Gêmeos do Manchester lembram fracasso no Pan: "queríamos, mas não deu"
7 jul2011 - 07h50
(atualizado às 15h02)
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Thiago Sagardoy
Direto de São Paulo
Há quatro anos, o Rio de Janeiro foi sede da última edição dos Jogos Pan-Americanos, e todo o Brasil criou expectativa de resultados positivos em várias modalidades do evento. O país até se saiu bem no quadro final de medalhas, porém, um esporte ficou devendo. Justamente, o mais difundido pelo mundo, e reconhecidamente o de maior especialidade brasileira: o futebol.
Destaques da Seleção Brasileira que sequer subiu ao pódio em 2007, os gêmeos Fábio e Rafael, que hoje são jogadores do Manchester United, apostam que, mesmo em caso de vitória naquele momento, poucas coisas mudariam nos rumos de suas carreiras e de seus companheiros daquele elenco, formado por jovens atletas da Sub-17.
"O fracasso no Pan não interferiu na minha carreira de forma alguma. Consegui dar sequência ao meu trabalho, tanto que hoje estou muito bem no Manchester", afirmou Rafael, lateral do time inglês, dizendo que mantém contato com alguns integrantes do grupo do Pan. "Falo sempre com o Bernardo e o Fellipe Bastos, que hoje estão no Vasco", contou.
Fábio, irmão de Rafael, e também lateral contratado da equipe inglesa comandada por Alex Ferguson, recordou a torcida lotando os estádios das partidas no Pan do Rio, mas não crê que a pressão dos torcedores tenha afetado o desempenho do time em campo. Para o jogador, "a derrota faz parte do futebol, e não teve qualquer relação com a responsabilidade que eles, jovens, carregavam".
Em 2007, ambos atuavam pelo Fluminense, e a possibilidade de conquistar um título para o Brasil diante da torcida carioca, rendeu aos dois, na época, a discussão sobre a valorização de ambos na hora de acertar um contrato com o Manchester United.
Com um possível triunfo perto dos fãs que já os acompanhavam de perto, os gêmeos - já negociados com o time inglês - poderiam usar o apelo da conquista para esticarem seus contratos com o time das Laranjeiras e serem ainda mais valorizados.
"Não queríamos a medalha para nos valorizar. Ganhar o Pan na nossa cidade seria bom para tornar o nosso currículo vitorioso, mas não deu. Sobre continuar no Fluminense, mesmo que tivéssemos conquistado o Pan, seria muito difícil, pois a negociação com o United já estava concretizada, haveria pouquíssima chance de mudança", disse Fábio.
Os irmãos, inclusive, aproveitam para dar conselhos aos jogadores que representarão o Brasil, neste ano, no Pan de Guadalajara. Rafael prega o valor ao uniforme brasileiro. "Aproveitem ao máximo a oportunidade, pois serve de experiência para qualquer jogador. E, claro, defender o Brasil, em qualquer circunstância, deve ser levado a sério", disse.
Fábio, por outro lado, projeta que um bom rendimento da Seleção pode ser fundamental no rumo da carreira de um atleta. "O Brasil chegando longe, com bom desempenho no torneio, pode ser uma boa vitrine para o jogador, mais até do que uma boa temporada no seu clube", disse.
