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Prejuízo e investimento futuro: a consequência financeira da grama sintética do Atlético-PR

Furacão investiu R$ 4 milhões entre Arena da Baixada e CT do Caju para instalação do piso artificial

21 fev 2017
21h12
atualizado em 22/2/2017 às 02h20
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Aprovado pela maioria dos clubes da Série A, o regulamento do Brasileiro de 2018 traz a proibição do gramado sintético nos estádios. A mudança atinge especialmente o Atlético-PR, que investiu aproximadamente R$ 4 milhões, de acordo com apuração do Lance!, nesse projeto na Arena da Baixada e no CT do Caju. E ainda terá que gastar para a troca em um futuro próximo.

Com um rio passando embaixo, o gramado do Joaquim Américo sempre foi problemático: desde a antiga e incompleta Arena em que o sol só batia em uma parte do campo até a instalação do teto retrátil, que não resolveu a questão. O clima da capital paranaense também não ajudava.

O piso artificial, assim como a natural, exige irrigação e manutenção, mas nada se compara ao campo antigo. A exigência da Fifa em utilizar o padrão de grama da entidade para a Copa de 2014 obrigou o Furacão a gastar um alto valor com as despesas.

Sem a luz natural para atingir todo o gramado, a solução rubro-negra foi comprar uma máquina de iluminação artificial. Mensalmente, o clube paranaense desembolsava R$ 200 mil com a manutenção, sendo R$ 80 mil de energia. Somando os meses, a despesa atleticana era de R$ 2,4 milhões por ano.

Pela economia e com a grande durabilidade, podendo ser utilizada sem restrições em qualquer dia e horário, o Atlético-PR viu a grama sintética como o investimento ideal para resolver a questão. Em 2015, a diretoria consultou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa, sendo autorizada por ambas.

Grama sintética na Arena da Baixada terá que ser trocada em 2018. (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)
Grama sintética na Arena da Baixada terá que ser trocada em 2018. (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)
Foto: Lance!

Com investimento de R$ 4 milhões, a inauguração aconteceu em março do ano passado. Na coletiva de apresentação, ainda em novembro de 2015, o presidente Luiz Sallim Emed garantiu que o retorno aconteceria em, no máximo, um ano.

Além do estádio, o Furacão ainda levantou um ginásio com a grama sintética no CT do Caju neste ano. A Arena tinha a função multiuso, sendo utilizada para shows e eventos fora do futebol, como UFC e jogo de vôlei, que geram um bom dinheiro para ser investido. Nenhum prejudicava a qualidade da tecnologia. Tudo jogado fora com a nova medida.

- É um retrocesso e vamos fazer de tudo para reverter isso. A qualidade é comprovada - garantiu o mandatário rubro-negro.

A esperança atleticana é que a Fifa interfira na questão, mas a entidade não vai se intrometer com a filiada CBF - assim como fez em Portugal, quando os clubes decidiram que o Boavista também tinha que parar de usar a grama sintética e a Liga Portuguesa acatou.

As equipes brasileiras, no próximo conselho gestor, podem alterar a decisão e aprovar o retorno do piso artificial. Apenas Atlético-PR, Coritiba, Palmeiras, Bahia e Sport votaram a favor do uso na reunião da última segunda-feira.

Quanto custa um novo gramado?

Máquina de luz artificial gerava custo de R$ 80 mil de luz para o Furacão. (Maurício Mano/Atlético-PR)

Fora o gasto de R$ 4 milhões jogado fora com a nova imposição, o Furacão ainda precisará instalar a grama natural. A reportagem apurou com especialistas que o custo vai depender do que foi feito para a utilização da grama sintética.

Se toda a estruturação foi desfeita anteriormente, imagina-se que o valor chega a R$ 500 mil. Caso tenha sido mantida, o custo diminui. Por outro lado, por ter pouco tempo entre o fim da Série A de 2017 e o início das competições do ano que vem, o investimento terá que ser maior para dar tempo. Em resumo, as pessoas ouvidas falaram que o novo gramado não sai por menos de R$ 350 mil.

Como forma de comparação, o estádio Mané Garrincha firmou um contrato no valor de R$ 1.126.882,20 com a Greenleaf Projetos e Serviços para a instalação e manutenção anual. O custo mensal é de R$ 94 mil - menos da metade do que o clube paranaense gastava. O Maracanã, antes do abandono atual, tinha gasto de R$ 100 mil por mês.

Um campo padrão de futebol não custa menos que R$ 150 mil. Os gastos são divididos em: nivelamento do terreno, sistemas de drenagem e irrigação, camada de topsoil, adubo, placas ou blocos de grama, acabamento e pagamento da construtora.

Em terras lusitanas, a Liga Portuguesa pagou a troca de gramado do Boavista após a decisão dos clubes. A CBF fará igual?

Lance!
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