaram uma briga dentro de campo, e só foram para o vestiário após intervenção dos policiais. Classificado, o Fluminense perdeu o título para a LDU de Quito.
Foto: Fernando Soutello/Agif / Gazeta Press
Estudiantes (ARG) x Internacional, Copa Libertadores 2010 O Inter conseguiu a classificação às semifinais da Libertadores, graças a um gol de Giuliano aos 43min do segundo tempo - o time perdeu por 2 a 1, mas havia vencido por 1 a 0 em Porto Alegre e se beneficiou do gol fora de casa. Batido no Estádio Centenário de Quilmes, o time argentino iniciou uma briga após o jogo: Desábato (Estudiantes) e Abbondanzieri (Inter) trocaram ofensas, e logo mais jogadores se envolveram.
Foto: Getty Images
Argentinos Jrs. (ARG) x Fluminense, Copa Libertadores 2011 Na última rodada do Grupo C da Copa Libertadores de 2010, América (MEX), Nacional (URU), Argentinos Jrs. (ARG) e Fluminense disputavam as vagas para a próxima fase. O time carioca foi a Buenos Aires e venceu o Argentinos Juniors por 4 a 2. Eliminada em casa, a equipe local partiu para cima dos cariocas após o jogo, enquanto objetos eram atirados das arquibancadas. O Flu precisou de escolta para deixar o gramado.
Foto: Getty Images
Santos x Peñarol (URU), Copa Libertadores 2011 Ao vencer a final da Libertadores por 2 a 1 no Estádio do Pacaembu, o Santos se envolveu em uma briga com o Peñarol, iniciada após a invasão de um torcedor que desagradou aos uruguaios. Policiais tentaram apaziguar a situação, mas os dois times voltaram a se encontrar na entrada dos vestiários. Mesmo assim, o Santos pôde comemorar normalmente a conquista do torneio.