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Motociclismo

Novo grupo quer reduzir riscos de motocross freestyle

31 jul 2009 - 18h10
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Duas semanas atrás, Cameron Sinclair, um profissional de motocross freestyle, sofreu uma dura queda durante uma prova em Madri, depois de fracassar na execução de um mortal duplo com a motocicleta. Seriamente ferido e sem qualquer pessoa capaz de falar espanhol entre seus amigos, parentes e equipe presentes, o australiano precisava de ajuda.

Internado em condição crítica com lesão cerebral, concussão, ruptura de fígado e fratura dos ossos faciais e ombro, ele rapidamente se tornou o beneficiário dos planos que a American Freestyle Motocross Association está começando a implementar: médicos da Califórnia, fluentes em espanhol, logo estavam em contato com seus colegas de Madri sobre a situação de Sinclair, e traduziram as informações para a noiva do motociclista, que estava com ele no hospital.

Agora que sua condição está estabilizada, uma apólice de seguros da associação vai ajudar a cobrir os custos de transporte aéreo médico do motociclista para sua casa em Melbourne - da ordem dos US$ 190 mil. A expectativa é de que Sinclair consiga se recuperar plenamente.

"O pessoal foi fantástico", disse Adam Bailey, o agente de Sinclair, que estava em Madri, antes de retornar aos Estados Unidos, na semana passada, para assistir aos X Games. As competições de motocross freestyle começaram na quinta-feira, no Staples Center. "Ao longo de todo o processo, nunca nos deixaram sozinhos".

No motocross freestyle, que envolve acrobacias motociclísticas realizadas em altitudes elevadas, e avaliadas por juízes, os concorrentes operam praticamente sem segurança, e o risco de morte e de lesões é constante. Ainda que o risco seja parte do que torna o esporte atraente, os fundadores da associação esperam obter sucesso exatamente quanto ao que projetos anteriores fracassaram: reduzir ao menos em parte os riscos ao proteger a segurança dos competidores, e ajudar nos tratamentos médicos quando as coisas vão mal.

A associação, que envolve tanto motociclistas quanto dirigentes do mundo dos esportes de ação, foi criada cerca de seis meses atrás, depois da morte de Jeremy Lusk, um dos mais conhecidos praticantes de motocross freestyle, vencedor de uma medalha de ouro no X Games de 2008.

Lusk, de Temecula, Califórnia, morreu em 9 de fevereiro depois de uma queda durante uma manobra conhecida como Hart Attack, em uma competição em San Jose, Costa Rica. Lusk não conseguiu completar o giro aéreo a uma altura de mais de seis metros, e caiu sobre o pneu da frente; ele terminou jogado ao chão de cabeça, sofrendo severos ferimentos na cabeça que resultaram em sua morte três dias mais tarde.

Os motociclistas dizem acreditar que ele tenha sido o único praticante da modalidade a ter morrido durante uma disputa, até o momento.

Quedas horrendas são parte do esporte, no motocross freestyle. Brian Deegan, que venceu mais medalhas do qualquer outro praticante da modalidade no X Games, perdeu um rim - e quase morreu - em uma queda em 2005, na filmagem de um programa de televisão. Ele atribuiu a queda ao vento forte no dia do salto. E afirma que o vento e a falta de tempo suficiente para treinar influenciaram a queda fatal de Lusk.

Enquanto lamentava a perda de seu amigo em um hotel da Costa Rica, no começo do ano, Deegan concebeu a ideia da American Freestyle Motocross Association. Além de coordenar a assistência médica, a associação pretende criar uma voz unificada entre os motociclistas para tratar da segurança em eventos e demonstrações profissionais e recreativos.

"O esporte do motocross freestyle tem apenas 10 anos", disse Deegan, 34, que mantém uma equipe de freestyle por meio da Metal Mulisha, sua marca de roupas. "Há muito dinheiro correndo para ele no momento, mas os atletas continuam sozinhos. Ninguém fala em nome deles".

Derivado do motocross convencional, o motocross freestyle se desenvolveu nos anos 90, no sul da Califórnia, quando os praticantes começaram a procurar colinas que permitissem a realização de manobras aéreas. Não demorou para que surgissem as primeiras competições em pequena escala. Quando o freestyle estreou no X Games, em 1999, a popularidade do esporte explodiu.

Mas o motocross freestyle continua a ser em larga medida desorganizado, com os motociclistas disputando provas em todo o mundo como contratados autônomos.

As tentativas passadas de união fracassaram, devido às táticas de negociação agressivas escolhidas por alguns atletas. Esses esforços incomodaram os empresários que promovem competições e custaram oportunidades e dinheiro aos atletas, em uma modalidade na qual muitos dos eventos só contam com atletas convidados. "No momento, precisamos enfrentar o fato de que muita gente tentou a mesma coisa no passado, sem sucesso", diz Deegan.

A associação espera engordar suas fileiras por meio de patrocínios empresariais e incorporação de motociclistas profissionais e recreativos que podem se inscrever em seu site, www.afmxa.com.

Tom Reed, diretor sênior de esportes e competição para o X Games, da rede de TV esportiva ESPN, afirmou que na opinião dos dirigentes da rede "temos de contar com todo o necessário para manter os atletas seguros" em eventos como o X Games, o que inclui pistas seguras e atendimento médico adequado. Mas ele afirmou que a associação poderia ajudar a melhorar a segurança em eventos menores e mais novos.

Travis Pastrana, que competirá no Moto X Best Trick, um dos eventos do X Games, diz que um grupo como a associação não era necessário para os eventos maiores, televisados, mas sim para as operações de menor porte, nas quais os motociclistas em ascensão conquistam seu espaço.

"A organização pode trabalhar em benefício dos mais jovens, que têm menos influência e sentem medo de se pronunciar", disse. "Creio que chegou em boa hora".

Tradução de Paulo Migliacci

The New York Times
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