Renascido na Euro, maestro Pirlo comanda Itália com cara de Juventus
- Dassler Marques
- Direto de Varsóvia (Polônia)
"Quando estamos cansados ou as coisas estão difíceis, ele nunca perde a calma. Nem mesmo a bola". É Claudio Marchisio, o coração da seleção italiana, o homem do vai-e-vem, sobre o cérebro Andrea Pirlo. Principal nome da Juventus na temporada que acabou com título nacional invicto, o grande maestro da Itália e do Milan na última década mostra, também na Eurocopa, que as lesões são coisa do passado. Aos 33 anos, é a esperança maior da Seleção Italiana para bater a Inglaterra neste domingo em Kiev e ir às semifinais após 12 anos.
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Pirlo, em fase iluminada, é o jogador mais acionado da seleção italiana em campo. Segundo o site Whoscored, foram 169 passes nas partidas contra Espanha, Croácia e Irlanda, dois deles que acabaram em gols de Di Natale e Cassano. O terceiro, em cobrança de falta como dos velhos tempos, foi feito pelo próprio camisa 21. Com três meio-campistas (Marchisio, Motta e De Rossi) que trabalham para ele pensar livre, a partir da intermediária defensiva, conseguiu repetir o mesmo sucesso que já havia tido pela Juventus.
O regista, como é conhecido na Itália o volante que arma o jogo, também atuava assim na Juventus, protegido pelo próprio Marchisio e pelo chileno Vidal. Seja com passes longos, seja com espaço para rondar a área rival, mostrou sua importância tida como decisiva para que o Campeonato Italiano voltasse a ser vencido por seu maior campeão após nove anos. Pirlo jogou 37 das 38 rodadas e se mostrou inteiro. Foram três gols e incríveis 14 assistências. Era a senha para Prandelli apostar nele como o símbolo da seleção.
"Eu me divirto jogando futebol, não sinto a responsabilidade porque amei isso desde a infância. Gosto de esconder a bola", define ele. Para o legendário espanhol Luis Sánchez, ídolo de Barcelona e Inter de Milão, Pirlo é superior a Xavi, organizador mais celebrado no futebol mundial. "São similares, mas Andrea joga com passes longos que o colocam perto do topo. Xavi faz menos erros, mas porque seus passes são sempre curtos e de pouco risco".
A marcação fortíssima dos irlandeses, na terceira partida da Eurocopa, limitou as ações de Pirlo, grande construtor de jogo da Itália em momentos convincentes contra Espanha e Croácia. O time padeceu, teve dificuldades para criar e só chegou ao placar de 2 a 0 em dois lances de escanteio. Thiago Motta, eleito o meia-atacante por Prandelli, não foi bem na função e deve perder lugar para Montolivo, mais técnico. Uma tentativa para dar um parceiro de talento a Pirlo.
Os italianos, aliás, podem apelar à superstição para sonhar com o título europeu que parece fadado a uma final entre espanhóis e alemães na Euro 2012. Em três de suas quatro conquistas da Copa do Mundo, a formação titular tinha maioria de jogadores da Juventus. Contra a Inglaterra, neste domingo, devem ser novamente seis: Buffon, Chiellini, Bonucci, Barzagli ou Giaccherini, Marchisio e, claro: Andrea Pirlo.