Universidad de Chile pode ser obrigada a mudar de nome; entenda
Universidade que firmou convênio de uso de marca ainda em 2008 estuda anulação do acordo
A Universidad de Chile corre o risco de perder o direito de usar seu nome e símbolos após um escândalo financeiro envolvendo a Sartor AGF, controladora de sua SAF, com acusações de lavagem de dinheiro e estelionato. Temendo danos à sua reputação, a instituição acadêmica estuda rescindir a cessão da marca, válida até 2052. A crise provocou pedidos de renúncia de toda a diretoria e intensificou os planos dos acionistas de vender o controle do clube antes do seu centenário, em 2027.
A situação da Universidad de Chile fora das quatro linhas vive ambiente de absoluta incerteza. Desde o aspecto administrativo como, até mesmo, o próprio uso da denominação e símbolos que o identificam na atualidade.
Ainda no fim de 2024, estourou no Chile um escândalo financeiro sobre desvio de recursos praticados pela Sartor AGF, portadora de 63,07% de ações da SAF que administra "La U". Contudo, apenas em julho deste ano, houve a formalização de que 11 nomes eram responsabilizados por crimes como estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Com direito, inclusive, ao envolvimento de Michael Clark, ex-presidente do Conselho Administrativo da Azul Azul, empresa que gerencia a Universidad de Chile.
Diante deste panorama, a Casa de Estudios Universidad de Chile (portadora de um convênio de cessão de marca com o clube) apresenta receio sobre os efeitos reputacionais negativos causados pelo chamado Caso Sartor. Com isso, a chance de anulação do acordo assinado ainda em 2008, e com validade inicial até 2052, já foi pauta no ambiente interno da entidade educacional.
Fundamento jurídico
A base legal para tal movimento seria item previsto no Artigo 63 do Estatuto Universitário. Nele, consta expressamente a necessidade de "zelar e salvaguardar o prestígio e a imagem da instituição". Sendo que, no acordo de convênio, a exploração dos símbolos e identidade nominal/visual está condicionada ao alinhamento com os estatutos e códigos da universidade.
A princípio, o corpo diretivo do clube de Santiago trata a possibilidade como algo que "não se pensa nem de brincadeira". Em matéria publicada pelo portal da emissora local "Cooperativa", figuras internas confiam na manutenção da atual identidade nominal e visual. Com margem, aliás, para negociações que melhorariam os termos para ambos os lados.
Efeito dominó
Apesar da posição aparentemente segura, fato é que o ambiente incerto gerou forte repercussão. Não por acaso, na última semana, um representante da Sartor AGF (Eduardo Godoy) solicitou a saída dos 11 integrantes no atual corpo diretivo de La U. Inclusive, da atual presidente, Cecília Pérez.
Além do episódio envolvendo a marca, os atuais donos da SAF pretendem vender o controle acionário do clube antes do centenário da entidade, que se celebra em 24 de maio de 2027. Desse modo, a intenção é promover ambiente de maior estabilidade administrativa e maior relação de confiança para facilitar o processo de atrair investidores interessados na compra.
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