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Com audiência de 27 milhões, hóquei olímpico supera NHL

2 mar 2010
15h18
atualizado às 16h55

Richard Sandomir

A vitória da seleção masculina de hóquei do Canadá sobre a dos Estados Unidos, por 3 a 2, na decisão da medalha de ouro da Olimpíada de Inverno de Vancouver, domingo, capturou o interesse do público dos Estados Unidos de uma forma que as finais da Copa Stanley, referente à NHL, a liga profissional americana do esporte, jamais conseguiram.

O jogo decidido na prorrogação teve 27,6 milhões de telespectadores, à tarde, um número que durante os jogos só foi excedido por duas das transmissões em horário nobre da rede de televisão NBC. Apenas a cerimônia de abertura e a noite em que a NBC exibiu três desempenhos que valeram ouro aos Estados Unidos, entre os quais provas vencidas por Lindsey Vonn e Shaun White, atraíram maiores audiências.

O jogo foi assistido por mais americanos do que na comparação com quaisquer das quatro noites de transmissão da patinação artística feminina e masculina.

Em seu pico, no horário das 17h30 às 18h30 (tempo da costa leste dos Estados Unidos), quando a seleção norte-americana empatou o jogo, havia 34,8 milhões de telespectadores nos Estados Unidos. O jogo foi assistido por quase 9% da população do país, e todos os telespectadores o viram ao vivo, uma decisão anunciada na sexta-feira. A programação original relegava a partida a um replay, nos fusos horários das montanhas Rochosas e do Pacífico.

No Canadá, o jogo foi transmitido por nove redes, com audiência de 16,6 milhões de telespectadores - pouco menos de metade da população. "Só metade do país assistiu?", brincou John Collins, o vice-presidente de operações da NHL. "Acho que isso não bate".

Dada a pressão sobre a equipe anfitriã pela conquista da medalha de ouro, não surpreende que o jogo se tenha tornado o programa de televisão mais assistido na história do Canadá, um país em que o hóquei é obsessão. Os torcedores recordarão por muito tempo o narrador Chris Cuthbert, da rede CTV, dizendo que "esses jogos de ouro agora têm seu momento dourado" quando Sidney Crosby marcou o gol da vitória.

Nos EUA, o hóquei não atraía público da ordem de 27,6 milhões de telespectadores desde os jogos de inverno de 1980. Naquele ano, a semifinal entre americanos e soviéticos, apelidada de "milagre no gelo", foi transmitida com atraso, às 20h, no horário da costa leste, e atraiu 34,2 milhões de telespectadores. Dois dias depois, quando os norte-americanos derrotaram a Finlândia e obtiveram a medalha de ouro, a partida atraiu 32,8 milhões de telespectadores.

Em 2002, a disputa da medalha de ouro entre Canadá e EUA, em Salt Lake City, também transmitida ao vivo de tarde, atraiu 17,1 milhões de telespectadores. Em 1992, a semifinal entre os Estados Unidos e a equipe unificada antiga União Soviética, em Albertville, França, teve 11,7 milhões de telespectadores.

O jogo de domingo levou mais jeito de uma partida de primeira rodada nos playoffs da NFL. O jogo entre New York Jets e Cincinnati Bengals, neste ano, foi visto por em média 25 milhões de telespectadores, enquanto a partida entre Baltimore Ravens e New England Patriots atraiu 27,4 milhões de pessoas. Os dois jogos foram disputados à tarde. Das quatro partidas de quartas de final, o jogo entre Arizona Cardinals e New Orleans Saints foi o menos assistido, com 27,9 milhões de telespectadores, um resultado parecido com o do hóquei olímpico.

A disputa pela medalha de ouro aproveitou o tempo frio que manteve as pessoas em casa e o ímpeto construído pela vitória norte-americana sobre o Canadá na fase de grupos da olimpíada, assistida por 21 milhões de pessoas em ambos os países.

"Creio que a equipe olímpíca de hóquei dos Estados Unidos conte com a simpatia de muitos telespectadores, desde o milagre no gelo", disse Brad Adgate, vice-presidente de pesquisa da Horizon Media, em mensagem de e-mail. "Sempre que a seleção chega a uma disputa de ouro olímpico, os índices de audiência disparam, mas isso não influencia a audiência dos jogos regulares ou dos playoffs da NHL".

A NHL espera que ele esteja errado e que os benefícios do desempenho de primeira linha de seus melhores atletas e o incentivo do nacionalismo ajudem a organização.

"Não creio que isso possa ser comparado a qualquer outra coisa", disse Collins. "É algo de único, e demonstra o apelo de nosso esporte e o quanto ele se globalizou. Sabemos que o momento mudou. Isso mostra o progresso do jogo, e ele avançou muito. Para os nossos torcedores, foi uma partida com a mesma intensidade de uma decisão da Stanley Cup".

Mas a NHL vem enfrentando dificuldades para conquistar grandes audiências na pós-temporada. No ano passado, a série final entre Pittsburgh Penguins e Detroit Red Wings teve média de 4,5 milhões de telespectadores nas redes NBC e Versus, com um pico de 7,9 milhões no sétimo e último jogo.

O Winter Classic, que é jogado ao ar livre no dia 1° de janeiro, foi criado três anos atrás e injetou adrenalina nos índices de audiência da liga. Conquistou 3,75 milhões de telespectadores em 2008, 4,4 milhões em 2009 e 3,68 milhões este ano.

"Há três anos estamos falando sobre a necessidade de reforçar a audiência nacional nas redes de cabo e de usar a mídia digital para atender a uma base de torcedores que sente apetite insaciável pelo jogo", disse Collins. Ele acrescentou que o sucesso do hóquei olímpico em Vancouver "não representa necessariamente a hora da virada, mas ilustra que a oportunidade existe".

"Os torcedores assistiram porque o hóquei exibido era excelente", disse Collins. "E o nacionalismo também ajudou".

Determinar se isso se traduzirá nas plateias ao vivo, na NBC, na Versus, nas estações locais de TV e na Internet- em audiências maiores é uma incógnita para uma organização que ainda não determinou se suspenderá sua temporada por duas semanas para os jogos de inverno de 2014, em Sochi, Rússia. Os benefícios de liberar os atletas para servir suas seleções em um país distante podem ser menores do que em uma cidade que conta com uma equipe da NHL, como Vancouver.

Mas será que a NHL conseguirá resistir?

Hóquei no Gelo (M) - USA 2X3 CAN - Final
The New York Times
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