O fracasso do futebol brasileiro no Pan do Rio foi o ponto inicial da carreira de vários atletas daquele grupo. Relembre os rumos tomados por cada um que atuou na derrota decisiva para o Equador, a começar pelo goleiro Marcelo Carné, que na época era do Flamengo, e hoje atua no Duque de Caxias. Na foto acima, destaque para o lateral Rafael, da base do Fluminense, e que pouco tempo depois foi vendido ao Manchester United junto com seu irmão, Fábio. Os dois permanecem no clube inglês
O fracasso do futebol brasileiro no Pan do Rio foi o ponto inicial da carreira de vários atletas daquele grupo. Relembre os rumos tomados por cada um que atuou na derrota decisiva para o Equador, a começar pelo goleiro Marcelo Carné, que na época era do Flamengo, e hoje atua no Duque de Caxias. Na foto acima, destaque para o lateral Rafael, da base do Fluminense, e que pouco tempo depois foi vendido ao Manchester United junto com seu irmão, Fábio. Os dois permanecem no clube inglês
Foto: Getty Images
Lázaro foi zagueiro da base do Atlético-MG durante muito tempo, e dois anos após o Pan, em 2009, foi vendido ao Heerenveen, da Holanda. Hoje, atua pelo Vila Nova, de Goiás
Foto: Terra
O polivalente Rafael Forster, que atua tanto na zaga quanto na lateral, foi convocado para o Pan, e antes do torneio, atuava pela base do Internacional. Depois do revés do Brasil, rodou por Tigres-RJ, Náutico-PE e hoje está no PAEC, da capital paulista
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Irmão gêmeo do lateral Rafael, Fábio também foi revelado pelo Fluminense, também é lateral, e também atua hoje pelo Manchester United, da Inglaterra. Nos últimos tempos, vem ganhando espaço com o treinador do time inglês, Alex Ferguson
Foto: AFP
O lateral Bruno Collaço, revelação gremista na época, continua atuando no clube gaúcho. Em 2010, porém, teve uma breve passagem pela Ponte Preta para a disputa da Série B
Foto: Gazeta Press
Outro atleta revelado pelo Internacional, o volante Tales, que entrou durante o jogo contra os equatorianos, foi negociado pelo time do Rio Grande do Sul com o Sporting de Portugal
Foto: Reuters
Revelado pelo Botafogo, o volante Fellipe Bastos rodou bastante após o fracasso no Pan de 2007: fez testes no PSV, da Holanda; assinou com o Benfica, de Portugal; foi jogar em outro time do futebol português, o Belenenses, e, antes de regressar ao Vasco, time em que está atuando no momento, ainda passou pelo Servette, da Segunda Divisão da Suíça
Foto: Getty Images
O meia Lulinha era a grande joia da base do Corinthians e seguiu para a Seleção que disputou o Pan de 2007 como grande esperança brasileira. Após o torneio, sofreu o descenso com o time paulista no Campeonato Brasileiro do mesmo ano, e foi emprestado, em 2009, ao Estoril, do futebol português. Neste ano, o jogador voltou ao futebol brasileiro e está atuando pelo Bahia
Foto: Getty Images
Giuliano, hoje, atua pelo FC Dnipro Dnipropetrovsk, da Ucrânia. Na época, era um jovem jogador do Paraná, vendido ao Internacional pouco tempo depois. No clube gaúcho, o meia foi campeão da Libertadores do ano passado e eleito o melhor jogador da competição
Foto: Alex Livesey/Fifa / Getty Images
Veloz, o atacante Maicon despontou no Fluminense. Uma temporada após a derrota no Pan-Americano do Rio de Janeiro, Maicon começou a se destacar na equipe profissional do clube das Laranjeiras. Em 2009, fez dupla de ataque com Fred, obteve sucesso, e foi negociado com o Lokomotiv Moscou, da Rússia
Foto: Marcelo Pereira / Terra
Júnior era atacante da base botafoguense, e não vingou no time de General Severiano posteriormente. Começou a temporada 2011 no Duque de Caxias, porém, o seu vínculo com o clube carioca se expirou e não foi prorrogado
Foto: Terra
O atacante Alex Teixeira, grande promessa do Vasco, chegou a atuar algumas temporadas pelo time da Colina. No entanto, foi vendido para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde está atuando no momento
Foto: Getty Images
Choco, que em 2007 era atacante do Atlético-PR, foi emprestado ao Olimpia Rustavi, da Geórgia, e três meses depois voltou ao clube da Arena da Baixada. Iniciou esta temporada no Rio Branco de Paranaguá, clube que disputa a Primeira Divisão do futebol paranaense