Libertadores 2026 pode ampliar hegemonia do Brasil, que busca ultrapassar argentinos
Brasileiros conquistaram a competição de forma consecutiva desde 2019 e jogam em busca do 26º título para alcançar topo histórico
A Libertadores 2026, cuja fase de grupos começa nesta terça-feira, 7, pode ser histórica ao Brasil. Hegemônico há quase uma década, o País conta com seis representantes nesta edição e tem a oportunidade de ultrapassar a Argentina para se tornar o maior campeão da mais importante competição do continente.
Com o título do Flamengo no ano passado, o Brasil consolidou o período de superioridade e igualou a Argentina em número de conquistas. São 25 para cada nação. Depois de anos de sucesso dos times argentinos, o futebol sul-americano, por diferentes razões, passou a ser dominado pelas equipes brasileiras.
Tanto que a última vez que um time estrangeiro alcançou a "Glória Eterna" foi em 2018, quando o River Plate se sagrou campeão em cima do rival Boca Juniors. Depois disso, foram sete campeões consecutivos do Brasil: Flamengo (três vezes), Palmeiras (duas vezes), Fluminense e Botafogo. Das últimas sete finais, cinco tiveram apenas brasileiros disputando a taça. Nas 15 edições passadas, 11 campeões são do Brasil.
A dominância brasileira na Libertadores é movida principalmente pela disparidade financeira em relação aos nove países vizinhos. Clubes do Brasil turbinaram suas receitas nos últimos anos, sobretudo Palmeiras e Flamengo, que arrecadam perto de R$ 2 bilhões anualmente, e passaram a poder investir quantias vultosas para montar seus elencos.
"Hoje já há diferença econômica do Brasil pra os outros nove países sul-americanos. E isso significa que o descolamento vai ser muito maior", projetou em declaração recente a diretora jurídica e secretária-geral adjunta da Conmebol, Montserrat Jiménez.
O maior poder de compra permite, por exemplo, tirar da Europa jovens talentosos como Vitor Roque, e contratar alguns dos atletas que se destacam no futebol do continente, casos do uruguaio Arrascaeta e do paraguaio Gustavo Gómez, ídolos de Flamengo e Palmeiras, respectivamente. Esse cenário cria um abismo econômico e competitivo frente aos vizinhos.
"Os melhores jogadores sul-americanos, se não forem direto para a Europa, vão para o Brasil como primeiro passo rumo ao sucesso internacional. E quando retornam da Europa ou de outra liga competitiva, voltam ao Brasil para relançar suas carreiras. São bem pagos, jogam em grandes clubes com excelente apoio financeiro e uma enorme torcida", opina o jornalista peruano Miguel Rocca, editor do jornal O Comércio.
Enquanto os elencos de Palmeiras e Flamengo valem mais de R$ 1 bilhão cada, segundo levantamento recente feito pelo instituto Observatório do Futebol (CIES), o valor estimado dos plantéis dos clubes equatorianos, em comparação, é consideravelmente mais baixo.
"O domínio brasileiro nas últimas edições da Copa Libertadores tem sido retumbante e evidente", constata a jornalista equatoriana Martha Cordova-Aviles.
"A LDU, atualmente quinta colocada no ranking sul-americano, investiu US$ 21 milhões (R$ 108 milhões) para este ano. O Independiente del Valle, campeão equatoriano, tem um elenco avaliado em US$ 31 milhões (R$ 160 milhões), e o Barcelona em US$ 22 milhões (R$ 113 milhões)", compara a jornalista.
Além disso, clubes tradicionais do continente, como Boca Juniors, hexacampeão da Libertadores, e o Peñarol, pentacampeão, não têm mais conseguido competir em condição de igualdade com as potências brasileiras - às vezes nem com times medianos.
"Isso não parece que vai mudar, e se continuar assim, teremos 10, 12, 15 anos consecutivos com times brasileiros vencendo a Libertadores. E os outros times ficarão lutando pela chance de ganhar a Copa Sul-Americana, porque é tudo o que podem almejar", prevê Rocca.
O maior vencedor ainda é um argentino, o Independiente, com sete conquistas. Entre os brasileiros, o Flamengo é o único tetracampeão. Palmeiras, São Paulo, Santos e Grêmio têm três taças cada.
O Uruguai tem oito títulos e é o terceiro no continente com mais taças, seguido de Colômbia (3), Paraguai (3), Chile (1) e Equador (1).
Neste ano, são seis os representantes brasileiros na Libertadores: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Palmeiras e o estreante Mirassol - Botafogo e Bahia caíram na fase prévia. O tricolor carioca e a equipe mineira entram em campo nesta terça.
Cada um deles sonha com a glória eterna e com os US$ 25 milhões (R$ 129 milhões) fixados como prêmio ao campeão, que pode ganhar até US$ 40 milhões (cerca de R$ 206 milhões), a depender de seu desempenho na competição. O prêmio pelo título se soma à premiação acumulada das fases anteriores, incluindo o bônus por vitórias durante a fase de grupos, no valor de US$ 340 mil (R$ 1,7 milhão).
A primeira fase terminará na última semana de maio. A grande final terá como palco a cidade de Montevidéu, capital do Uruguai, e está marcada para 28 de novembro.
Veja os grupos da Libertadores 2026:
- Grupo A: Flamengo, Estudiantes de la Plata-ARG, Cusco-PER e Independiente Medellín-COL
- Grupo B: Nacional de Montevidéu-URU, Universitario-PER, Coquimbo Unido-CHI e Deportes Tolima-COL
- Grupo C: Fluminense, Bolívar-BOL, La Guaira-VEN e Independiente Rivadavia-ARG
- Grupo D: Boca Juniors-ARG, Cruzeiro, Universidad Católica-CHI e Barcelona de Guayaquil-EQU
- Grupo E: Peñarol-URU, Corinthians, Santa Fe-COL e Platense-ARG.
- Grupo F: Palmeiras, Cerro Porteño-PAR, Junior de Barranquilla-COL e Sporting Cristal-PER
- Grupo G: LDU-EQU, Lanús-ARG, Always Ready-BOL e Mirassol
- Grupo H: Independiente del Valle-EQU, Libertad-PAR, Rosario Central-ARG e Universidad Central-VEN