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O que os amistosos contra a Austrália mostram a Ancelotti na seleção brasileira

Após atuação ruim em empate por 1 a 1, treinador vê time evoluir em vitória por 4 a 2 nesta terça

29 set 2026 - 11h57
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Resumo
Os amistosos contra a Austrália trouxeram lições táticas a Carlo Ancelotti na seleção brasileira. A mudança do 4-2-4 para o 4-3-3 equilibrou o meio-campo e potencializou Raphinha como falso 9. Apesar das boas atuações de jovens estreantes na reformulação, o Brasil manteve falhas recorrentes na bola aérea defensiva e fragilidade nos testes de novos goleiros, ratificando a titularidade de Alisson após exibições inseguras dos reservas no setor.

A seleção brasileira mostrou faces distintas nos dois amistosos contra a Austrália nesta Data Fifa. Se os comandados de Carlo Ancelotti fizeram uma atuação muito ruim na primeira partida, em Townsville, o segundo jogo mostrou um time notavelmente melhor, capaz de fazer prevalecer a sua qualidade diante de um adversário mediano.

Em contrapartida, a vitória por 4 a 2 nesta terça-feira ainda evidenciou problemas que ocorreram no empate por 1 a 1, de sexta. Veja abaixo as lições que Ancelotti pôde tirar dos amistosos contra a Austrália:

Esquema com quatro atacantes em xeque

Para o duelo com a Austrália nesta terça, Ancelotti abandonou o esquema com quatro atacantes (4-2-4) utilizado no empate por 1 a 1 e apostou em um time com o meio-campo mais preenchido (4-3-3). A formação ajudou a seleção a consertar o buraco deixado no meio-campo, com Bruno Guimarães com maior liberdade para armar jogadas e com Danilo mais solto para pisar na área e não ficar somente preso à marcação. Gabriel Bontempo fez boa estreia atuando no setor, ajudando a pressionar a defesa adversária.

Jogando no 4-2-4, o Brasil ficou "engessado" e com pouca movimentação dos jogadores de meio-campo e ataque. A formação, que foi utilizada por Ancelotti no início do trabalho antes da Copa do Mundo, foi abandonada ao longo do Mundial. Pode ser o momento para o treinador apostar em um setor central mais forte e deixar os quatro atacantes como uma opção de variação tática para momentos mais específicos do jogo.

Alisson ainda é o titular

Pedro Morisco, revelação do Coritiba, será o titular contra a Índia no sábado, mas provavelmente não será exigido diante de um adversário fraco. Nos duelos com a Austrália, Hugo Souza e Otávio foram testados e deixaram a desejar. Enquanto o arqueiro do Corinthians foi inseguro para sair da meta e ficou parado no gol de falta dos australianos, a joia do Cruzeiro errou saída de bola com os pés, falhou em lance pelo alto e deixou a impressão de que poderia ir melhor no segundo gol do jogo desta sexta. Ambos têm potencial de crescimento, cabe ressaltar.

A comissão técnica de Ancelotti tem a intenção de tê-lo como titular na Copa América de 2028, quando o goleiro do Liverpool terá 35 anos. Não é absurdo pensar no veterano para 2030, quando terá a chance de disputar a sua quarta Copa do Mundo.

Defesa vazada

A seleção levou três gols em dois jogos contra a Austrália. Dois em lances de bola parada — um em cobrança de falta, e o outro, em escanteio —, e um terceiro em uma jogada trabalhada à frente da grande área do Brasil.

Trata-se do quarto jogo consecutivo da seleção sofrendo gols com problemas repetidos. A bola perdida no meio-campo que deu início ao segundo da Austrália nesta terça pode ser comparado com o lance do Japão, que abriu o placar na suada vitória por 2 a 1 do Brasil na segunda fase da Copa. A liberdade dos australianos para finalizar da entrada da área lembrou a Noruega encontrando espaço na intermediária brasileira.

A bola aérea também é motivo de alerta. A Austrália levou muito perigo em lances de escanteio mesmo sem grandes cabeceadores.

Raphinha de falso 9

No primeiro amistoso com a Austrália, uma das decepções foi ver Raphinha batendo cabeça com Vini Jr. na busca por espaços do lado esquerdo e tendo de recuar para ajudar na criação. O novo camisa 10 da seleção vive grande fase no Barcelona, com 14 gols em oito jogos, jogando centralizado e com liberdade para flutuar pelo campo para receber em condições de finalizar.

Para o segundo duelo com a Austrália, Ancelotti utilizou Raphinha como ele está habituado a jogar na Espanha e viu o jogador emulando a sua melhor versão do Barça, dando opção em ambos os lados do campo, abrindo espaço para os pontas e recebendo bola nas costas da defesa.

Na dificuldade em encontrar um centroavante da seleção, merece ser utilizado mais vezes na função atual.

Caras novas vão bem

Um dos principais objetivos da Data Fifa para a comissão técnica de Ancelotti era poder testar uma série de novos jogadores para iniciar uma reformulação na seleção. A boa notícia é que a maioria passou no teste e mostrou-se apta a vestir a camisa do Brasil.

Entre as novidades, destaques para o lateral-esquerdo Mauro Júnior, que atuou de maneira correta; o jovem zagueiro Jair Cunha, que superou o nervosismo do primeiro jogo e mostrou categoria de veterano na segunda partida; e Gabriel Bontempo, que encaixou bem no esquema com o trio de meio-campos.

Vanderson, que apesar da experiência ainda não tinha conseguido atuar com Ancelotti, foi bem na lateral-direita — com direito a gol —, enquanto Matheuzinho, do Corinthians, também fez jogos corretos e pode ser opção nas próximas convocações. Vitor Reis, Breno Bidon, Martinelli e Samuel Lino são outros que merecem aparecer mais.

Estadão
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