Relembre episódios racistas que marcaram o futebol
A ofensa do zagueiro Danilo, do Palmeiras, contra Manoel, do Atlético-PR, no jogo desta quinta-feira pelas oitavas de final da Copa do Brasil, traz à tona as discussões sobre racismo no futebol. Ofensas racistas não são raras dentro das quatro linhas e acontecem em todo o mundo.
Zico, quando ainda treinava o CSKA, viu de perto um fato lamentável. Em uma partida válida pelas semifinais da Copa da Rússia, os russos conseguiram uma heróica classificação para a final do torneio, após vitória, nos pênaltis, sob o Dínamo de Moscou. Entretanto, o resultado da partida acabou ficando em segundo plano. O que marcou o jogo foi o fato de a torcida do Dínamo ter direcionado ofensas racistas ao jogador Maazou, do CSKA. Na ocasião, Zico comentou.
"Foi a primeira vez que presenciei dentro do campo uma atitude racista e ela veio da torcida do Dynamo. Lamentavelmente, parte dos torcedores ficou gritando, imitando macacos o tempo todo e o Maazou acabou sendo afetado com a ofensa e não conseguiu jogar. Passei muito tempo tentando colocá-lo na partida, mas ele chegou a parar diversas vezes para discutir com torcedores. Fui obrigado a tirar o jogador. É muito triste ver isso acontecendo", disse Zico.
Relembre casos de racismo
Eto'o
Em uma partida pelo Barcelona, em 2006, o atacante camaronês foi ofendido pelos torcedores do Zaragoza. O árbitro chegou a interromper o jogo para alertar os torcedores sobre os xingamentos racistas. Como a conduta persistiu, aos 77min, Eto'o ameaçou sair do campo, mas foi contido por seus colegas.
Asamoah
Às vésperas da Copa do Mundo de 2006, o meia Gerald Asamoah - de origem ganesa -, primeiro jogador negro a ser convocado para a seleção alemã, foi vítima de uma campanha de difamação por parte de um grupo de extrema direita na Alemanha autodenominado Schutz-bund. A organização espalhou cartazes, com a imagem de um chimpanzé, por Berlim, nos quais Asamoah era atacado e humilhado.
Balotelli
Outra vez partindo de torcedores, em uma partida do Campeonato Italiano, o jogador Balotelli - nascido em Palermo, mas filho de imigrantes ganeses -, da Inter de Milão, sofreu ofensas racistas por parte da torcida da Juventus. A atitude fez com que o clube fosse penalizado com a disputa de um jogo com portões fechados.
Time de Luis Felipe Scolari
Na Copa dos Campeões da Ásia, o tradutor da delegação do Bunyodkor, time treinado pelo técnico brasileiro Luis Felipe Scolari, perguntou ao árbitro sobre o pênalti marcado para o adversário - Al Ittihad. Um agente de segurança que acompanhava o trio de arbitragem teria dito: "não responda ao macaco". Devido ao ocorrido, a delegação - comissão técnica, jogadores, diretoria e presidente - continuou no estádio até a questão ser resolvida.
Antônio Carlos Zago
Hoje técnico do mesmo Palmeiras de Danilo, Antônio Carlos se envolveu em um escândalo de racismo quando atuava pelo Juventude, em 2006. Na época, dirigentes gremistas acusam o zagueiro de ter agredido o volante Jeovânio com ofensas racistas durante a partida em que a equipe de Caxias do Sul foi derrotada por 2 a 1. Expulso de campo, o jogador teria dito ao gremista: "Isso é coisa de macaco", sinalizando a cor de sua pele esfregando os dedos em cima do braço.
Carlos Kameni
Em 2005, o goleiro camaronês do Espanyol foi ofendido no estádio Vicente Calderón, quando uma banana foi jogada em sua área durante a partida contra o Atlético de Madrid. O ato racista aconteceu no primeiro tempo da partida, que terminou empatada em 0 a 0. No encontro, Kameni pegou um pênalti cobrado por Fernando Torres e evitou a vitória da equipe local.