De vilão a mocinho, Sonnen conquista brasileiros após TUF 3
Chael Sonnen conseguiu o que era inimaginável há pouco tempo. Odiado por brasileiros após declarações ofensivas contra Anderson Silva e ao País, o americano virou o jogo, foi de vilão a mocinho e conquistou fãs.
Sonnen aceitou a árdua missão de ser um dos técnicos da terceira edição do The Ultimate Fighter Brasil, junto a Wanderlei Silva, um dos ídolos do País no MMA. Antes de começar a gravação do reality show, o lutador americano temia, inclusive, por sua segurança. Porém, com a exibição do programa e as seguidas declarações positivas dos lutadores, um outro Chael Sonnen começou a aparecer.
No último final de semana, centenas de pessoas fizeram fila para pegar um autógrafo e tirar foto com o americano, antes da pesagem oficial da decisão do TUF 3, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. No sábado, após a vitória de dois dos seus atletas, os lutadores fizeram questão de elogiar o treinador, arrancando aplausos dos torcedores paulistas.
Primeiro foi a vez de Marcos "Pezão", que admitiu uma mudança de pensamento sobre o americano. "Gostaria de agradecer Chael Sonnen. Eu tinha uma imagem dele que mudou completamente, você é um exemplo de atleta", disse ainda no octógono. Depois foi a vez de Warlley Alves, campeão dos pesos médios da casa. "Chael, agora é com você irmão!", deixando clara sua torcida para o treinador que sobe no octógono no UFC 175.
Aliás, a reviravolta envolvendo a próxima luta de Sonnen também o ajudou a melhorar sua imagem no Brasil. Wanderlei Silva, seu rival no reality show, acabou sendo excluído do combate por recusar fazer exames médicos obrigatórios, o que fez sua imagem ficar arranhanda com os brasileiros, tendo, inclusive, seu nome vaiado na decisão do TUF 3. Vitor Belfort foi o escolhido para o duelo.
Simpático e atencioso com os jornalistas, atletas e fãs do UFC, Sonnen brincou e disse que é difícil manter o personagem de vilão. "É quase impossível. No TUF, com tantas câmeras em cima de você, fica complicado e não tem como se esconder. Sou muito melhor em uma entrevista de 30 segundos. Quando você é observado por 24 horas por dia, eu não sou tão bom ator assim", disse, dando risadas.
Sonnen ressaltou que o importante é ser autêntico. "Eu não sou o cara que precisa ser aplaudido. Eu me dou bem com as vaias. Nunca pedi para ser aprovado a uma torcida. Vejo vários lutadores implorando por um aplauso. Seja você mesmo e deixe a torcida decidir. Pode ser que não gostem de você, mas pode ser que gostem. Mas deixe que eles decidam. Seja você mesmo. Não tente ser uma fraude. Eu não sou o tipo de pessoa que fica pedindo para ser aplaudido ou tenta fazer com que as pessoas comprem minha camiseta. Eu vou ser eu mesmo e você decide para quem vai torcer".
O americano acha complicado pontuar o que foi decisivo para essa mudança em seu relacionamento com os brasileiros. "Isso é muito difícil de se dizer. Meu palpite é que eles finalmente perceberam que eu estava atrás de uma luta com Anderson, e não era realmente um problema com eles", disse o americano.
Chael, por sinal, se surpreendeu com o carinho dos brasileiros. "O amor é recíproco. Eu fiquei um poco surpreso com a maneira como eles me trataram. Eu passei um tempo considerável falando mal deles. Mas os brasileiros são muito espertos, era meus cúmplices e no final queríamos a mesma coisa. Eles queriam me ver derrotado por Anderson e eu só queria uma luta com ele", confessou. "Tudo que fiz foi deixá-los com raiva de mim. Mas isso foi em 2012, o tempo passou, tive minha oportunidade e acabou. Quando apertei a mão de Anderson, tudo acabou", completou.
Quando perguntado se sua opinião sobre o Brasil havia mudado, Sonnen foi preciso. "Eu tive uma passagem muito boa pelo Brasil. Quando me perguntaram isso, eu disse que não. Porém, eu nunca falei o que realmente pensava sobre esse País".
Sobre a possibilidade de lutar no Brasil, com a torcida a seu favor, Sonnen demonstrou otimismo. "Sim, eu gostaria e agora fantasio isso. Mas mesmo quando eu não tinha o apoio da torcida eu queria vir ao Brasil e lutar. Anderson (Silva) e eu deveríamos lutar aqui em um determinado momento e eu queria andar pela torcida ouvindo vaias, com as pessoas arremessando bebidas em mim, bravos. Eu me dou bem nessas condições", assumiu.
Em 2012, antes da revanche contra Anderson Silva, Sonnen chegou a falar mal da mulher do lutador brasileiro, dizendo que arrombaria a porta de trás da sua casa e daria um "tapinha na bunda de sua mulherzinha". Ainda antes do combate, ele também disse que traria na bagagem produtos que não existiam no Brasil, como sabonete e computador.
Apesar da confusão, o americano não se arrepende do que fez para promover a luta. "Eu não me desculpo e não me arrependo de ter feito isso. Consegui minhas lutas. É muito dificil você ter oportunidades nesse esporte, ainda mais duas chances com Anderson Silva, mas consegui. Tive que quebrar alguns ovos para fazer o omelete. Foi calculado, levou algum tempo e é assim que funciona", finalizou.