Luto, combate ao machismo e Copa na Cazé: a intensa construção de uma nova Bárbara Coelho
Após auge no Esporte Espetacular, apresentadora se reinventa e vira destaque no streaming
Bárbara Coelho tornou-se muito mais do que uma repórter esportiva. Com um equilíbrio fino entre o bom humor e a seriedade, ela se consolidou como uma das principais vozes femininas da comunicação atual. Brinca quando é hora de brincar, briga quando é preciso brigar. Não à toa, desde que decidiu trocar o comando do Esporte Espetacular pela "aventura" na CazéTV, sua repercussão só cresceu.
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Para Bárbara, essa mudança não foi apenas de emissora, mas de identidade. "É uma mudança profunda que acompanha um amadurecimento profissional. Fui muito feliz na Globo, cresci como mulher lá dentro, mas cheguei uma menina do Espírito Santo, com dificuldade de me adaptar àquela grande visibilidade", revela.
Ao migrar para o digital, entendeu que sua estratégia deveria ser a transparência. "Eu não poderia mudar só de emissora. Precisava permitir que as pessoas entendessem quem eu sou de verdade”.
Muitas vezes não ousava tanto na minha maneira de falar algumas coisas nas minhas opiniões, porque eu ainda estava em amadurecimento, não que eu não tenha o que amadurecer. Porque eu espero ter uma trajetória inteira pela frente, mas eu entendi que as pessoas só iam me conhecer e comprar essa minha virada de chave se elas me conhecessem de verdade
A Força no luto
Se muitos consideram ousado trocar a estabilidade da Globo pelo dinamismo da CazéTV, poucos sabem que essa transição ocorreu no momento mais delicado da vida da jornalista: a perda de sua mãe.
“Tomei a decisão mais difícil da minha vida no pior momento possível. Olho para trás e revisito a maturidade que tive para fazer esse movimento enquanto minha mãe estava praticamente no leito de morte", relembra emocionada. "A vida não é um morango e seremos desafiados quando menos parecemos preparados. Pedi ao Fábio Medeiros [que negociou o contrato] para primeiro enterrar minha mãe, para só depois iniciar essa nova etapa.
Brinco que se minha mãe tivesse me assistindo hoje, essa seria a bronca real assim, filha, pelo amor de Deus, para de falar tanto palavrão Então é isso, é uma pessoa espontânea
Voz contra o machismo
Hoje, Bárbara ocupa um espaço de comentarista e não foge de temas áridos. Recentemente, viralizou ao se posicionar contra falas machistas de Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull Bragantino. "Você não pode falar o que quer se estiver desqualificando uma mulher em seu ambiente de trabalho. Isso é injúria Então, não, você não pode falar o que você pensa. Ninguém diz que você não pode criticar uma árbitra, mas critique o erro técnico, não o fato de ela ser mulher."
Para ela, o problema é estrutural e educacional. "Muitos jogadores tornam-se profissionais sem uma base de educação mínima. Ao sentar em uma cadeira de relevância, sinto que tenho uma responsabilidade enorme com as meninas que me olham como exemplo. Às vezes eu até falo, será que não é responsabilidade demais para mim, meu Deus?
As meninas chegarem para você e falarem: ‘eu quero ser você, eu quero um dia chegar onde você chegou’.
O quase abandono
Embora o machismo cause marcas profundas, ele nunca foi o motivo que quase a fez desistir. O momento de maior fragilidade foi em 2012, após a morte de seu pai.
“Já quase desisti em muitos momentos, mas não pelo machismo. O machismo não foi o suficiente para me fazer desistir. Foi o suficiente para me magoar, para me causar marcas profundas, para me fazer sofrer”.
“O que quase fez eu desistir foi quando meu pai faleceu em 2012, foi um ano muito difícil. Impressionante, as duas mortes das pessoas mais importantes da minha vida são marcadas por decisões muito difíceis e profissionais. Em 2012, estava na Band, aí saio, mas o SportTV demora a me dar um retorno sobre se eu tinha sido ou não escolhida para vaga. Então, passei meses trabalhando no mercado financeiro. Chamei minha mãe pra conversar eu falei, mãe, acho que eu vou desistir, cara isso aqui não é pra mim”.
Eu não desisti por conta dos conselhos e da força da minha mãe, do apoio da minha mãe. Mesmo assim, sei que muitas mulheres param no meio do caminho por assédio, por violências por machismo, por serem o tempo inteiro desqualificadas
A Copa na CazéTV
Na cobertura do Mundial de 2026, Bárbara promete uma versão multifacetada. A CazéTV, única a transmitir todos os jogos no Brasil.
"Vocês vão ver uma Bárbara que mostra o bastidor real de uma Copa. Teremos a Bárbara emocionada, a comentarista, a 'pitizenta' quando algo a irritar e, acima de tudo, a mulher posicionada", projeta.
Há quatro anos, talvez não fosse essa Bárbara. Talvez, não estivesse pronta então hoje eu me sinto pronta pra abraçar esse esse novo mundo faço com muita naturalidade