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Jogos de Inverno

Olimpíadas viram "faca de dois gumes" para países-sede emergentes

15 fev 2014 - 14h25
(atualizado às 14h34)
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Sediar uma Olimpíada ou Copa do Mundo pode demonstar o crescimento de um país ambicioso, mas também escancarar suas fraquezas. Nesta semana, em Sochi, o custo exorbitante dos Jogos de Inverno na Rússia e as falhas logísticas chamaram tanta atenção quando os patinadores e snowboarders. Os organizadores, porém, dizem que os problemas serão esquecidos rapidamente graças às melhorias de infraestrutura, atenção internacional e o novo resort de inverno que será um legado por décadas.

<p>Em jogo tenso no Bolshoy Ice Dome, Estados Unidos venceram a Rússia nos pênaltis pela primeira fase do hóquei no gelo na Olimpíada de Sochi</p>
Em jogo tenso no Bolshoy Ice Dome, Estados Unidos venceram a Rússia nos pênaltis pela primeira fase do hóquei no gelo na Olimpíada de Sochi
Foto: Getty Images

A Rússia não está sozinha nesta situação. O Brasil, a África do Sul, a Índia e outras economias em crescimento que buscaram melhorar sua imagem sediando megaeventos esportivos podem ser forçadas a conviver com acusações de má administração, corrupção e inversão de prioridades.

Casos assim já acontecem há meio século. Os Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 ajudaram o Japão pós-guerra a exibir sua restruturação e progresso tecnológico, com os espectadores maravilhados com as cidades reconstruídas e o novo trem-bala. Em 1988, a Coreia do Sul usou os Jogos de Seul para destacar uma economia industrial moderna. E quatro anos atrás, a África do Sul fez uso da Copa do Mundo para mostrar como a nação se reergueu do apartheid.

Ansioso para melhorar sua imagem mundial e atrair investidores, o Brasil atravessa o grande desafio de sediar a Copa do Mundo neste ano, e apenas dois anos depois, a Olimpíada no Rio de Janeiro. Isso agravou as reclamações de que políticos brasileiros desperdiçam dinheiro em símbolos de status e economizam nos serviços públicos. Moradores de bairros pobres do Rio dizem que milhares foram despejados para dar lugar a instalações esportivas.

"É dinheiro que deveria estar sendo gasto em educação, saúde, segurança pública, transporte e moradia", diz Ana Maria Lopes Cruz, manicure de 35 anos que mora em São Paulo. "Nós passamos a maior parte do ano pagando altos impostos, e para quê? Para pagar pela Copa do Mundo, para parecermos bonitos perante o mundo?".

Alegações sobre os benefícios econômicos a longo prazo que vêm da Olimpíada ou da Copa do Mundo foram, em sua maioria, desmentidas por pesquisadores. Mas um evento de destaque pode colocar uma cidade no mapa do turismo global. Os Jogos Olímpicos de 1992 fizeram isso por Barcelona, o centro de negócios da Espanha.

O esporte pode atrair atenção de investidores e fornecer dicas - às vezes, perturbadoras - a respeito do processo de tomada de decisões e das condições econômicas do país-sede. "O países sediam esses eventos como um caríssimo exercício de publicidade", diz Jorge Mariscal, chefe do departamento de investimento para mercados emergentes na UBS. "É uma faca de dois gumes. Eles mostram suas coisas boas, mas também suas coisas ruins".

A Olimpíada de Pequim 2008, por exemplo, foi vista como um sucesso e exibiu as habilidades do Partido Comunista de planejar e coordenar. Mas também escancarou as características mais brutais do partido. Para construir estádios, bairros da capital chinesa foram demolidos, ignorando os protestos dos moradores. Sob pressão para respeitar os direitos humanos, as autoridades delimitaram áreas para protesto - e prenderam as pessoas que tentaram usá-las.

Fonte: AP AP - The Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser copiado, transmitido, reformado o redistribuido.
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