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Mesmo com recorde de medalhas, Brasil fica devendo em Tóquio

Promessa de potência olímpica feita anos atrás se mantém longe da realidade

6 ago 2021 09h54
| atualizado às 11h25
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O espetáculo de Rebeca Andrade na ginástica artística, a excelência de Ana Marcela na maratona aquática e os ótimos resultados no boxe são exceções. No geral, o Brasil tende a ficar devendo na soma de medalhas em Tóquio mesmo superando a marca da Rio 2016, de 19 pódios, a maior conquistada até a Olimpíada do Japão. Com a presença do vôlei feminino na final, já garantiu seu recorde - serão no mínimo 20.

Isso pode parecer uma incoerência. E é mesmo. Mas deve ser atribuída aos dirigentes do esporte nacional que prometiam antes de 2016 um Brasil-potência olímpica já a partir de Tóquio 2020.

Alison, da dupla com Alvaro Filho, durante derrota para rivais da Letônia no torneio de vôlei de praia na Tóquio 2020
04/08/2021 REUTERS/Pilar Olivares
Alison, da dupla com Alvaro Filho, durante derrota para rivais da Letônia no torneio de vôlei de praia na Tóquio 2020 04/08/2021 REUTERS/Pilar Olivares
Foto: Reuters

Se não levarmos em consideração as medalhas do skate (três, com Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros) e a do surfe, com Ítalo Ferreira, o Brasil ficaria, tudo indica, aquém das 19 medalhas. Esses dois esportes não integravam o calendário dos Jogos no Rio.

Todas as modalidades nas quais o Brasil conquistou medalhas em 2016 foram mantidas para a Olimpíada de Tóquio.

Para ser potência olímpica, o País tem que sobressair em esportes que ofereçam, juntos, centenas de medalhas. Na natação, por exemplo, foram 111 ao todo no Japão. O Brasil só ficou com três – considerando-se o feito de Ana Marcela; as outras foram com Bruno Fratus (50m livre) e Fernando Scheffer (200m livre), ambas de bronze.

No ciclismo, com 66 medalhas distribuídas nas modalidades BMX Racing, Pista, Estrada, Mountain Bike e BMX Freestyle Park, o Brasil não obteve nenhuma. No judô, tradicional entre brasileiros, com 60 em disputa, só ganhamos duas: de bronze (Mayra Aguiar e Daniel Cargnin).

O abismo maior é no atletismo. Apesar do sucesso com o bronze de Alison dos Santos (400m com barreiras) e Thiago Braz (salto com vara), o Brasil terminará os Jogos atrás de mais de 30 países que brigam pelas 144 medalhas da agenda desse esporte.

Uma das razões por que o País fracassou pós-2016 pode ser atestada no desabafo de Alison Cerutti, tão logo foi eliminado junto com Álvaro Filho nas quartas de final do vôlei de praia. Ele disse que falta atenção, investimento e estrutura para a modalidade. Como assim? Lá atrás, desde a escolha do Rio como sede, em 2009, tudo ia às mil maravilhas.

 

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