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Mudanças climáticas estão por trás do calor sufocante da Copa do Mundo, dizem cientistas

3 jul 2026 - 10h17
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As mudanças climáticas associadas ‌ao uso de combustíveis fósseis criaram as condições para um calor e uma umidade extraordinários, o que colocou pelo menos uma partida da Copa do Mundo em uma zona de risco potencial, de acordo com o grupo de cientistas climáticos World Weather Attribution.

A partida de sábado entre Paraguai e França ⁠está marcada para começar às 17h (horário da costa leste) na Filadélfia, com temperaturas ‌que excedem as recomendações do sindicato FIFPRO para a prática segura do esporte, à medida que uma onda de calor se instala sobre grandes ‌áreas dos EUA e partes do Canadá.

O ‌Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA alertou esta semana que a ⁠onda de calor — um sistema de alta pressão que retém o ar quente sob si — pode fazer com que os índices de calor atinjam de 40 a 46 graus Celsius em partes do Meio-Oeste e da Costa Leste, afetando muitos locais que sediarão a Copa do Mundo.

Essas condições ameaçam sobrecarregar as ‌redes de energia elétrica e afetar as comemorações ao ar livre do 250º ‌aniversário dos Estados Unidos ⁠durante o movimentado ⁠fim de semana do feriado de 4 de julho.

"Quando uma comemoração histórica do 4 de ⁠julho é interrompida e as partidas ‌da Copa do Mundo são ‌disputadas em condições inseguras para jogadores e torcedores, não deveria ser necessário outro estudo científico para acordar as pessoas", afirmou Friederike Otto, professora de Ciências Climáticas do Centro de Política Ambiental do Imperial College ⁠London, em um comunicado.

"A mudança climática está aqui, já está afetando as coisas de que desfrutamos em nosso dia a dia e continuará a piorar quanto mais adiarmos a inevitável transição para emissões líquidas zero."

Temperaturas altíssimas e umidade sufocante se tornaram um dos ‌principais temas de discussão do torneio, um ano depois que o sindicato mundial dos jogadores FIFPRO deu o alarme sobre o calor perigoso na Copa ⁠do Mundo de Clubes, disputada nos EUA.

O FIFPRO elogiou a Fifa em dezembro por se esforçar para "alinhar o planejamento do calendário da competição e a seleção dos locais com as preocupações em relação à saúde dos jogadores" na Copa do Mundo, mas afirmou que ainda havia algumas partidas que apresentavam riscos.

"A lição para todos no setor é que, com o aquecimento global, as condições de calor terão um papel cada vez mais importante nas decisões de programação de torneios e campeonatos no futuro", afirmou o FIFPRO.

A entidade que rege o futebol mundial, no entanto, não possui nenhuma regra que determine automaticamente o adiamento de uma partida devido ao calor extremo. A Fifa não se pronunciou imediatamente sobre o assunto.

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