Santos de Cuca desaba, e derrota expõe limites do time
Derrota por 2 a 1 para o Bragantino revela fragilidade defensiva, jogadores em baixa e decisões equivocadas do treinador em um segundo tempo sem reação
A derrota do Santos por 2 a 1 para o Red Bull Bragantino expôs a fragilidade e a falta de intensidade da equipe, que agora ocupa a nona posição do Brasileirão. Além de falhas defensivas evitáveis e atuações individuais ruins, o técnico Cuca foi criticado pela desorganização tática e substituições ineficazes que pioraram o time no segundo tempo. O revés evidencia a inconstância do Peixe, que segue alternando bons momentos com apagões e cobra evolução real para além dos discursos.
O Santos não perdeu apenas por 2 a 1 para o Red Bull Bragantino. Perdeu porque foi inferior, cometeu erros evitáveis e, quando precisava reagir, encontrou no próprio banco mais um motivo para se complicar. A derrota em Bragança Paulista foi um retrato incômodo de um time que ainda não sabe sustentar uma atuação competitiva durante 90 minutos.
O Bragantino jogou em outra voltagem. Teve mais intensidade, disputou melhor os espaços e soube aproveitar as fragilidades do adversário. O Santos, ao contrário, ofereceu facilidades. As falhas nos gols sofridos não podem ser tratadas como meros acidentes de percurso. São erros que revelam desatenção, falta de coordenação e uma defesa que continua transmitindo insegurança.
Também não adianta procurar um único culpado entre os jogadores. Houve atuações individuais muito ruins, mas o problema ultrapassa desempenhos isolados. Quando vários atletas ficam abaixo do nível exigido ao mesmo tempo, a responsabilidade também precisa chegar à organização coletiva e ao trabalho da comissão técnica.
E é justamente aí que Cuca entra na linha de tiro. O segundo tempo foi especialmente pobre. O Santos precisava de uma resposta, mas não apresentou organização, intensidade ou capacidade de pressionar o adversário. As alterações do treinador, em vez de mudar o cenário, contribuíram para uma equipe ainda mais distante de uma reação convincente.
Treinador não pode ser responsabilizado por cada erro de passe ou falha de marcação. Mas também não pode se esconder atrás deles. Escalação, substituições e leitura de jogo fazem parte da função. Se o time piora depois do intervalo e as mudanças não corrigem o problema, Cuca precisa assumir sua parcela de responsabilidade.
O mais preocupante é que a derrota não parece um episódio desconectado. O Santos continua alternando momentos de competitividade com apagões que comprometem qualquer tentativa de crescimento. Um clube com a dimensão do Peixe não pode se contentar em encontrar explicações para cada tropeço. Precisa apresentar evolução.
A tabela cobra, e o discurso não resolve
Com 47 pontos, o Santos caiu para a nona colocação do Campeonato Brasileiro. A classificação não é apenas um detalhe estatístico: é o resultado de uma equipe que desperdiça oportunidades de se firmar e volta a tropeçar quando precisa demonstrar consistência.
A pergunta que fica para Cuca é simples: até quando o Santos vai confundir reação pontual com evolução? O Bragantino mostrou mais intensidade e foi premiado por isso. O Peixe voltou para casa com erros antigos, escolhas questionáveis e uma derrota que expõe o tamanho do trabalho ainda por fazer.
Não é falta de cobrança que resolve esse cenário. É futebol, organização e decisão. E, contra o Bragantino, faltaram os três.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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