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NFL no Rio mostra que maior palco do futebol brasileiro abraça também o 'football americano'

Mais de 70 mil torcedores fazem festa no Maracanã neste domingo em Dallas Cowboys x Baltimore Ravens, pela semana 3 da NFL

27 set 2026 - 20h57
(atualizado às 21h50)
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Resumo
Em sua estreia no Rio de Janeiro, a NFL reuniu mais de 70 mil torcedores no Maracanã para acompanhar a eletrizante vitória do Baltimore Ravens sobre o Dallas Cowboys por 34 a 31, decidida com um chute no último segundo. Marcado por forte clima festivo, o evento contou com hino à capela, presença de celebridades e show no intervalo com Pedro Sampaio e Ricky Martin. O sucesso de público e organização consolidou o icônico estádio brasileiro no radar dos futuros jogos internacionais da liga.

O jogo entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens neste domingo, dia 27, mostrou porque o Brasil é o segundo país fora dos Estados Unidos com maior mercado de futebol americano. Mais de 70 mil torcedores compareceram ao Maracanã para prestigiar a terceira partida da NFL no Brasil - a primeira no Rio de Janeiro. O jogaço terminou em 34 a 31 para os Ravens. O slogan oficial dizia "o Rio também joga", e jogou, dentro e fora de campo.

A cantora Kandace Lindsey puxou o hino americano antes da partida começar. Mas a festa teve início mesmo poucos momentos depois, quando Péricles fez os mais de 70 mil presentes do Maracanã cantar o hino nacional brasileiro à capela como se fossem uma só voz. Esse calor foi sentido pelos próprios jogadores, que chegaram a relatar "lágrimas nos olhos" pela atmosfera carioca.

Se as regras do futebol americano podem ser difíceis de entender, não foi o que pareceu no Maracanã (um vídeo informativo foi exibido nos telões). "Estou realizando um sonho", disse um torcedor à reportagem do SporTV, que transmitiu o evento ao vivo. Alex Telles, Saúl Ñíguez, Emerson Royal e até Neymar estiveram presentes no Maracanã para prestigiar o evento.

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Torcedores com camisas de Denver Broncos e Kansas City Chiefs, rivais de conferência, foram vistos se abraçando nas arquibancadas ao som de Zeca Pagodinho. Coisas que só acontecem no Brasil.

Com a bola oval em jogo, a torcida nas arquibancadas vibrou a cada jarda conquistada por Cowboys e Ravens, especialmente pelo time de Dallas, que teve uma excelente desempenho defensivo e abriu 10 a 0 logo no primeiro quarto. Os Ravens conseguiram se recuperar e a primeira parcial terminou em 10 a 7.

Show do intervalo

Quando o primeiro tempo acabou em 17 a 13, numa recuperação dos Ravens, Pedro Sampaio e Ricky Martin fizeram um show do intervalo curto, mas intenso. A renomada coreógrafa neozelandesa Parris Goebel, responsável pela apresentação de Rihanna na final de 2023, preparou também a apresentação do DJ e cantor brasileiro.

É fato que o show foi um evento bem menor se comparado a um Super Bowl e seu famoso intervalo musical, então a apresentação no Rio também foi. O artista brasileiro trouxe seus hits como Sequência Feiticeira e Jetski e, depois, Ricky Martin abriu apresentação extremamente breve com Livin' la Vida Loca, seu hit mais famoso, de 1999.

Como não poderia deixar de ser, o samba se juntou ao funk, numa mistura bem específica de músicas latinas. Pikito Pikito marcou o lançamento do single do brasileiro com o porto-riquenho.

Virou tradição

Não houve problemas com montagem ou desmontagem do palco. O espetáculo, no entanto, ficou por conta de Evidências, famosa música interpretada por Chitãozinho & Xororó que é considerada por muitos o 'hino não-oficial do Brasil'. A torcida cantou em peso, assim como em 2024 e 2025, na Neo Química Arena.

A 'notícia triste' fica por conta que a canção teve de ser interrompida porque o jogo estava no intervalo no terceiro quarto, com pouco mais de 3 minutos para o fim, e jogadores e juízes queriam reiniciar a partida. Porém, a festa na arquibancada estava muito bonita. Infelizmente, a organização do evento não esperou pelo fim e cessou o som de forma precoce.

Segundo tempo quente

Quando a bola oval voltou aos holofotes, o jogo continuou bom, com as duas equipes desempenhando uma boa partida. A terceira parcial foi bastante movimentada, com os dois ataques produzindo bastante, e terminou em 24 a 21 para os Ravens.

O ataque dos Cowboys iniciaram o último quarto com tudo, esboçando uma iminente virada. E viraram. Os Ravens foram mais 'previsíveis', arriscando muito pouco no segundo tempo. O time de Dallas soube administrar a vantagem e quase fechou a partida em 28 a 24. Baltimore chegou a ter 11 de frente, mas sofreu a virada.

Porém, a reviravolta ainda estaria por vir, com menos de 2 minutos no relógio. O que, no futebol americano, pode ser uma eternidade.

Os Ravens arrancaram gritos dos torcedores das arquibancadas quando Lamar Jackson achou Matthew Hibner na endzone a menos de um minuto e meio para o fim. O time de Baltmore virou e Dallas chegou a buscar o empate e por muito pouco não forçou a prorrogação, a primeira em um jogo no Brasil.

Os Ravens tinham menos de 10 segundos no relógio, o que foi suficiente. O time subiu para o ataque, pediu tempo faltando 1 segundo para o fim e o kicker Tyler Loop acertou o chute que garantiu a vitória por 34 a 31 para Baltimore.

Primeira vez de NFL, mas não de futebol americano

A partida deste domingo não foi a primeira de futebol americano no Maracanã. Com apenas 'quatro anos de idade', o estádio foi palco de um jogo universitário da modalidade.

Em 11 de julho de 1952, a delegação da Miami Jackson High School fez uma exibição no Maracanã para um público relativamente bom. Estiveram em campo dois times da escola, enquanto a banda oficial da instituição cuidou do show fora de campo.

Brasil: destino certo

Já em 2025, quando foi feito apenas o segundo jogo da NFL no Brasil, na Neo Química Arena, houve a certeza de que o País seria um destino certo para mais partidas da liga. A dúvida era se o evento permaneceria em São Paulo ou se tentaria outros destinos.

O Rio mostrou que, não apenas pela festa dos cariocas, mas a organização também foi de alto nível. O Maracanã definitivamente entrou no radar dos executivos da NFL como uma opção não apenas viável, mas por ser um dos palcos mais emblemáticos e importante do esporte mundial. De tantos eventos com a bola rolando, a bola oval conseguiu seu espaço também.

Estadão
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