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Scaloni assumiu o cargo de treinador que ninguém quis e está a um jogo de levar Argentina ao topo

Criador da 'Scaloneta', técnico potencializa futebol de Messi e conduz alviceleste à decisão diante da França com modificações táticas e de peças

16 dez 2022 - 05h11
(atualizado às 09h26)
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ENVIADO ESPECIAL A DOHA - Impaciente, Lionel Scaloni olha pra cima como se pedisse ajuda divina. Quase metade do tempo de jogo já havia transcorrido e a Argentina empatava sem gols com o México. Era preciso mudar. Insatisfeito, colocou Enzo Fernández e, depois, Julian Álvarez. O time melhora, Messi decide com uma jogada genial, Fernández marca o segundo e está garantida uma vitória que impede a eliminação precoce na Copa do Mundo do Catar.

Aquele jogo, o segundo da primeira fase, apresentou para quem não conhecia o estratégico Scaloni. O treinador se sobressai no Catar por suas variações táticas, leitura de jogo acurada e a capacidade de mudar peças e esquemas. Se algo não dá certo, ele não hesita em fazer alguma modificação.

Tem sido assim desde o início do Mundial. Na primeira fase, tirou jogadores que não estavam bem e apostou em Enzo Fernández e Julian Álvarez, além de Mac Allister. No mata-mata, a Argentina do jovem treinador se notabiliza pela capacidade de mutação. Já jogou no 4-3-3, 3-5-2 e 4-4-2. Este último sistema foi usado no 3 a 0 sobre a Croácia que colocou os argentinos na final do Mundial catariano.

Tudo é pensado de acordo com o adversário em cada partida e no sentido de potencializar o futebol do astro Lionel Messi. Os quatro meio-campistas que jogaram diante dos croatas desarmam, armam e ajudam o camisa 10 a encontrar os espaços. Deu resultado.

"Já mostramos muitos sinais de caráter nesta Copa do Mundo. Esta equipe mostra as diferentes facetas que o jogo exige em todos os momentos. Sabemos o que temos que fazer", explicou o treinador.

POUCO A PERDER, MUITO A GANHAR

Desconhecido de muitos, Scaloni aceitou o emprego que ninguém quis em 2018, sacou coelhos da cartola quando foi preciso, deixou a equipe invicta por 36 jogos, ganhou a Copa América no ano passado em cima do Brasil, encerrando um jejum de 28 anos sem títulos e está a um jogo de levar a Argentina à glória.

Natural da pequena Pujato, a 35km de Rosário, o treinador foi auxiliar de Jorge Sampaoli no Sevilla e na seleção da Argentina. O ex-lateral e volante, cujas principais passagens foram por La Coruña, da Espanha, e Lazio, da Itália, substituiu o chefe depois do fracasso na Copa da Rússia.

Era um prêmio para quem jamais tinha treinado clube nenhum, quanto mais uma seleção. Quase todos o consideravam um tapa-buraco à época. Era esperado que um nome de peso assumisse e o auxiliar retomasse seu posto. Mas ninguém quis.

Diego Simeone, Marcelo Gallardo e Mauricio Pochettino recusaram o convite da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Nenhum deles entendia ser vantajoso trocar seus clubes pela seleção em decorrência da desastrosa gestão da AFA.

CRIADOR DA 'SCALONETA'

Scaloni foi ficando, ficando até que foi efetivado no fim de 2018. Aceitou o desafio porque tinha pouco a perder e muito a ganhar. A desconfiança da imprensa e dos torcedores sumiu à medida que ele conseguiu encaixar os astros e fazer o time jogar para Lionel Messi.

"Nós conseguimos fazer com que Lionel Messi e seus companheiros se sintam cômodos em campo", disse o comandante da "Scaloneta", apelido pelo qual a seleção passou a ser conhecida. Foi fácil se entender com os jogadores, já que, na Rússia, entre os membros da comissão técnica, ele era o mais próximo dos atletas.

Segundo Messi, a Argentina é uma equipe "muito inteligente" que sabe "fazer a leitura de cada partida" graças às orientações da comissão técnica. "Eles informam cada detalhe de cada jogo e depois acontece. Isso é uma grande ajuda quando estamos em campo. Em nenhum momento estamos perdidos, sempre sabemos o que temos de fazer e como vão decorrer os jogos", contou o craque argentino.

Avesso a polêmicas, o jovem técnico, de 44 anos, o mais novo entre os 32 comandantes no Catar, impõe suas ideias com calma e sobriedade. No Catar, não entrou nas provocações dos holandeses nas quartas de final e já disse que vive o futebol como um jogo, nada mais que isso. "Eu sou um treinador, os jogadores são jogadores e nós não somos mais do que isso", refletiu. "Aprendi que a única coisa que tenho a fazer é treinar, mesmo que esteja no comando de uma equipe importante. E os jogadores, jogam. Nada mais."

Sua personalidade é oposta à do ex-chefe e antecessor, Jorge Sampoli, explosivo e irascível. Prefere não inflamar as tensões e foge de discussões e provocações. Mas Sampaoli é uma de suas influências, bem como Alejandro Sabella, técnico da Argentina na Copa de 2014 e que morreu há dois anos.

Em campo, Scaloni era um lateral esforçado, de pouco brilho, mas muita garra e seriedade, virtudes que o tornaram ídolo no La Coruña, pelo qual fez mais de 200 jogos, e o levaram à seleção argentina.

Foram poucas partidas oficiais com a camisa alviceleste. Apenas sete, uma delas na Copa do Mundo de 2006. Integrou o elenco que disputou o torneio na Alemanha e jogou com Messi, que fazia naquela edição sua estreia em Mundiais. Agora, 16 anos depois, dará adeus.

"Tento não me emocionar. É muito difícil. Estou no lugar dos sonhos de todo argentino", disse o novato treinador, perto de conquistar "la tercera". Caso isso aconteça, será o fim de um jejum de 36 anos sem títulos mundiais e ele vai se tornar o treinador mais jovem desde César Luis Menotti, campeão justamente pela Argentina em 1978 com apenas 39.

Estadão
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