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Leonardo Jardim dá aula de como destruir vitória do Flamengo

Treinador é questionado pelas substituições após vantagem de dois gols, enquanto Santos aproveita os espaços para reagir; Luiz Araújo também decepciona

8 out 2026 - 21h55
(atualizado às 21h55)
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Resumo
O texto destaca, em tom crítico, a postura e as decisões táticas do técnico Leonardo Jardim, apontando como suas ações foram determinantes para desestruturar o Flamengo e reverter o resultado, culminando na perda de uma vitória que parecia encaminhada para a equipe rubro-negra.

Leonardo Jardim tem explicações a dar sobre a maneira como o Flamengo deixou escapar uma vitória que parecia encaminhada contra o Santos. Com dois gols de vantagem, a equipe rubro-negra tinha condições de administrar a partida, mas perdeu intensidade, cedeu espaços e permitiu a reação adversária.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

As substituições do treinador, embora façam parte da tentativa de preservar o elenco e ajustar a equipe, levantaram dúvidas sobre a estratégia adotada para proteger o resultado. O ponto central não é condenar qualquer mudança feita pelo banco de reservas, mas avaliar seus efeitos no funcionamento coletivo.

Ao retirar Pedro, Samuel Lino e Lucas Paquetá, o português abriu mão de jogadores que ofereciam presença ofensiva, capacidade de retenção da bola e alternativas para manter o Santos ocupado em seu próprio campo. Com menos recursos para atacar, o Flamengo passou a encontrar dificuldades para aliviar a pressão adversária.

A intenção de administrar a vantagem pode ser compreensível. O problema foi a execução. O time rubro-negro não conseguiu compensar a redução de suas referências ofensivas com a mesma segurança defensiva, e o Santos aproveitou o cenário para ganhar confiança e avançar.

Neymar, naturalmente, encontrou condições para participar mais do jogo. Um jogador com sua qualidade técnica sabe explorar espaços e punir adversários que oferecem liberdade. Seria injusto, contudo, atribuir o empate exclusivamente às escolhas de Leonardo Jardim.

A equipe também demonstrou displicência ao tratar a vantagem como se fosse suficiente para garantir os três pontos. Faltaram concentração, intensidade e maturidade para compreender que uma partida não está decidida enquanto o adversário tiver condições de reagir.

A cobrança ao treinador permanece pertinente porque cabe a ele interpretar os sinais do jogo e encontrar soluções quando o cenário muda. As substituições não precisam ser tratadas como erros incontestáveis, mas seus efeitos merecem análise.

Leonardo Jardim não conseguiu encontrar uma resposta capaz de impedir que o Santos transformasse a desvantagem em uma oportunidade real de buscar o empate.

Luiz Araújo também entra na conta

Luiz Araújo teve uma atuação que merece questionamentos. Diante de Neymar, encontrou dificuldades nos duelos individuais e não ofereceu a segurança esperada na recomposição defensiva. Em uma partida na qual o Flamengo precisava proteger os espaços e reduzir as possibilidades do adversário, suas limitações ficaram mais expostas.

O atacante precisa entregar mais regularidade, tanto na construção ofensiva quanto no cumprimento das obrigações defensivas. Quando não consegue desequilibrar com a bola e também sofre para ajudar a equipe sem ela, sua contribuição passa a ser legitimamente discutida.

Isso não significa transformá-lo no responsável pelo empate. O desempenho individual precisa ser avaliado dentro de um contexto coletivo que também apresentou falhas de organização e concentração. O Flamengo não pode depender apenas de atuações isoladas para sustentar resultados.

No fim, a partida deixa uma constatação incômoda: abrir 2 a 0 não basta quando faltam inteligência e eficiência para administrar a vantagem. Leonardo Jardim pode justificar suas escolhas, mas precisará explicar por que o Flamengo terminou tão distante da segurança que demonstrava antes das substituições.

O empate não representa apenas pontos desperdiçados. Expõe as dificuldades da equipe rubri-negra para sustentar uma vantagem expressiva e reforça a necessidade de decisões mais eficazes nos momentos de pressão.

Para um elenco montado para disputar títulos, deixar escapar uma vitória nessas circunstâncias exige mais do que lamentar o resultado: exige uma análise rigorosa do que deixou de funcionar.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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