Marcelo Guimarães Filho é deposto do cargo de presidente do Bahia
O Tribunal de Justiça da Bahia decidiu, na manhã desta terça-feira, destituir Marcelo Guimarães Filho (MGF) do cargo de presidente do Bahia. A decisão foi tomada pela desembargadora Lisbete Maria de Almeida, responsável por julgar a medida que mantinha o mandatário no cargo após denúncias de irregularidades na sua administração e autorizar a intervenção judicial no clube. Com a decisão, o Esquadrão passa a ser administrado temporariamente pelo advogado mineiro Carlos Rátis.
O processo inicial sobre a intervenção foi aberto no final de 2011, às vésperas da reeleição de MGF. Na ocasião Jorge Maia, ex-conselheiro do clube, denunciou a gestão de Marcelo e afirmou que ele e outros membros da oposição teriam sido expulsos da eleição, que teria contado também com eleitores "fantasmas". Em março do ano passado, MGF chegou a ser afastado do cargo e o próprio Carlos Rátis comandou o Bahia por três dias - tempo hábil para a defesa de Marcelo recorrer.
Nomeado interventor do clube, Rátis terá que avaliar se a eleição de MGF foi legal, quais as consequências do seu legado administrativo para o clube e analisar a atual situação financeira do Bahia, esclarecendo possíveis irregularidades. Assim que concluir esse processo - cujo prazo não foi imposto pela justiça - Rátis convocará uma nova eleição no clube.
Através da assessoria de imprensa, o Bahia declarou que pretende recorrer da decisão. O ex-cartola Marcelo Guimarães Filho ainda não se pronunciou sobre a decisão judicial.
COM A PALAVRA
DR. ANTÔNIO RODRIGO MACHADO
ADVOGADO BAIANO RESPONSÁVEL POR DENUNCIAR MGF
O torcedor do Bahia está comemorando a intervenção. A gestão do clube é obscura, os gastos não são relatados e o Marcelo usa o Bahia para se promover. Agora, o interventor convocará uma eleição justa e regular. Ficou muito claro que o MGF usou a sua popularidade como presidente para conseguir prestígio político, dessa forma, as suas vontades sempre estiveram acima do Bahia, dos atletas e da torcida.
RELEMBRE O CASO:
A eleição de 2011 no Bahia marcou a reeleição de Marcelo - que havia assumido o clube em janeiro de 2008. No entanto, membros da oposição acusaram o mandatário de manipular o resultado, contanto com o apoio de eleitores "fantasmas" e excluindo conselheiros que votariam contra. Por causa das acusações, em março de 2012, a justiça afastou Marcelo da presidência do clube. A defesa recorreu e três dias depois, MGF reassumiu o Esquadrão.
Os advogados Antônio Rodrigo Machado e Marcus Tonnae Silva acusam o presidente, o gestor de futebol Paulo Angioni, o coordenador da divisão de base Newton Mota e André Garcia, sócio-propietário da Calcio - empresa parceira do Bahia - de formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro, baseados em notícias de veículos regionais e nacionais que apontam a falta de transparência na gestão do deputado.
Após inúmeras denúncias, o Tribunal de Justiça da Bahia decide destituir Marcelo Guimarães Filho do cargo de presidente do clube. Assim como em março de 2012, o advogado mineiro Carlos Rátis será responsável por administrar o clube e convocar - dentro do prazo que considerar hábil - novas eleições.