Deu ruim! Diretor e astro detonam fracassado filme da Fifa
“Agora eu sou visto tão mal quanto o cara que levou a Aids para a África ou o responsável pela crise financeira mundial", lamentou diretor
Nem todos sabem, mas um filme sobre a história da Fifa foi lançado no início de junho em meio ao escândalo de corrupção na entidade. A produção, que teve cerca de 80% do valor de 30 milhões de euros (R$ 105 milhões) pagos pela entidade, se tornou um enorme fracasso – no fim de semana de estreia, nos Estados Unidos, lucrou menos de R$ 2 mil, enquanto no mundo o valor não chegou até agora a R$ 500 mil. Agora, o diretor e um dos atores se arrependem da participação na empreitada.
O filme chamado United Passions , que virou basicamente uma propaganda da Fifa, conta com um elenco de peso: Gérard Depardieu (As aventuras de Pi, Asterix e Obelix, O Homem da Máscara de Ferro, Paris, Te Amo ) interpreta Jules Rimet, Sam Neil (Jurassic Park, Caçada ao Outubro Vermelho, O Homem Bicentenário ) é João Havelange e Tim Roth (Lie to Me, Pulp Fiction, Cães de Aluguel, O Incrível Hulk ) faz Joseph Blatter, todos que passaram pelo topo da Fifa. O diretor é o francês Frédéric Auburtin (Paris, Te Amo e O Homem da Máscara de Ferro ). que é quem mais parece arrependido.
“Agora eu sou visto tão mal quanto o cara que levou a Aids para a África ou o responsável pela crise financeira mundial. Meu nome está no meio (do escândalo) e aparentemente eu sou um propagandista fazendo filmes para pessoas corruptas”, lamentou Aubertin, segundo o site Hollywood Reporter, em sua primeira declaração após o filme desastroso.
De acordo com o diretor, os problemas começaram em 2012, quando a Fifa exigiu o filme a tempo da Copa do Mundo de 2014, prazo impossível de ser alcançado. A situação piorou após problemas financeiros aumentarem o investimento da entidade na produção, que ficou sob o crivo da organização. Ou seja: as ideias do diretor, que alegou até ironicamente ter tido o intuito de começar a produção com sirenes da polícia invadindo a entidade anos atrás, eram todas cortadas pela Fifa. A produção virou basicamente uma propaganda.
Tim Roth, que interpreta Joseph Blatter, se recusou reiteradamente a falar sobre o filme. No entanto, ainda antes do escândalo estourar, deu uma entrevista em maio em tom de lamentação por ter interpretado Blatter ao jornal alemão Die Welt. “Eu me arrependo de não ter questionado o diretor e o script. Este (Blatter) é um papel que fará meu pai se revirar em seu caixão”, detonou.
O ator, que aparentemente sequer viu a produção após finalizada e, assim como a coestrela Sam Neil nem apareceu em eventos (só Depardieu foi à pré-estreia), admitiu que só aceitou o trabalho pelo dinheiro, que o tirou de um buraco financeiro. “Mas quer saber? O buraco que a Fifa cavou para si mesma é tão profundo que ela nunca vai sair dele”, atacou.
United Passions ficou marcado como o pior fim de semana de estreia de um filme com mais de 10 cinemas em exibição nos Estados Unidos. O país em que o filme mais deu retorno foi, ironicamente, a Rússia, sede da Copa de 2018. Apesar do interesse mundial pelo futebol, a produção foi direto para a TV na Itália, foi disponibilizada só em DVD na França e sequer foi vendida em países apaixonados pelo esporte, como Reino Unido, Alemanha e Brasil.
Joseph Blatter, no entanto, falou a amigos na Fifa que ficou bastante “emocionado e satisfeito” com o filme. Agora abandonado até pela entidade após o imenso fracasso, o diretor do longa-metragem tenta se defender: “sou uma vítima do jogo. É um desastre, mas eu aceitei o trabalho. Mas eu não fui pago para ser o Che Guevara do business esportivo. Por favor, não me façam responsável pelo fato de a Fifa ser podre”, implorou Auburtin.