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"Não há mais o que dizer": motor do meio-campo, Bellingham impõe sua autoridade

11 jul 2026 - 22h33
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Existem jogadores que decidem e aqueles que mudam não apenas ‌uma partida, mas todo o clima em torno dela, elevando-a a algo completamente diferente. O inglês Jude Bellingham mostrou que pertence a esse segundo grupo com uma atuação dominante contra a Noruega.

Depois que a Inglaterra venceu a Noruega por 2 x 1 na prorrogação nas quartas de final da Copa do Mundo neste sábado, não havia dúvidas de quem era o herói mais uma vez, enquanto torcedores entoavam "Hey Jude" para ele, abafando a música dos Beatles que ⁠tocava nos alto-falantes.

Durante anos, a relação da Inglaterra com a Copa do Mundo se baseou em controlar a ansiedade, mas ‌Bellingham — mesmo com apenas 23 anos — permanece imperturbável diante da pressão, para ele, apenas mais um adversário para agarrar pelo pescoço.

A pressão é um privilégio no Santiago Bernabéu, onde Bellingham foi forjado pelo Real Madrid como um meio-campista ‌completo, mas no calor sufocante do Estádio de Miami, sua energia ‌infinita foi contagiante enquanto a Inglaterra se recuperava de um gol de desvantagem para avançar.

"ENCONTRAMOS UMA MANEIRA"

"Quando as ⁠coisas não estavam dando certo, encontramos uma maneira de vencer o jogo mais uma vez. Seja nos 90 (minutos), seja nos 120, vamos dar tudo de nós", disse Bellingham. "Vocês viram isso ali: quem estava pronto para entrar, entrou e arrebentou. Estou muito orgulhoso desta equipe mais uma vez e de estar na semifinal da Copa do Mundo."

A partida parecia destinada a se tornar um confronto frenético quando o norueguês Andreas Schjelderup marcou no primeiro tempo com um chute ‌que apenas ele pode confirmar se foi mesmo um chute ou um cruzamento.

A Inglaterra havia sido ineficaz no primeiro tempo, com ‌o capitão Harry Kane efetivamente neutralizado ⁠e sem receber passes.

Mas mesmo ⁠os planos mais bem elaborados podem dar errado e, quando a Inglaterra precisou de inspiração, Bellingham apareceu para empatar nos acréscimos do ⁠primeiro tempo.

O meia encontrou espaço e calculou sua corrida com perfeição, ‌exigindo a bola de Anthony Gordon, ‌entrando na área e chutando de um ângulo fechado com facilidade sublime. Foi seu quinto gol no torneio.

Bellingham desenvolveu um instinto extraordinário exatamente para esses momentos, acelerando para dentro da área quando todos os outros hesitam.

O TRABALHO AINDA NÃO TERMINOU

Não houve tempo para sua comemoração característica. Bellingham voltou imediatamente para o campo da Inglaterra ⁠para o reinício, após agradecer a Gordon pela assistência — totalmente focado, porque o trabalho ainda não estava concluído.

Kane pode estar usando a braçadeira de capitão e tentando sua segunda Chuteira de Ouro na Copa do Mundo, mas foi Bellingham quem primeiro se aproximou do artilheiro da Inglaterra no torneio e, depois, empatou com ele com seis gols.

Com os jogadores visivelmente cansados devido ao calor, Bellingham encontrou mais ‌uma reserva de energia ao ser o primeiro a chegar a um rebote após a defesa do chute de Morgan Rogers, passando facilmente pelo seu marcador para fazer 2 x 1.

Seu gol da vitória também o colocou empatado ⁠com Gary Lineker em mais gols marcados pela Inglaterra em um único grande torneio, sem contar pênaltis — uma conquista notável para um meia.

Desta vez, nada impediu sua comemoração: ele estendeu os braços e absorveu o rugido da torcida.

COMANDANDO SEUS COMPANHEIROS

Mesmo quando Kane começou a se cansar, Bellingham era o que estava mais à frente pressionando a defesa, olhando por cima do ombro e comandando seus companheiros para fechar os espaços contra os noruegueses.

A Inglaterra já teve jogadores talentosos antes — sejam criadores, artilheiros ou ícones —, mas Bellingham encarnou o pacote completo ao longo de 111 minutos antes de ser substituído, aproveitando o momento em uma partida decisiva de mata-mata que distingue os grandes nomes.

Ficou claro, porém, que ele estava no limite de suas forças após seus feitos heroicos na altitude da Cidade do México e, quando o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, o retirou, Bellingham saiu de campo sob uma merecida ovação de pé.

"Não há mais o que dizer", comentou Tuchel ao ser questionado sobre o desempenho de Bellingham. "Ele faz isso em todas as partidas. É um jogador de primeiro nível."

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