PUBLICIDADE
AO VIVO
Mariana Aydar fala sobre São João e fortalece mulheres no forró

Volta da torcida traz alívio aos clubes paulistas após prejuízo de R$ 200 milhões sem bilheteria

Corinthians x Bahia, nesta terça-feira, na Neo Química Arena, será o primeiro duelo em São Paulo com público

5 out 2021 - 05h11
(atualizado às 11h01)
Compartilhar
Exibir comentários

O tão esperado reencontro do torcedor com o seu time na cidade de São Paulo ocorre nesta terça-feira, quando o corintiano terá a oportunidade de assistir ao duelo com o Bahia na Neo Química Arena, às 21h30. A partida da 24ª rodada do Brasileirão é a primeira na capital paulista com público nos estádios desde 11 de março de 2020, dia em que quase 40 mil são-paulinos viram sua equipe vencer no Morumbi a LDU, por 3 a 1, em jogo da primeira fase da Libertadores. A pandemia de covid-19 eclodiu no Brasil e, desde março do ano passado, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos não atuam com o apoio de seu torcedor. Vão voltar a desfrutar da experiência nesta semana. Eles comemoram o dinheiro da bilheteria que retornará aos cofres depois de deixarem de arrecadar quase R$ 200 milhões no péríodo.

Em mais de um ano e meio sem torcida no Allianz Parque, Neo Química Arena, Morumbi e Vila Belmiro, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos lamentaram não ter o incentivo de seu torcedor de perto, cantando, festejando gols e, em alguns casos, até vaiando. A frustração é motivada por interesses esportivos e, também, financeiros. Tão doloroso quanto o silêncio dos estádios foi o prejuízo com a ausência de bilheteria, uma das principais fontes de renda das equipes.

Segundo levantamento da consultoria Sports Value, os quatro principais clubes de São Paulo somaram quedas das receitas referentes à bilheteria de R$ 146 milhões em 2020 comparando os valores com o ano anterior. Considerando os jogos de 2021, a perda acumulada chega a R$ 171 milhões. O cálculo considera apenas o dinheiro ganho com ingressos. O faturamento proveniente de produtos oficiais, alimentos e bebidas e sócio-torcedor, que são parte do "matchday", não está nessa conta.

O Corinthians arrecadou R$ 62,3 milhões com bilheteria em 2019, mas com poucos jogos com torcida em 2020, só ganhou R$ 7,3 milhões. Em 2019, o Palmeiras recebeu cerca de R$ 45 milhões e viu entrar em seus cofres apenas R$ 6,8 milhões no ano seguinte. O São Paulo registrou queda de renda com bilheteria de R$ 38,8 milhões para R$ 6,5 milhões. Como costuma levar menos torcedores à Vila Belmiro, estádio com capacidade de público menor que o dos rivais, o Santos teve um prejuízo menor. Declínio de R$ 24 milhões para R$ 4 milhões/ano.

Palmeiras e Corinthians estiveram nos últimos anos entre os líderes em faturamento com rendas de partidas. Naturalmente, lamentaram o prejuízo milionário e comemoram a volta dos fãs aos estádios, ainda que parcialmente neste mês. Impulsionado pelo bom momento dentro de campo, com adesão em massa da torcida ao Allianz Parque, o time alviverde registrou ganhos de R$ 74,1 milhões com ingressos em 2017 e R$ 86,5 milhões em 2018. Em situação semelhante, no mesmo período, a equipe alvinegra recebeu R$ 63,8 milhões e R$ 60,6 milhões, respectivamente. O São Paulo arrecadou R$ 27 milhões em 2017 e R$ 30,8 milhões em 2018. O Santos pulou de R$ 26 milhões para R$ 27,4 milhões nos anos citados.

A bilheteria havia atingido o maior valor na história do futebol brasileiro em 2019. As vendas de ingressos somadas dos 20 principais times do País alcançaram R$ 486 milhões em 2019, valor impactado especialmente por Flamengo e Palmeiras. Quando somada com as receitas de sócio-torcedor, cujo foco é a ida aos jogos, a receita conjunta atingiu no mesmo ano R$ 961 milhões para esses 20 times.

Em 2020, com quase toda a temporada com portões fechados, o valor caiu para R$ 502 milhões. No ano passado, os clubes apostaram em inovações tecnológicas e ações nas redes sociais para mitigar o prejuízo e deixar o torcedor menos distante, engajando-o no ambiente virtual.

INGRESSOS

A partida que marcará a volta parcial da torcida para a Neo Química Arena poderá receber até 14.600 torcedores, respeitando o combinado de 30% da capacidade do estádio. A venda dos ingressos foi aberta na última sexta-feira e se dá somente online. O Corinthians priorizou os torcedores com créditos relativos às partidas que tiveram comercialização de ingresso no Paulistão de 2020, mas que não puderam ter a presença do fã por conta da pandemia (contra Ituano e Palmeiras).

Esses torcedores puderam comprar bilhetes de todos os setores até que foi atingido o limite máximo de 20% da capacidade permitida para a partida (equivalente a 6% da capacidade habitual da Neo Química Arena). Depois, o clube abriu a venda para sócios no sábado pela manhã e para os torcedores em geral no domingo, antevéspera do jogo. Os valores variam de R$ 40 (setores norte e sul) a R$ 650 (camarote). A procura está alta e a tendência é de que os corintianos esgotem os ingressos. Parciais de venda não foram reveladas.

O São Paulo já iniciou a venda de ingressos para o clássico com o Santos, marcado para quinta-feira. O clube do Morumbi estabelece a necessidade de os torcedores realizarem um "check in" dias antes da partida, e não permite entrada de crianças com até 14 anos e 11 meses.

Para sócios-torcedores, o ingresso mais barato custa R$ 22 e o mais caro, R$ 220. O torcedor que não é sócio tem opções de entrada que vão de R$ 130 a R$ 220. O São Paulo informou que os ingressos "terão uma redução gradativa de valores à medida em que a volta do público for liberada". Palmeiras e Santos ainda não abriram a venda dos bilhetes para seus jogos no fim de semana contra Red Bull Bragantino e Grêmio, respectivamente.

PROTOCOLOS

Os estádios em São Paulo podem receber torcida com 30% de sua capacidade desde segunda-feira, por decisão do governo. A partir de 15 de outubro, o governador João Doria autorizou o limite de 50%. Em 1º de novembro, passará para 100%. Para entrar nos estádios, os torcedores têm de apresentar comprovante com esquema vacinal completo contra a covid-19, ou seja, duas doses da vacina (de qualquer marca) ou dose única da Janssen.

"Pedimos aos corintianos consciência e responsabilidade com relação ao distanciamento social, utilizando os assentos intercaladamente, a fim de evitar aglomerações", diz nota enviada pelo clube sobre a volta do torcedor. Segundo o diretor Roberto de Andrade, foi ideia do presidente Duílio Monteiro Alves manter os preços dos ingressos de antes da pandemia. "Não subimos nenhum valor de antes da pandemia. Tem ingressos de R$ 40", disse.

Quem ainda não tiver concluído o esquema vacinal, deverá ter sido imunizado com ao menos uma dose e apresentar um teste negativo com validade de 48h para os do tipo PCR ou 24h para os testes de antígeno. O protocolo prevê o uso obrigatório de máscara em todos os setores das arenas.

Os clubes dizem que haverá medição de temperatura corporal e disponibilização de totens com álcool em gel para os torcedores. Afirmam também que vão colocar fiscais para garantir que os protocolos sejam cumpridos e estarão atentos com possíveis aglomerações na entrada e saída do estádio.

Estadão
Compartilhar
Publicidade
Publicidade