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Mbappé rebate declarações racistas de senadora paraguaia após vitória da França

6 jul 2026 - 17h55
(atualizado às 20h46)
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O atacante francês Kylian Mbappé ‌respondeu a uma senadora paraguaia nesta segunda-feira, dizendo que ela é uma "mulher desprezível", após a política lançar um ataque racista contra ele depois da eliminação do Paraguai na Copa do Mundo.

O pênalti convertido por Mbappé fez a diferença em uma partida acirrada e tensa, na qual a França venceu por 1 x 0 na Filadélfia no último sábado, ⁠para avançar às quartas de final.

Celeste Amarilla escreveu um longo discurso racista repleto de insultos ‌no X, descrevendo Mbappé como um "camaronês colonizado, tentando desesperadamente se passar por francês" e como um "bruto" que não havia aprendido a escrever. Os jogadores do Paraguai deveriam ter ‌dado um tapa nele após a partida, acrescentou.

Mbappé, capitão ‌da França, respondeu com um comunicado contundente, defendendo não apenas a si mesmo, ⁠mas também os jogadores do Paraguai.

"Senhora Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna de seu cargo. A senhora não representa o Paraguai, esse país que derramou suor e demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição", escreveu.

"Por causa da sua imprudência e de seu racismo descarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e ‌o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta Copa do Mundo, abrindo caminho para ‌uma mulher incompetente que passa ⁠a pior imagem possível ⁠de seu país."

"Nunca permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de espalhar seu ódio e ⁠racismo pelo mundo."

QUEIXA CRIMINAL

A Federação Francesa de Futebol (FFF) ‌levou o caso adiante, anunciando ‌planos de entrar com uma ação criminal e descrevendo as declarações dela como "absolutamente abomináveis e inaceitáveis".

"Essas declarações são criminosas e repreensíveis. Elas devem ser processadas aqui, assim como em qualquer outro lugar. A Federação está encaminhando o caso ao Ministério ⁠Público com vistas a um processo judicial", afirmou.

"Essas declarações são uma vergonha para quem as profere e para quem as divulga. Os jogadores da seleção francesa representam a França. É o nosso país que está sendo insultado."

O governo paraguaio afirmou que "lamenta e rejeita as declarações" feitas por Amarilla e que elas ‌são "contrárias aos valores e princípios que inspiram a coexistência pacífica e o respeito à dignidade humana que nosso país promove".

"As declarações da legisladora mencionada correspondem exclusivamente ao exercício ⁠de sua responsabilidade individual como integrante do Poder Legislativo e de forma alguma representam a posição do Governo da República do Paraguai ou do povo paraguaio", afirmou em comunicado.

O gabinete do presidente francês Emmanuel Macron disse que o presidente paraguaio lhe escreveu para expressar apoio e condenou as declarações.

Basilio Núñez, presidente do Congresso Nacional, afirmou que os comentários não representam os "valores genuínos" dos paraguaios.

"Como presidente do Congresso Nacional, rejeito veementemente mensagens racistas, xenófobas e aquelas que incitem violência contra qualquer pessoa", disse Núñez.

"A seleção paraguaia deu tudo de si com honra e garra na Copa do Mundo. Política e esporte devem ser mantidos separados."

O técnico adjunto da França, Guy Stéphan, afirmou: "Ainda não conversamos com Kylian, não tivemos a oportunidade."

"Mas, em três palavras: é vergonhoso, vil, ultrajante."

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