Fluminense abre o CT, mas escolhe quem pode entrar
Visita exclusiva de conselheiros ao CT Carlos Castilho expõe uma prioridade política da atual gestão
O Fluminense organizou uma visita exclusiva de conselheiros ao CT Carlos Castilho, cumprindo promessa da diretoria com transporte e logística estruturados. A iniciativa gerou contrastes políticos no clube, pois a abertura de treinos para a torcida nas Laranjeiras segue sem previsão. A priorização do grupo político evidencia a disparidade entre as ações voltadas aos conselheiros e a falta de coerência com as promessas feitas aos torcedores, que continuam à espera de maior aproximação com o time.
O Fluminense encontrou uma maneira de aproximar parte de sua comunidade do futebol. Mas, desta vez, a escolha de quem participa chama mais atenção do que a própria iniciativa.
Neste domingo, 27 de setembro, conselheiros terão acesso ao Centro de Treinamento Carlos Castilho, na Barra da Tijuca, em uma programação organizada pelo clube. A ação está relacionada a uma das promessas internas do presidente Mattheus Montenegro para aproximar seus apoiadores da estrutura tricolor.
A torcida, porém, continua esperando.
A ideia de levar alguns treinamentos para as Laranjeiras, permitindo um contato mais próximo entre jogadores e torcedores, ainda não tem data anunciada. Enquanto uma proposta permanece sem previsão, outra já tem transporte, horário e participantes definidos.
É nesse contraste que o episódio ganha dimensão política.
Não há problema em aproximar conselheiros do funcionamento do clube. Eles integram a estrutura institucional do Fluminense e possuem atribuições previstas no estatuto. O ponto é outro: entender por que uma iniciativa voltada a esse grupo avançou enquanto a promessa de aproximação com a torcida continua parada.
O passeio que ganhou planejamento no Fluminense
A programação foi detalhada em documento encaminhado aos conselheiros. A saída está prevista para as 8h, no estacionamento das Laranjeiras, com chegada ao CT Carlos Castilho por volta das 9h.
O clube colocará um ônibus à disposição, com capacidade para 40 pessoas. A participação será restrita aos conselheiros e não haverá acompanhantes.
As inscrições seguem uma ordem de confirmação. Se o número de interessados ultrapassar a capacidade do veículo, o Fluminense poderá organizar uma segunda visita, em outra data.
Ou seja, a operação não ficou apenas no discurso.
Há logística, limite de vagas e até uma alternativa para atender uma eventual demanda maior.
O Mochilão Tricolor ganhou data e roteiro.
O mesmo não aconteceu com a prometida aproximação da torcida nas Laranjeiras.
A diferença está na porta de entrada
As Laranjeiras representam uma parte importante da identidade do Fluminense. O estádio e sua sede carregam uma relação histórica com o clube e poderiam servir novamente como ponto de encontro entre o time e seus torcedores.
A realização de treinamentos no local teria justamente esse caráter.
Seria uma ação simples, mas capaz de produzir proximidade em um ambiente no qual a relação entre clube e torcida nem sempre parece ocupar o mesmo espaço que a política interna.
O episódio do CT deixa essa diferença exposta.
O Fluminense conseguiu estruturar uma visita para um grupo específico, com transporte oficial e acesso controlado. Ao mesmo tempo, não apresentou uma previsão para colocar em prática a iniciativa destinada à torcida.
Não se trata de impedir a aproximação com os conselheiros. Trata-se de cobrar coerência entre o discurso e as ações.
Conselheiro participa da vida política do clube.
Torcedor participa da vida do clube todos os dias.
Por isso, quando uma promessa destinada à arquibancada permanece sem data enquanto outra iniciativa já está pronta para sair do papel, a comparação é inevitável.
O Mochilão Tricolor já tem horário, ônibus e lista de convidados.
Para a torcida, ainda falta o principal: saber quando os portões das Laranjeiras estarão abertos novamente para ela.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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