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RD Congo recebe torcedores 'de fora' diante de restrições do governo americano: 'Apoie seu povo'

Protocolo sanitário e regras mais rígidas para viajantes dificultam e até impedem torcedores democrático-congoleses de viajar aos EUA

17 jun 2026 - 09h11
(atualizado às 19h00)
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HOUSTON - A República Democrática do Congo passou dos 800 casos confirmados de ebola. Já são quase 200 mortes pela doença. O surto obrigou a seleção democrática congolesa, de volta à Copa do Mundo após 52 anos, a ter uma preparação especial. Os torcedores que acompanharam o empate com Portugal na estreia foram a Houston de diferentes locais fora do país africano.

Jean Mayaka viajou de Maryland, a 2320,6 quilômetros de Houston e onde vive há 30 anos, para ir ao jogo. "Esta é uma experiência muito grande na minha vida. É uma sensação boa", celebra.

Ele argumenta que o surto de ebola não atinge todo o território da RD Congo e lamenta que mais torcedores não puderam ir aos Estados Unidos. "Eles tinham passagens e dinheiro, mas foram impedidos. É por isso que você vê muitos portugueses e menos congoleses do que o esperado", comentou.

"Nós ficamos muito decepcionados, para ser honesto, em saber que alguns torcedores, que estão conosco desde o primeiro dia, sempre estiveram conosco... ficamos tristes em saber que não puderam viajar, vir ao país para assistir às partidas, mas vamos iniciar da maneira correta", disse o técnico Sébastien Desabre, na entrevista coletiva na véspera da partida.

Tudo isso faz com que, para a seleção, a Copa não seja exatamente um campo neutro, mas um "jogo fora de casa". Nas arquibancadas, haverá praticamente apenas torcedores que imigraram para a América do Norte. É estimado que 25 mil pessoas façam parte da comunidade democrática-congolesa entre Houston e Dallas, no Texas.

"Fomos muito bem recebidos aqui pelo povo local na nossa concentração. Nos deram a melhor condição possível", agradeceu Desabre. "Confio na diáspora, nos cidadãos que deixaram a RD Congo. Sei que estarão conosco".

Surto está longe do fim, e RD Congo tenta dar orgulho ao país em crise

A Cruz Vermelha avalia que o surto ainda não alcançou o pico no país. "Tememos que dure ainda um ano antes de chegar ao fim", falou o chefe de operações, Bruno Michon, em coletiva de imprensa nesta semana.

Há dificuldade de diagnosticar casos, o que causa uma subnotificação e facilita o contágio. "É muito difícil saber exatamente até que ponto está se propagando", disse Michon.

Por exigência das autoridades americanas, a delegação passou por um isolamento de 21 dias. Também por causa disso, o time fez a preparação, antes de chegar na América do Norte, na Bélgica. Isso é minimizado pelo time, que agora tem condições normais em Houston, no Texas, onde utiliza o CT do Houston Dynamo, da MLS.

Estadão
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