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Olimpíadas: 'Um ano atrás, eu queria parar de nadar', revela Ana Marcela após 4º lugar em Paris

Baiana de 32 anos teve ciclo difícil após o ouro em Tóquio; um dos maiores nomes do nado em águas abertas, a atleta começou a nadar aos 2 anos e superou doença rara

8 ago 2024 - 05h38
(atualizado às 05h51)
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Ana Marcela Cunha não conseguiu repetir o ouro de Tóquio-2020 nos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Ela terminou a prova da maratona aquática na quarta posição. Mesmo que lamente o resultado, a nadadora se sente feliz por representar o Brasil após quase desistir.

"O 4º lugar é pior que o 5º. É um abismo entre uma medalha novamente e ser por pouco", refletiu, com a voz embargada, após a prova, em entrevista à TV Globo. "Um ano atrás, eu falei para minha família e minha psicóloga que eu queria parar de nadar. Quase deixei de ir para a seletiva olímpica. Foi um ano difícil, mas acho que, a cada treino e prova, eu me superei muito", revelou.

No final de 2022, Ana Marcela foi submetida a uma cirurgia no ombro e ficou fora de competições por cerca de cinco meses. Depois, não conseguiu confirmar a vaga em Paris no Mundial de 2023, em Fukuoka. A confirmação veio no Mundial de Doha, em fevereiro deste ano.

Neste período, a nadadora baiana também mudou de rotina. Ela se mudou para a Itália, onde continuou os treinamentos junto ao técnico Fabrizio Antonelli. Os últimos meses foram dedicados à prova de hoje, inclusive abdicando de participar de etapas do Circuito Mundial de maratona aquática.

Nadadora iniciou na natação com apenas 2 anos e superação de doença rara

Ana Marcela começou a nadar aos 2 anos, em aulas de natação na creche que frequentava em Salvador, na Bahia. Aos 8, passou a competir por influência do pai, o ex-nadador George Cunha, e também da mãe, ex-ginasta. A atleta demonstrou talento desde a infância para as disputas de águas abertas, tanto em mares quanto em rios, além de se destacar nas provas de fundo em piscinas.

O talento nato para a natação levou a atleta a estrear em Jogos Olímpicos com apenas 16 anos, em 2008, quando ficou com o quinto lugar da maratona aquática, resultado considerado histórico. Dois anos antes, a brasileira já havia conquistado dois ouros no Sul-Americano de Buenos Aires.

Ana Marcela Cunha iniciou 2017 correndo atrás do tempo depois de pausa forçada na carreira
Ana Marcela Cunha iniciou 2017 correndo atrás do tempo depois de pausa forçada na carreira
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Apesar do início de carreira promissor, Ana Marcela teve de lidar com frustrações olímpicas. Ela não conseguiu se classificar e ficou fora da Olimpíada de Londres-2012. Quatro anos depois, na Rio-2016, a atleta era favorita para subir ao pódio, mas um erro da sua equipe atrapalhou o seu desempenho. Os treinadores deixaram cair no mar a alimentação que a atleta deveria ingerir durante a prova. Sem a força necessária para competir com as adversárias, a soteropolitana encerrou em décimo.

O ciclo para os Jogos Olímpicos de Tóquio foi marcado por um drama pessoal. Em 2016, Ana Marcela descobriu uma doença autoimune que destrói a produção de plaquetas sanguíneas, células responsáveis pelo processo de coagulação. Ela teve de se submeter a uma cirurgia para retirada do baço para manter a produção de plaquetas em um nível saudável, além de evitar complicações futuras. A nadadora faz uso de vacinas e antibióticos para ajudar o sistema imunológico ativo.

A doença foi descoberta depois de Ana Marcela sentir um mal-estar após uma prova em Salvador. Foi verificado que o número de plaquetas da atleta estava em 110 mil, quando o número normal ultrapassa a marca de 200 mil. Ela precisou passar por exames dolorosos, incluindo uma biópsia na medula para avaliar a possibilidade de câncer, e a retirada de 30 frascos de sangue em um único dia. A atleta se recuperou bem, apesar de a causa da doença ser incerta até hoje.

O tão sonhado ouro olímpico veio em 2021, nos Jogos de Tóquio, dois anos após subir ao lugar mais alto do pódio no Pan de Lima. Ana Marcela completou a distância de 10 km em 1h59min30s8, coroando a carreira de uma das maiores nadadoras de águas abertas da história. Desde então, a atleta alcançou o heptacampeonato em Campeonatos Mundiais, e o quinto ouro em Jogos Sul-Americanos. No Pan de Santiago-2023, ela ficou com a prata.

Estadão
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