MotoGP: Dispositivos de largada estão no centro do debate sobre acidentes na primeira curva
Tecnologia usada nas largadas é apontada por pilotos como fator de risco nas primeiras curvas
Os dispositivos de altura e largada das motos voltaram ao centro das discussões na MotoGP após uma série de acidentes envolvendo múltiplos pilotos nas primeiras curvas das corridas. Desta vez, foi Maverick Viñales quem apontou a tecnologia como um dos principais fatores de risco nas confusões logo após a largada.
Segundo o espanhol, o problema não está necessariamente no ganho de aceleração proporcionado pelos dispositivos, mas sim no processo de desativação do sistema antes da primeira curva. Para liberar a suspensão dianteira, os pilotos precisam realizar uma frenagem. Quando o mecanismo não destrava na primeira tentativa, muitos são obrigados a aliviar os freios e frear novamente, criando situações imprevisíveis em meio ao pelotão.
“Os dispositivos têm um papel importante porque, para desativar a dianteira, é preciso frear muito forte. Às vezes, se não funciona, você precisa soltar o freio e tentar novamente”, explicou o piloto espanhol.
Na visão de Viñales, a simples remoção desses sistemas já representaria um avanço significativo em termos de segurança.
O tema ganhou força após o acidente coletivo na primeira curva do GP da Hungria, quando Jorge Martin perdeu o controle da moto durante a frenagem e provocou uma queda envolvendo vários pilotos. O incidente reacendeu os pedidos para que a categoria antecipe a proibição dos dispositivos de altura, prevista para entrar em vigor apenas a partir de 2027.
Outro defensor da mudança é Jack Miller. Ele acredita que a necessidade de realizar uma manobra de frenagem “não natural” para desativar o sistema aumenta o risco de erros. Segundo o australiano, os pilotos chegam à primeira curva em velocidades cada vez maiores e ainda precisam se preocupar em liberar os dispositivos, tornando a situação mais perigosa.
Diogo Moreira também compartilha dessa opinião. Para o piloto da Honda, os dispositivos tornam ainda mais difícil parar a moto na primeira curva, especialmente em circuitos onde a frenagem já é naturalmente complicada.
Apesar das críticas, nem todos concordam que a tecnologia seja a principal responsável pelos acidentes. Alguns pilotos e dirigentes argumentam que as largadas sempre foram momentos de alto risco na MotoGP devido à concentração de motos, as diferenças de trajetória e as frenagens extremas. Após o GP da Catalunha, líderes do campeonato defenderam que os dispositivos não são a causa direta dos incidentes, mas apenas um dos diversos fatores envolvidos.
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