Jogador camaronês sonha conhecer projetos da Cidade de Deus
Ekotto, fundador BAE32, quer jogar a Copa do Mundo e ainda visitar projetos sociais em comunidades carentes cariocas
Engana-se quem pensa que a maior vontade do lateral-esquerdo da seleção de Camarões, Benoît Assou-Ekotto, 30 anos, seja apenas enfrentar o Brasil, hoje, em Brasília, pela Copa do Mundo. Um dos anseios do craque, em sua passagem pelo País, é conhecer os projetos sociais das comunidades Rocinha e Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
Ekotto é fundador e diretor da fundação filantrópica BAE32, criada em 2011 e localizada no Reino Unido, que por meio de figuras do esporte e apoiadores ligados à indústria do entretenimento, visa oferecer empregos para jovens do mundo todo nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. As bases da entidade vêm de programas e estudos feitos por ele em países como África do Sul, Camarões, França, EUA, Malásia, Nigéria e Tailândia.
Nascido na França e naturalizado camaronês, o jogador, emprestado pelo Tottenham ao Queen Park Rangers, ambos clubes da Inglaterra, é repleto de tatuagens no corpo que bradam contra a violência infantil no continente africano e revela um estilo inconfundível com seu penteado black power. Sua relação com o esporte intriga a imprensa: “O futebol é apenas minha profissão, não exatamente a minha paixão”. A citação forte, no site oficial do lateral-esquerdo, expressa bem um de seus maiores valores: “Nem tudo na vida é futebol”.
O fato que alterou, definitivamente, a percepção do jogador em relação ao esporte foi uma grave lesão em seu joelho, em dezembro de 2006. “Quando o cirurgião te diz que você pode nunca mais jogar futebol, muitas coisas mudam na sua cabeça. Quando ele te fala em encerrar a carreira aos 22 ou 23 anos... você começa a reavaliar os fatos. Isso mudou muitas coisas na minha vida.”
Ele vai além
Seu trabalho social vai muito além das ações realizadas por sua fundação. Após ler uma edição do jornal britânico Evening Standard em um metrô de Tottenham, Ekotto se mobilizou a doar recursos ao Dispossessed Fund, organização inglesa que ajuda instituições de caridade no combate a formação de gangues. Mais do que isso, o jogador incentivou seus companheiros de Premier League (Campeonato Inglês) a destinarem um centésimo de seus salários para causas locais.
“Embora a tecnologia tenha encurtado as distâncias, ainda vivemos muito separados. Tento encontrar e conversar com moradores de Tottenham, na Inglaterra, sempre que possível, para entender melhor os desafios que as pessoas enfrentam em suas vidas”, afirma Ekotto.