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Inter planeja retorno ao Beira-Rio e prejuízo pode bater R$ 40 milhões

Gramado estará pronto em 10 dias, mas centro de treinamento ainda passa por reconstrução; peregrinação colorada e acolhimento gremista em Curitiba marca retorno das equipes

11 jun 2024 - 12h13
(atualizado às 13h25)
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Gramado do Beira-Rio deve estar pronto em dez dias. Inter planeja receber partidas em julho.
Gramado do Beira-Rio deve estar pronto em dez dias. Inter planeja receber partidas em julho.
Foto: Leonardo Catto/Estadão / Estadão

O Internacional quer voltar ao Estádio Beira-Rio em julho, independentemente da competição. Foi o que o clube anunciou nesta terça-feira, 11, em ação de abertura da casa colorada para apresentar o progresso na limpeza e reparos após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul e fez gramado, vestiários e outras dependências ficarem embaixo d'água.

O cheiro da sujeira levada pelo Guaíba ainda é forte no entorno do estádio. A calçada continua marrom, pelo barro que ficou. A luz pôde ser ligada somente há uma semana, quando finalmente foi possível fazer testes para apurar os danos. O gasto total para reparos ainda não é conhecido, mas está estimado entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. "Todo nível 1 do estádio foi afetado. A gente tem seguro que cobre boa parte desse prejuízo", aponta o vice-presidente de Administração, André Dalto.

A previsão inicial de retorno a mandar jogos no Beira-Rio era agosto. Agora, uma nova estimativa indica julho, mas sem definir em qual semana do mês.

No momento, os abastecimentos de luz e água já estão normalizados. O pior prejuízo foi com equipamentos de informática. A sala da TI fica no primeiro andar. Até o fim de junho, o Internacional espera recuperar o setor. Nesta terça-feira, eram testadas as catracas de acesso. A grama de inverno, replantada no final de maio, já começou a brotar e, em 10 dias, deve estar com condições de jogo.

São 500 colaboradores voltados para a limpeza, que será concluída até o final desta semana. No mesmo prazo, o museu do clube passará por higienização, mas já se sabe que troféus, por exemplo, não foram atingidos, pois ficam no segundo andar. O sistema de som e vídeo do estádio ainda está em avaliação.

O último jogo que o Internacional mandou no Beira-Rio foi em 28 de abril, um empate por 1 a 1 contra o Atlético-GO pelo Brasileirão. Dois dias depois, o confronto contra o Juventude, pela Copa do Brasil foi adiado pela CBF. A equipe de Caxias do Sul (RS) sequer conseguiu chegar a Porto Alegre devido a deslizamentos em uma rodovia provocados pelas fortes chuvas.

Entulho ainda é retirado do Beira-Rio após estádio ser alagado por enchentes no RS.
Entulho ainda é retirado do Beira-Rio após estádio ser alagado por enchentes no RS.
Foto: Leonardo Catto/Estadão / Estadão

No começo de maio, todos os jogos envolvendo equipes gaúchas nas competições nacionais foram suspensos. Em seguida, a Conmebol também adiou os compromissos de Grêmio e Internacional, pela Libertadores e pela Sul-Americana, respectivamente. Houve discussão sobre paralisação do Campeonato Brasileiro. Duas rodadas acontecem sem os clubes gaúchos. Outras duas foram adiadas para todas as equipes.

Tanto Beira-Rio quanto Arena do Grêmio tiveram água nos gramados. Após o recuo da enchente, o cenário já mostrava que seria impossível praticar futebol nos campos. A retomada colorada foi na Arena Barueri, na derrota para o Belgrano, exatamente um mês do último jogo disputado. Já o Grêmio voltou a campo contra o The Strongest, no Couto Pereira, que tem sido a "casa" do tricolor gaúcho.

Calçado do Beira-Rio continua marrom, com marcas de barro, por causa das chuvas.
Calçado do Beira-Rio continua marrom, com marcas de barro, por causa das chuvas.
Foto: Leonardo Catto/Estadão / Estadão

Peregrinação colorada e acolhimento gremista em Curitiba

Foram dois jogos que o Internacional mandou "em casa" desde que voltou a jogar. Além da partida contra o Belgrano, o time de Eduardo Coudet buscou a classificação para o playoff da Sul-Americana ao vencer o Delfín no Alfredo Jaconi, do Juventude. Nesta quinta-feira, 13, a equipe recebe o São Paulo pelo Brasileirão, no Heriberto Hülse, em Criciúma, às 20h. O clube também avalia mandar partidas no Orlando Scarpelli, do Figueirense, em Florianópolis.

Ainda que também tenha ficado sem casa, o Grêmo vive uma situação diferente. O time de Renato Gaúcho encontrou acolhimento no Couto Pereira. Torcedores relatam a sensação de estar em um estádio semelhante ao antigo Estádio Olímpico, que sediou jogos do clube gaúcho entre 1954 e 2012, antes da mudança para a Arena.

O CEO do Coritiba é Carlos Amodeo. Ele ocupava o mesmo cargo, mas no Grêmio, durante a gestão anterior a do atual presidente, Alberto Guerra. Antes da partida contra o Estudiantes, realizada no estádio paranaense, Amodeo foi até a concentração gremista e reiterou o compromisso em disponibilizar o estádio enquanto for preciso. Outra decisão em solidariedade à equipe foi tomada pelo Botafogo, que decidiu mandar seu jogo contra o Grêmio pelo Brasileirão no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica (ES).

Os CTs de Grêmio e Internacional também sofreram e ficaram embaixo d'água. Os jogadores colorados têm atividades em outra instalação, o CT de Alvorada, normalmente utilizado pelas categorias de base. Os prédios estão em fase de reconstrução, o que deve terminar em três meses. Nos campos de treinamento, o lodo ainda é retirado.

Já os gremistas treinam nas instalações do Corinthians. O CT Luiz Carvalho foi parcialmente reativado, com funcionamento das áreas médicas e de fisiologia e academia, o que permite o tratamento de jogadores lesionados. Campos e áreas administrativas ainda não têm previsão de retomada. O próximo compromisso do tricolor gaúcho é nesta quinta-feira, 13, contra o Flamengo, no Maracanã.

A enchente que atingiu o Rio Grande do Sul no mês de maio foi a pior da história do Estado. Dos 497 municípios gaúchos, 478 foram afetados. Até o momento, conforme o último boletim da Defesa Civil, atualizado na segunda-feira, 9, 423 mil pessoas continuam desalojadas, e 38, desaparecidas. Ao todo, foram 173 mortes em decorrência da tragédia.

Estadão
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