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Futebol Internacional

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Bicampeonato da Espanha é a vitória de um projeto complexo e paciente em torno de uma identidade

Entenda como o trabalho de Luis de la Fuente transformou a Espanha em bicampeã mundial, consolidando uma sólida identidade de jogo

19 jul 2026 - 20h19
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Jogadores da Espanha em reunião antes de partida contra Cabo Verde, pela Copa do Mundo de 2026
Jogadores da Espanha em reunião antes de partida contra Cabo Verde, pela Copa do Mundo de 2026
Foto: Justin Setterfield/Getty Images / Esporte News Mundo

A conquista da Copa do Mundo de 2026 não representa apenas mais um título para a Espanha. O bicampeonato mundial simboliza o triunfo de um projeto esportivo desenvolvido com paciência, continuidade e convicção. Em um futebol cada vez mais imediatista, Luis de la Fuente provou que uma ideia de jogo consistente, construída desde as categorias de base, pode superar até os elencos mais estrelados do planeta.

Quando assumiu a seleção principal, em janeiro de 2023, De la Fuente estava longe de ser um nome unanimidade. Diferentemente de outros treinadores que chegam cercados de expectativa, ele carregava um currículo consolidado justamente nas divisões de base da Federação Espanhola. Foi ali que moldou uma geração inteira de atletas que hoje forma a espinha dorsal da equipe campeã do mundo.

O resultado desse trabalho aparece na sequência de conquistas. Sob seu comando, a Espanha venceu a Liga das Nações de 2023, conquistou a Eurocopa de 2024 e agora ergueu a Copa do Mundo de 2026. Poucas seleções conseguiram unir títulos continentais e mundiais em sequência, e esse feito reforça a dimensão do ciclo iniciado há pouco mais de três anos.

A identidade espanhola como sua maior força

Muito se fala sobre o talento individual de jogadores como Lamine Yamal, Nico Williams, Pedri ou Rodri. No entanto, o maior mérito da Espanha talvez seja justamente não depender exclusivamente de nenhum deles.

A seleção espanhola joga como um organismo coletivo. O controle da posse de bola continua sendo um dos pilares do time, mas sem o excesso de previsibilidade que muitas vezes marcou antigas versões da Fúria, como o "tiki-taka" da campeã de 2010 e de menos sucessos que vieram em seguida. A circulação da bola é paciente quando necessário, mas também vertical e agressiva no momento certo.

Não se trata apenas de trocar passes. Cada movimentação possui uma função clara dentro do sistema. Os jogadores ocupam espaços com precisão, pressionam imediatamente após perder a posse e conseguem alternar velocidade e cadência conforme o contexto da partida exige. Em jogos como a final contra a Argentina, o risco de dominar sem tanta efetividade é real, mas o resultado mostra que compensa.

Esse entendimento coletivo e extremamente paciente nasce da repetição. Muitos dos atletas atuais passaram pelas equipes de base comandadas pelo próprio De la Fuente, o que facilita a assimilação dos conceitos implementados ao longo de anos.

Continuidade é a chave do sucesso

Enquanto muitas seleções chegam às grandes competições mudando treinadores ou reformulando completamente seus elencos, a Espanha apostou na estabilidade.

A Federação Espanhola deu respaldo ao trabalho do treinador e permitiu que a filosofia desenvolvida nas categorias inferiores fosse levada para a equipe principal praticamente sem adaptações radicais.

Rodri, Mikel Merino, Fabián Ruiz e Unai Simón são alguns dos nomes que cresceram no futebol sob a orientação do técnico antes de chegarem à seleção principal. Esse conhecimento prévio reduz o tempo de adaptação e fortalece uma identidade que já faz parte da formação desses jogadores.

Mais do que ensinar um esquema tático, De la Fuente construiu uma cultura esportiva baseada em disciplina, solidariedade e entendimento coletivo do jogo.

Números que confirmam a superioridade

O título mundial veio acompanhado de uma marca histórica. Com a vitória sobre a Argentina na final, a Espanha chegou a 38 partidas consecutivas sem derrota, estabelecendo a maior sequência invicta da história do futebol de seleções.

A marca supera a campanha da Itália, que permaneceu 37 jogos invicta entre 2018 e 2021. Desde março de 2024, quando perdeu um amistoso para a Colômbia, a seleção espanhola acumula 38 jogos de invencibilidade, com 29 vitórias e 9 empates, além de 95 gols marcados e apenas 28 sofridos.

Na própria Copa do Mundo, a campanha reforçou esse equilíbrio. Depois do empate sem gols diante de Cabo Verde na estreia, a equipe venceu Arábia Saudita, Uruguai, Áustria, Portugal, Bélgica, França e, por fim, a Argentina na decisão.

Foram 14 gols marcados e apenas um sofrido durante toda a fase eliminatória e reta final da competição.

O bicampeonato pode ser apenas o começo?

A vitória sobre a Argentina encerra uma campanha memorável, mas também abre perspectivas para o futuro.

Grande parte dos protagonistas ainda está em idade competitiva. Lamine Yamal, Pedri, Nico Williams, Cubarsí e outros jovens devem permanecer como referências da seleção por muitos anos e mesmo sem conquistarem grande protagonismo foram essenciais para a conquista do bicampeonato. Ou seja, mais importante do que os nomes é a manutenção da filosofia que permitiu à Espanha voltar ao topo do futebol mundial.

Esporte News Mundo
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